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Perfil Audiométrico
do indivíduo portador de Hipertensão Arterial
Sistêmica
Autora: Núbia
Terezinha de Oliveira
Data da Monografia: 1999
CRFa: 2223 - MG
3 – RESULTADOS E COMENTÁRIOS
Os
resultados desta pesquisa realizada em 25 indivíduos
hipertensos e 25 indivíduos do grupo controle.
É importante ressaltar que foram levadas
em consideração, para a análise
dos resultados, ambas as orelhas, tanto no grupo
de hipertensos quanto no grupo controle.
|
Tab.
3 Número e porcentagem
de orelhas com disacusia e normais
no grupo de hipertensos e no grupo
controle.
|
|
Perfil
audiométrico |
Hipertensos
|
Grupo
Controle |
| n°
|
%
|
n°
|
%
|
| Disacusia
|
46
|
92,00
|
9
|
18,00
|
| Normal
|
4
|
8,00
|
41
|
82,00
|
| TOTAL
|
50
|
100,00
|
50
|
100,00
|
QUI
QUADRADO x² = 27,656 * (5%)
x² = 5,99
Fonte: Dados colhidos pela autora
Fig. 3
- Representação gráfica de
orelhas com disacusia e normais em hipertensos
e no grupo controle.
 |
| |
hipertensos |
| |
|
| |
grupo
controle |
| |
|
|
|
disacusia
|
normal
|
|
|
Perfil
Audiométrico
|
|
De
acordo com a Tab. e Fig. 3, a disacusia esteve
presente em 92% dos indivíduos hipertensos,
enquanto que no grupo controle a disacusia esteve
presente em apenas 18% dos indivíduos,
demonstrando altos índices de significância.
Estes achados mostram a correlação
entre hipertensão arterial e a audição
e são concordantes com os achados de TACHIBANA
et al. (1984), COLAFEMINA & GRELLET
(1985), CLAUSSEN & CLAUSSEN (1986) apud
BROHEM et al. (1996), CAOVILLA et al.
(1986) apud BROHEM et al. (1996),
DEKA (1986) apud BROHEM et al. (1996),
OSASHI et al. (1990), BROHEM et al.
(1996) e AUGUSTO et al. (1998) quando
afirmaram uma possível relação
entre hipertensão arterial sistêmica
e hipoacusia, estando esta relação
comprovada em seus trabalhos.
Estes
resultados discordam dos de GUPTA et al.(1986)
apud BROHEM et al. (1996) e NAZAR
et al. (1992), que negaram a existência
de perda auditiva relacionada de maneira única
a hipertensão arterial. Segundo estes autores,
é possível que ainda existam outros
fatores, tais como: estados tensionais importantes
e prolongados, exposição a ruídos
e predisposição anatômica,
associados à hipertensão arterial
poderiam ocasionar, em casos particulares, uma
perda significativa da audição.
| Tab.
4 Número e porcentagem de
orelhas com disacusia e normais em função
do sexo, tanto
no
grupo de hipertensos quanto no grupo
controle.
|
|
Sexo
|
Hipertensos
|
Grupo
Controle |
|
Disacusia
|
Normal
|
Disacusia
|
Normal
|
| n°
|
%
|
N°
|
%
|
n°
|
%
|
n°
|
%
|
| Masculino
|
21
|
45,65
|
1
|
25,00
|
5
|
55,55
|
21
|
51,22
|
| Feminino
|
25
|
54,35
|
3
|
75,00
|
4
|
44,45
|
20
|
48,78
|
| TOTAL
|
46
|
100,00
|
4
|
100,00
|
9
|
100,00
|
41
|
100,00
|
QUI
QUADRADO x² = 55,904 * (5%) x² = 7,81
Fonte:
Dados colhidos pela autora
Fig. 4 - Representação gráfica
de orelhas com disacusia e normais em função
do sexo, tanto no grupo de hipertensos quanto no grupo controle.
 |
| |
Hipertensos
disacusia |
| |
Hipertensos
normal |
| |
Grupo
Controle disacusia |
| |
Grupo
Controle normal |
|
De
acordo com a Tab. e Fig. 4, os limiares tonais
dos indivíduos hipertensos do sexo feminino
apresentaram maior comprometimento auditivo (54,35%)
quando comparados aos do sexo masculino (45,65%).
Entretanto estes resultados não são
estatisticamente significativos. Já os
indivíduos do grupo controle apresentaram
maior índice de disacusia no sexo masculino
(55,55%) do que no sexo feminino (44,45%). Estes
achados concordam com a literatura pesquisada
no que diz respeito a não ter sido encontrado
nenhum estudo que comentasse sobre o comprometimento
auditivo em relação ao sexo.
| Tab.5
Número e porcentagem de orelhas
com disacusia e normais em função
da faixa etária
no
grupo de hipertensos e no grupo
controle.
|
|
Faixa
Etária |
Hipertensos
|
Grupo
Controle |
|
Disacusia
|
Normal
|
Disacusia
|
Normal
|
| n°
|
%
|
n°
|
%
|
n°
|
%
|
n°
|
%
|
| 35
a 45 anos |
4
|
8,70
|
2
|
50,00
|
1
|
11,11
|
15
|
36,59
|
| 46
a 55 anos |
14
|
30,43
|
2
|
50,00
|
2
|
22,22
|
14
|
34,15
|
| 56
a 65 anos |
28
|
60,87
|
0
|
0,00
|
6
|
66,67
|
12
|
29,26
|
| TOTAL
|
46
|
100,00
|
4
|
100,00
|
9
|
100,00
|
41
|
100,00
|
QUI
QUADRADO x² = 67,053 * (5%) x² = 7,81
Fonte:
Dados colhidos pela autora.
Fig. 5 - Representação
gráfica de orelhas com disacusia e normais
em função da faixa etária
no grupo de hipertensos e no grupo controle.
 |
| |
Hipertensos
disacusia |
| |
Hipertensos
normal |
| |
Grupo
Controle disacusia |
| |
Grupo
Controle normal |
|
| |
35
a 45
|
46
a 55
|
56
a 65
|
|
|
Faixa Etária
|
De
acordo com a Tab. e Fig. 5, o índice de
disacusia em indivíduos hipertensos é
bem menor no grupo I (35 a 45 anos), com porcentagem
de 8,70% de indivíduos; em segundo lugar
está o grupo II (46 a 55 anos), com índice
de 30,43% e em terceiro lugar, com maior concentração
de indivíduos, está o grupo III
(56 a 65 anos), apresentando índice de
60,87%.
O
fato de haver maior concentração
de indivíduos hipertensos no grupo III
(com faixa etária entre 56 e 65 anos) pode
ser justificado pelo fato da hipertensão
tornar-se mais freqüente com o avanço
da idade. Estes achados concordam com os de BURGESS
(1999) e com os dados colhidos pela Organização
Mundial da Saúde, quando afirmaram que
o risco de hipertensão arterial aumentava
com o avanço da idade.
Entretanto,
na literatura compulsada também foi possível
verificar estudos como o de BARRETO et al.
(1996), que afirmaram que o número de indivíduos
hipertensos não aumentava com a idade.
Como não foram aplicados testes estatísticos,
estes achados não foram confirmados neste
estudo, sugerindo que a hipertensão pode
ser influenciada pela idade. Acredita-se que o
avanço da idade, o qual acarreta mudanças
físicas e uma variada quantidade de emoções,
sentimentos e reações devido à
aposentadoria, afastamento da vida social, isolamento
e diminuição da independência
pessoal, pode ocasionar efeitos secundários
como a hipertensão arterial.
Estes
achados concordam com os de TACHIBANA et al.
(1984), COLAFEMINA & GRELLET (1985) e BROHEM
et al. (1996) que atribuíram esta
perda auditiva encontrada nos indivíduos
hipertensos à idade avançada dos
pacientes. Entretanto, estes resultados discordam
dos de ROSEN et al. (1962) apud
TACHIBANA et al. (1984) que apontaram que
a idade não é o principal causador
de perdas auditivas e que a hipertensão
arterial é a causa mais provável
das perdas.
Além
disso, na Tab. e Fig. 5 foi encontrado no grupo
I (35 a 45 anos) disacusia em 4 indivíduos
hipertensos, o que corresponde a 8,70% dos indivíduos.
Estes resultados discordam de COLAFEMINA &
GRELLET (1985), que afirmaram em seus estudos
que a disacusia se acelera com o avanço
da idade.
Pode-se
ainda observar na Tab. e Fig. 5, que a porcentagem
de indivíduos do grupo controle com disacusia
é maior no grupo III (56 a 65 anos) com
índice de 66,67% do que no grupo II (46
a 55 anos) com 22,22% e no grupo I (35 a 45 anos),
o qual apresentou apenas uma ocorrência
de disacusia com índice de 11,11%.
Novamente
pode-se afirmar que o alto índice de disacusia
encontrado nos indivíduos hipertensos,
quando comparados com os indivíduos do
grupo controle, é bastante significativo
e foi observado ao se verificar a variabilidade
de perda auditiva nos indivíduos tanto
em função do sexo quanto em função
da faixa etária. Estes resultados comprovam
a existência de uma possível relação
entre hipertensão arterial sistêmica
e disacusia. Acredita-se que a hipertensão
arterial aumenta a probabilidade do indivíduo
de desenvolver uma alteração auditiva.
Os
achados deste estudo comprovam que há uma
possível relação entre hipertensão
arterial sistêmica e disacusia. Entretanto,
não pode ser descartado a hipótese
de fatores associados à hipertensão
aumentarem o comprometimento auditivo. Fatores
como a idade, stresse, depressão e exposição
a ruídos podem perfeitamente influenciar
em um possível problema de audição.
Diante
da grande incidência de indivíduos
hipertensos no mundo, como afirmado nos estudos
de ROCHA & TEIXEIRA (1993), OPARIL (1995),
MACHADO (1996) e NOBRE (1996), e da grande ocorrência
de disacusia em hipertensos, está demonstrada
a importância da avaliação
da audição nesta população,
buscando o diagnóstico precoce.
Tendo
como verdade que o índice de hipertensão
arterial, poluição sonora, estresse
e depressão na sociedade estão aumentando,
é preciso que todos os indivíduos
lutem por uma boa saúde geral, evitando
assim, transtornos para que se tenha uma vida
saudável.
| Tab.
6 Características dos indivíduos
hipertensos
em
função dos sintomas
|
| Sintomas
|
n°
|
%
|
| Vertigem
|
21
|
84,00
|
| Fobias
|
21
|
84,00
|
| Zumbido
|
19
|
76,00
|
| Escurecimento
da visão |
19
|
76,00
|
| Depressão
|
15
|
60,00
|
| Sudorese
|
14
|
56,00
|
| Palidez
|
13
|
52,00
|
| Taquicardia
|
12
|
48,00
|
| Dificuldade
de compreensão da fala
|
11
|
44,00
|
| Problema
de audição |
9
|
36,00
|
| Cefaléia
|
8
|
32,00
|
| Ansiedade
|
8
|
32,00
|
| Pressão
no ouvido |
7
|
28,00
|
| Insônia
|
6
|
24,00
|
| Vômitos
|
5
|
20,00
|
Fonte:
Dados colhidos pela autora.
Fig.
6 - Representação
gráfica das características dos
indivíduos em função dos
sintomas

Sintomas
|
|
vertigem |
| |
fobias |
| |
zumbido |
| |
escureccimento
da visão |
| |
depressão |
| |
sudorese |
| |
palidez |
| |
taquicardia |
| |
dificuldade
de compreensão da fala |
| |
problema
de audição |
| |
cefaléia |
| |
ansiedade |
| |
pressão
no ouvido |
| |
insônia |
| |
vômitos |
Através
da Tab. e Fig. 6, podem ser observados os sinais,
sintomas e queixas mais presentes nos indivíduos
portadores de hipertensão arterial sistêmica.
As queixas encontradas com maior freqüência
foram: vertigem e fobia (84%), zumbido e escurecimento
da visão (76%), depressão (60%),
sudorese (56%), palidez (52%), taquicardia (48%),
dificuldade de compreensão da fala (44%),
problema de audição (36%), cefaléia
e ansiedade (32%), sensação de pressão
no ouvido (28%), insônia (24%) e vômitos
(20%). Estas queixas concordam com as encontradas
nos estudos de COLAFEMINA & GRELLET (1985),
DEKA (1986) apud BROHEM et. al (1996) e
BROHEM et al. (1996). Entretanto há
autores como CLAUSSEN & CLAUSSEN (1986) apud
BROHEM et. al (1996) e SISMANIS & SOMKER (1994)
que encontraram em seus estudos, uma maior incidência
de queixas relacionadas a zumbido.
| Tab.
7 Perfil audiométrico de
indivíduos hipertensos |
|
DB
|
0,25KHz
|
0,50KHz
|
1KHz
|
2KHz
|
3KHz
|
4KHz
|
6KHz
|
8KHz
|
| n°
|
%
|
n°
|
%
|
n°
|
%
|
N°
|
%
|
N°
|
%
|
n°
|
%
|
n°
|
%
|
N°
|
%
|
| <
25 |
42
|
84,0
|
44
|
88,0
|
39
|
78,0
|
32
|
64,0
|
27
|
54,0
|
16
|
32,0
|
10
|
20,0
|
11
|
22,0
|
| >
25 |
8
|
16,0
|
6
|
12,0
|
11
|
22,0
|
18
|
36,0
|
23
|
46,0
|
34
|
68,0
|
40
|
80,0
|
39
|
78,0
|
| TOTAL
|
50
|
100,0
|
50
|
100,0
|
50
|
100,0
|
50
|
100,0
|
50
|
100,0
|
50
|
100,0
|
50
|
100,0
|
50
|
100,0
|
Fonte:
Dados colhidos pela
autora.
Fig. 7
- Representação gráfica
do perfil audiométrico de indivíduos
hipertensos.
 |
| |
menor
que 25 dB |
| |
|
| |
igual
ou maior que 25 dB |
| |
|
|
A
Tab. e Fig. 7 mostram em quais freqüências
a audição é mais comprometida.
Pode-se notar que há uma discrepante diferença
entre o limiar auditivo dos indivíduos
hipertensos nas freqüências analisadas
que variam de 0,25 a 8 KHz, estando as freqüências
agudas mais comprometidas que as graves. As freqüências
que apresentaram maior rebaixamento auditivo foram:
4KHz (68%), 6KHz (80%) e 8KHz (78%). O maior déficit
auditivo está nas freqüências
agudas, concordando com as pesquisas realizadas
por COLAFEMINA & GRELLET (1985) e DEKA (1986)
apud BROHEM et al. (1996).
|