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Estudo do reconhecimento de fala em indivíduos adultos
e idosos portadores de perda auditiva do tipo neurossensoriais.
Autoras:
Gilmara do Nascimento
CRFª. 010.377/SP
Fonoaudióloga graduada pela Universidade de Franca
em 1999.
E-mail: gilmara@com4.com.br
Kátia Miriam de Melo Silveira (Orientadora)
Docente do curso de Fonoaudiologia da Universidade de
Franca e doutoranda em Distúrbios da Comunicação
Humana pela Escola Paulista de Medicina
Aline Domingues Chaves Aita (Co-orientadora)
Doutoranda em Distúrbios da Comunicação
Humana pela Escola Paulista de Medicina
Resumo
do trabalho de conclusão de curso apresentado à
banca examinadora em outubro de 1999 -Universidade
de Franca
O
objetivo deste estudo
foi avaliar o desempenho
auditivo de indivíduos
adultos e idosos
portadores de Perda
Auditiva do tipo
Neurossensorial
por meio do Índice
Percentual de Reconhecimento
de Fala (IPRF),
utilizando as listas
de estímulos
monossilábicos
e dissilábicos
com e sem significado
propostas por CHAVES
(1997). Os 30 sujeitos
desta pesquisa,
foram inicialmente
submetidos a anamnese,
meatoscopia e audiometria
tonal limiar via
aérea e via
óssea.
A seguir realizou-se
a avaliação
do reconhecimento
de fala por meio
do Índice
Percentual de Reconhecimento
de Fala (IPRF).
Os valores do Índice
Percentual de Reconhecimento
de Fala (IPRF) obtidos
para cada uma das
listas de estímulos
utilizadas foram
inicialmente analisados
quantitativamente,
através do
número de
palavras repetidas
corretamente. A
seguir realizamos
um estudo comparativo
entre os valores
do Índice
Percentual de Reconhecimento
de Fala (IPRF) obtidos
para cada lista,
em função
das seguintes variáveis:
significado, grau
de Perda Auditiva
e desempenho obtido
com as listas utilizadas
na rotina clínica
do Ambulatório
de Audiologia da
Universidade Federal
de Santa Maria (UFSM),
onde o material
utilizado neste
estudo foi desenvolvido.
Os resultados obtidos
mostraram que, as
listas de estímulos
sem significado
foram mais sensíveis
para detectar as
dificuldades na
habilidade de reconhecimento
de fala, do que
as com significado,
sejam elas, monossilábicas
ou dissilábicas.
O grau de Perda
Auditiva interferiu
no desempenho auditivo,
sendo que os indivíduos
com Perda Auditiva
de grau leve obtiveram
melhores resultados
na tarefa de reconhecimento
de fala quando comparados
aos com Perda Auditiva
moderada.
Concluímos
ainda que, os estímulos
que mais adequadamente
caracterizam as
reais dificuldades
de reconhecimento
de fala de indivíduos
portadores de Perda
Auditiva do tipo
Neurossensorial
de grau leve a moderado
são as palavras
monossilábicas
com e sem significado,
pois, pelo fato
de fornecerem um
menor número
de pistas facilitadoras,
tornam o teste de
reconhecimento de
fala mais sensível
às dificuldades
desses indivíduos.
Observamos também
que, o desempenho
auditivo dos indivíduos
foi semelhante,
quando comparou-se
as listas elaboradas
por CHAVES (1997)
e as listas empregadas
na Universidade
Federal de Santa
Maria (UFSM).
Os resultados encontrados
neste estudo concordam
com os achados de
MANGABEIRA-ALBERNAZ,
P. (1981), que referiu
que palavras polissilábicas
são mais
facilmente identificadas
do que as monossilábicas
e do que as palavras
sem significado,
pois para que estes
últimos sejam
reconhecidos, cada
fonema deverá
ser identificado
corretamente. Da
mesma forma, concordam
com os resultados
encontrados por
HUSTEDDE & WILEY
(1991), quando utilizaram
a "Nonsense
Syllable Test"
(NST) para determinar
a habilidade de
indivíduos
com audição
normal e com Perda
Auditiva do tipo
Neurossensorial
nas tarefas de reconhecimento
de consoantes.
Os resultados demonstraram,
que tanto para indivíduos
normais como para
os com Perda Auditiva
do tipo Neurossensorial,
o teste foi sensível
identificando diferenças
em todas as habilidades
de reconhecimento
de consoantes. Concordam
ainda com a afirmação
de SCHOCHAT (1997),
que indivíduos
com Perda Auditiva
do tipo Neurossensorial
nas freqüências
agudas apresentam
grandes dificuldades
na inteligibilidade
de fala devido à
pobre discriminação
vocal, pois a perda
de informações
acústicas
faz aumentar a probabilidade
do indivíduo
não entender
a fala. Isto se
dá, pelo
fato das consoantes
terem a maioria
de sua energia acústica
concentrada nas
altas freqüências
e por serem emitidas
em intensidades
inferiores em relação
às vogais.
Este resultado concorda
também com
FRAUENFELDER &
TYLER (1987), que
afirmaram que o
contexto no qual
o fonema está
inserido influencia
seu reconhecimento.
Os resultados deste
estudo, e do estudo
de CHAVES (1997),
concordam também
com o descrito por
HUMES & ROBERTS
(1990), apud SACALOSKI
(1997), quando relataram
que o reconhecimento
de sílabas
sem sentido requer
evocação
de informações
sintáticas
ou semânticas,
o que não
ocorre quando se
utilizam estímulos
como: palavras,
sentenças
ou fala contínua.
Referências
Bibliográficas:
CHAVES,
A.D. Uma nova
proposta para
avaliação
do reconhecimento
de fala em adultos
com audição
normal. Rio
grande do Sul.
1997. 81p. Tese
(mestrado) – Universidade
Federal de Santa
Maria.
FRAUENFELDER,
U.H. & TYLER,
L.K. - The process
of spoken word
recognition: An
introduction.
Cognition.
n. 25, p.
1-20, 1987.
HUSTEDDE,
C.G. & WILEY,
T.L. . Consoant
recognition patterns
and self- assessment
of hearing handicap.
Journal of
Speech and Hearing
Research. n.
34, p.1397-1409,
1991.
MANGABEIRA-ALBERNAZ,
P. Otorrinolaringologia
Prática.
10ed. São
Paulo: Sarvier,
1981, p. 21-23.
SACALOSKI,
M. Limiar de
reconhecimento
de fala: estudo
com diferentes
tipos de estímulos
verbais. São
Paulo, 1997. 81p.
Tese (mestrado)
- Universidade
Federal de São
Paulo- Escola
Paulista de Medicina.
SCHOCHAT,
E. Percepção
de fala em perdas
auditivas neurossensoriais.
In: CARVALHO,R,M.M
& LICHTIG,
I. Audição:
Abordagens
Atuais. Carapicuíba:
Ed. Pró-fono,
1997, p. 225-234.
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