O
processo de terapia fonoaudiológica iniciou-se em
março/2000 estendendo até maio/2000, com trabalho
específico visando a reinstalação da
respiração nasal e desobstrução
da tuba auditiva, diminuindo assim os episódios de
otite média secretora.
Inicialmente,
foi passado à criança uma higienização
do nariz, para que este pudesse ficar o mais desobstruído
possível, podendo assim, trabalhar a respiração
e melhorar a função da tuba auditiva (ventilação).
O espelho de glatzel foi utilizado em todas as terapias
como um feed back da melhora da saída de ar nasal
após a realização da higienização.
Vale ressaltar que a criança apresentou uma boa coordenação
da inspiração e expiração nos
exercícios realizados.
Durante
todo o tratamento, exercícios respiratórios
como o de encher um balão 3 vezes utilizando somente
a inspiração nasal e o uso de língua
de sogra em cada narina 3 vezes foram realizados. Neste
último, a criança inspirava primeiro, depois
introduzia a língua de sogra em uma narina, tampava
a outra e soprava-a, desenrolando assim, o brinquedo.
Durante
2 meses, foi necessário realizar a limpeza do nariz
juntamente com a criança, pois esta não gostava
e por isso não realizava a higiene frequentemente.
Brincadeiras
como disputa foram muito utilizadas como estímulo.
A criança durante o jogo não poderia abrir
a boca para respirar, pois perdia pontos para a terapeuta.
Trabalhou-se
durante este período a sucção, mastigação
e deglutição para fortalecimento dos músculos
da mastigação, elevador do véu palatino,
tensor do véu do palato e salpingofaríngeo.
A
sucção e deglutição foram trabalhadas
através dos exercícios da seringa (sugar o
alimento que está dentro da seringa) com água
e gelatina; sucção pelo canudo com água
e gelatina. Vale esclarecer que a criança retirava
a gelatina da geladeira e colocava 10 segundos no microondas
para amolecer um pouco o alimento para a realização
do exercício. A criança contava quanto tempo
levava para realizar o exercício proposto, começando
com 10 segundos e chegando a 5 segundos depois de 4 tentativas
com a gelatina. O exercício realizado com a água,
chegou a levar 3 segundos para a realização
deste.
Os
exercícios mastigatórios visaram o fortalecimento
dos músculos envolvidos e oclusão labial.
O trabalho foi iniciado em março com a utilização
de biscoitos e maçãs. Foi reforçada
a mastigação bilateral alternada durante a
realização desta. A criança apresentou
um bom desempenho no final do período de terapia,
conseguindo mastigar com os lábios ocluídos.
Porém, quando esta está em crise de sinusite,
a mastigação volta a ser realizada de lábios
entreabertos, em função da respiração
ser bucal naquele momento. Não foi utilizado o garrote
durante as terapias como proposto por alguns autores, pois,
com esse material não se consegue trabalhar consistência
de alimentos e não há alterações
nos movimentos básicos de lateralidade de mandíbula
como acontece com alimentos de consistência variada.
O
trabalho com a musculatura orofacial foi realizado paralelamente
às funções vegetativas. Exercícios
isotônicos de lábios e língua foram
introduzidos aos poucos durante as terapias com série
de 30 repetições cada um deles. Foram apresentados
na ordem: protrusão e retrusão de lábios,
estalo de lábios, beijo, estalo de língua,
vibração de lábios, lateralização
de língua, canelar a língua, vibração
de língua, afilamento e alargamento e língua
no vestíbulo oral. O principal objetivo deste trabalho
foi equilibrar o sistema sensório motor oral da criança
e propriocepção.
A
vibração de língua e lábios
e estalo de língua tiveram dois objetivos: melhorar
a tonicidade da musculatura e redução dos
nódulos bilaterais das pregas vocais. A higiene vocal
foi passada à criança de maneira mais pedagógica
possível e, durante as terapias, foram sendo introduzidos
alguns tópicos nos quais a criança realizava
abuso vocal.
Massagem
na cintura escapular, relaxamento de cabeça e pescoço
e postura foram trabalhados com a criança durante
os 3 meses, com o objetivo de soltar a musculatura, produzindo
assim uma voz mais limpa e também trabalhar a conscientização
da real postura a ser tomada.
Quanto
à troca grafêmica /f/ pelo /v/ relatada pela
mãe na anamnese, foi trabalhada durante as terapias
em forma de ditado e redação. Porém
não foi constatado a troca grafêmica nestas
atividades. A observação dos cadernos da escola
foi realizada e constatou-se uma inconstância da mesma.