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.:: A DISFUNÇÃO TUBÁRIA E OTITES – SUAS IMPLICAÇÕES NO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM

Autora: Fga. Cynthia Meira de Almeida Godoy
e-mail:
godoy@digi.com.br

DIAGNÓSTICO E CARACTERÍSTICAS AUDIOLÓGICAS:

O diagnóstico da otite média ou da disfunção da tuba auditiva é realizado pela anamnese, exame otorrinolaringológico auxiliado pela audiometria e imitanciometria.

A otite surge de forma insidiosa e na otite média secretora a sintomatologia mais relatada pelos pacientes é ouvido tapado a princípio, ou seja, sensação de autofonia.

A suspeita de algum problema no ouvido médio em crianças são as queixas freqüentes dos pais e dos professores, com relação a distração ou desatenção; uso de aparelhos de som ou de televisão em alta intensidade; troca de letras; baixo rendimento escolar e dificuldade na socialização.

Numa pesquisa realizada em 1998 por Longone, Fávero, Santos, Cruz Filho, Borges e Costa com 50 crianças que apresentavam alterações respiratórias e em geral não apresentavam queixas auditivas, foi observado que perdas condutivas, mesmo que leves, podem levar ao abafamento do som prejudicando a qualidade auditiva da criança, onde ela tem dificuldade para ouvir e de perceber a riqueza dos detalhes que a informação sonora pode trazer.

Segundo Hungria (1991), qualquer queixa dos pais e professores sobre esses aspectos o 1o passo é encaminhar essas crianças para esclarecimento diagnóstico e tratamento adequado.

O padrão audiológico mostra uma perda condutiva de grau leve à moderado, mas quando inicial, o indivíduo pode apresentar uma audição normal, porém com pressão negativa no ouvido quando realiza a imitanciometria, ou seja, curva tipo C. A curva tipo B também é encontrada.

A configuração audiométrica pode mudar de acordo com a evolução da doença. Inicialmente, com uma pressão negativa reduzida no ouvido a membrana timpanica e a cadeia ossicular podem tornar-se rígidas e nesse estágio a perda pode ser ascendente com perda maior nas freqüências baixas do que nas altas. Porém, quando já existe acúmulo de líquido no O.M., a sensibilidade para freqüências altas diminuem devido a grande quantidade de massa e a curva se mostra horizontal.

A via óssea (V.O.) geralmente se encontra dentro dos padrões da normalidade. Porém, dependendo da duração e severidade da doença um componente neurossensorial pode está presente e a curva audiométrica pode ser horizontal ou descendente.

A perda auditiva neurossensorial geralmente ocorre nos casos de otite quando o paciente apresenta formas mais graves de otite média crônica. Acredita-se que os produtos tóxicos dos líquidos podem passar através da janela redonda e danificar a cóclea. O dano auditivo produz perda neurossensorial nas freqüências altas. Logo, quanto mais tempo o líquido permanecer no ouvido médio, maior potencial de comprometimento neurossensorial.

A inteligibilidade de fala esta dentro dos limites da normalidade.

Na imitanciometria os reflexos estão ausentes quando a cadeia ossicular e membrana timpânica torna-se rígida.

TRATAMENTOS:

O tratamento realizado por Butugan (1990) consiste em aeração do O.M., drenagem do líquido na caixa do tímpano e tratamento da infecção de vizinhanças e no terreno alérgico.

Na cura da otite média serosa/secretora é impossível prever se a otite vai ou não evoluir para a cura espontânea .

Para Hungria (1991), a recuperação espontânea da otite secretora pode levar até vários meses e implicaria, principalmente se o problema é bilateral, em problemas auditivos prejudiciais a criança em idade escolar.

A cirurgia muitas vezes é indicada para que o quadro se reverta o mais rápido possível, principalmente em crianças, para que elas não sejam prejudicadas em seu desenvolvimento escolar/social.

Num trabalho realizado por Nóbrega (1998) e apresentado no VIII CONGRESSO BRASILEIRO DE FONOAUDIOLOGIA , em Natal, intitulado "Influência das otites médias na aprendizagem" , foi relatado grande incidência de otite média nas crianças na consulta pediátrica, onde nos E.U.A. o atendimento de crianças com otite aumentou de 10 milhões em 1975 para 20 milhões em 1990. Os custos são altos no tratamento dessas crianças, porém a doença da otite não se limita aos sintomas de febre/dor e uso de antibióticos.

Como foi comentado antes, a otite pode trazer perda auditiva temporária e os dois primeiros meses, época de maior incidência das otites, existe uma plasticidade neural da via auditiva. Logo, se a criança for estimulada ela desenvolverá uma riqueza de conexões neurais. Em contra partida, se sofre privações, devido a doença no ouvido médio, ela poderá ter seu desenvolvimento comprometido

 

         
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