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Achados Audiológicos
Em Indivíduos Portadores Do Vírus HIV
Autora: Fga. Raquel Ribeiro Leite Soares e outros
E-mail:
hlsoares.frc@netsite.com.br
Resumo
do trabalho de conclusão de curso apresentado
à banca examinadora em 12/1998 - Universidade
de Franca
Daniela
Bortoloti Calil
Discente do curso
de fonoaudiologia
da Universidade
de Franca.
Raquel
Ribeiro Leite Soares - CRFa 9777
Discente do curso de fonoaudiologia
da Universidade de Franca
Ana
Cláudia Mirândola
Barbosa Reis
Docente do curso de fonoaudiologia
da Universidade de Franca.
Flávia
Penido Silva
Farmacêutica do Instituto do Coração
de São Paulo (INCOR).
ACHADOS
AUDIOLÓGICOS EM INDIVÍDUOS PORTADORES
DO VÍRUS HIV
A
AIDS ( Acquired Immunodeficiency Syndrome )
é considerada a doença sexualmente
transmissível com maior índice
de óbito no mundo. Com o avanço
das pesquisas sobre a causa, sintomas e tratamento
da doença, a qualidade e tempo de vida
do indivíduo portador do vírus
HIV ( Human Immunodeficiency Virus) tem melhorado
consideravelmente. Ser soro-positivo hoje não
significa morte anunciada: morte por AIDS,
cede espaço para vida com AIDS.
Isto graças à grande descoberta
de DAVID HO: o coquetel.
O
objetivo deste trabalho foi identificar a relação
do uso dos medicamentos com achados audiológicos
em pacientes portadores do vírus HIV
do Ambulatório de Doenças Sexualmente
Transmissíveis ( DST ) do Posto de Saúde
de Franca.
A
AIDS é conhecida no Brasil como SIDA
( Síndrome da Imunodeficiência
Adquirida ) e manifesta-se pela ação
do vírus HIV que age no sistema imunológico
humano, favorecendo o aparecimento de outras
infecções graves.
Para
BIRCHALL et al (1992) as etiologias da
perda auditiva nos portadores do vírus
HIV podem ser por viroses, herpes simples, sífilis,
hepatite B, herpes Zoster e toxoplasmose. A
ototoxidade também inclui-se no quadro
das etiologias devido aos tratamentos de infecções
oportunistas e neoplasias.
Gonçalves
et al (1994) relatam em seu estudo que
a alteração auditiva pode ser
secundária de tumores malígnos
como o Sarcoma de Kaposi devido comprometimento
do conduto auditivo externo.
Segundo
os achados de TIMON e WALSH (1989) dois pacientes
em estudo apresentaram perda auditiva neurossensorial,
sendo que no primeiro caso os resultados audiológicos
encontrados foram perda auditiva neurossensorial
de grau moderado na orelha esquerda nas freqüências
agudas e no segundo, a perda auditiva apresentou-se
flutuante, com resolução completa
quatro meses depois.
De
acordo com WALLACE et al (1994) três
pacientes portadores do vírus HIV desenvolveram
perda auditiva neurossensorial bilateral de
grau leve a severo por ototoxidade causada pela
azitromicina.
SOLER
et al (1996), relata um caso clínico
em que o paciente portador do vírus HIV
apresentou uma perda auditiva unilateral de
grau severo com causa desconhecida, com recuperação
considerável da audição
antecedendo o tratamento da mesma. Após
três meses sua audição encontrava-se
dentro dos padrões de normalidade.
Segundo
TSENG et al (1997) os portadores do vírus
HIV correm o risco de apresentar alterações
auditivas como um fator secundário de
infecções oportunistas ou por
ototoxidade ( devido as drogas anti-retrovirais
).
O
material desse estudo foi composto pelo levantamento
dos dados da população avaliada
audiologicamente no período de maio/98,
que foram atendidos no Ambulatório de
DST do Posto de Saúde de Franca.
Participaram
deste estudo 12 sujeitos portadores do vírus
HIV, sendo oito do sexo masculino e quatro do
sexo feminino, assintomáticos, com idade
variando entre 22 e 49 anos.
O
procedimento de coleta de dados foi realizado
em três etapas: a primeira etapa foi a
seleção dos sujeitos realizado
pelo próprio médico do ambulatório
que acompanha clinicamente estas pessoas, quem
também realizou a otoscopia dos sujeitos
deste trabalho; a segunda etapa foi a realização
de uma anamnese para coleta de dados, informações
sobre a história auditiva de cada sujeito,
com relatório previamente elaborado;
a terceira etapa foi a realização
da avaliação audiológica
( audiômetro CAS 10 ). Realizou-se audiometria
tonal via aérea em ambas as orelhas na
faixa de freqüência entre 250 e 8000
Hz . Os resultados foram considerados normais
até 20 dBNA. A via óssea foi realizada
somente quando os resultados apresentaram um
rebaixamento da via aérea.
A
classificação dos sujeitos foram
em três grupos: A: não faz uso
de nenhum medicamento; B: faz uso de dois medicamentos;
C: faz uso de três medicamentos.
Foi
possível observar que apenas dois sujeitos
apresentaram resultados na audiometria normal
unilateral, cinco apresentaram audiometria normal
bilateral, dois apresentaram audiometria alterada
na orelha direita, nenhum apresentou alteração
na audiometria apenas na orelha esquerda e cinco
apresentaram resultados na audiometria com alteração
bilateral.
Os
medicamentos utilizados pelos sujeitos foram:
AZT, 3TC, ddC, ddI, Citonavir, Estavudina, Ritonavir,
Fluconazol, Indinavir e Invirase.
Este
trabalho surgiu inicialmente da preocupação
em melhorar a qualidade de vida do indivíduo
portador do vírus HIV. Embora a literatura
relate que haja alterações auditivas
neurossensoriais secundárias por ototoxidade
dos medicamentos anti-retrovirais e antibióticos
utilizados no tratamento de infecções
oportunistas, neste trabalho não foi
possível observar tais alterações.
Portanto,
verificou-se a necessidade de inclusão
da Avaliação Audiológica
na bateria de exames de rotina do indivíduo
portador do vírus HIV, pois auxiliaria
no diagnóstico de possíveis alterações
que possam vir a afetar a audição
deste e com isto programas de prevenção
em nível secundário e conservação
auditiva (monitoramento) poderão ser
desenvolvidos junto a um trabalho interdisciplinar
dos profissionais que atuam com este grupo,
tal como a farmacocinética.
Referências
Bibliográficas
BIRCHALL,
M.A., WIGHT, R.G., FRENCH, P.D., COCKBAIN,Z.,
SMITH, S.J.: Auditory function in patients
infected with the human immunodeficiency
virus, Clinical Otolaryngology and Allied
Sciences, v.17: p. 117-121,1992.
GONÇALVES,
Denise Utsh, JÚNIOR, Antônio
Carlos Toledo, BECKER, Celso Gonçalves,
GONÇALVES, Tânia Mara Lima,
GRECO, Dirceu Bartolomeu: Manifestações
otorrinolaringológicas em pacientes
HIV-soro positivo, Revista Brasileira
de Otorrinolaringologia, v. 60 n.4
p.267-270,1994.
SOLER,
J.Solanellas, PATIÑO, L. Soldado,
Leon, F. Losano: Sordera brusca e infección
por el HIV, Acta Otorrinolaring,
v. 47(4): p. 311-313,1996.
TIMON,C.I.,
WALSH,M.A.: Sudden sensorineural hearing
loss as a presentation of HIV infection,
The journal of Laryngology and Otology,
v.103: p.1071-1072,1989.
TSENG,
Alice L., DOLOVICH, Lisa, SALIT, Irving
E.: Azithromycin-Related Ototoxicity in
Patients Infected with Human immunodeficiency
Virus, Clin Infect Dis,
v. 24: p. 76-77,1997.
WALLACE,
Marck, R., MILLER, Larry, K., NGUYEN,
Minh-Thu, SHIELDS, Anne R.: Ototoxicity
with azithromycin, The Lancet,
v. 343 (8888): p. 241,1994.
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