.::
A DISFUNÇÃO
TUBÁRIA E OTITES – SUAS IMPLICAÇÕES NO
DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM
Autora: Fga. Cynthia
Meira de Almeida Godoy
e-mail: godoy@digi.com.br
INTRODUÇÃO:
Sabemos que
a tuba auditiva é um canal virtual que comunica a nasofaringe
ao orelha média. Sua função, além
de proteção e limpeza, é equilibrar a
pressão da orelha média com a pressão
atmosférica.
Essa função
é essencial para o bom funcionamento da orelha média
na transmissão do som através dos ossículos.
A obstrução
ou mau funcionamento da tuba pode levar a infecções
na orelha média e perda auditiva temporária,
onde essa perda pode ser prejudicial à criança
tanto na escola como socialmente.
A disfunção
tubária e a otite média são patologias
comuns na nossa prática clínica. A sua incidência
em crianças pode ser explicado devido a imaturidade
do funcionamento da musculatura da tuba auditiva e horizontalização
da mesma, o que facilita a passagem de secreções
e partículas de alimentos para a orelha média.
Como audiologistas,
muitas vezes, não paramos para pensar que seqüelas
essas patologias podem trazer para o paciente, principalmente
crianças nos primeiros anos de vida, onde o funcionamento
da audição é primordial para o desenvolvimento
da linguagem e fala.
Pensando
nisso é que começamos a refletir o quanto a
otite média poderia influenciar na linguagem da criança
e como médicos e audiologistas atuavam na sua prática
diária.
Será
que após o resultado de um exame, onde diagnosticamos
presença de otite média ou disfunção
tubária prevenimos os pais sobre as seqüelas que
podem acontecer e o que eles podem fazer para que a perda
auditiva, mesmo que temporária, não prejudique
o desenvolvimento do seu filho?
Estamos
preparados para realizarmos uma avaliação audiológica
mais global, onde o paciente seja visto não só
como portador de uma otite média, e sim alguém
que tem um problema na audição em um período
crítico, onde a percepção auditiva é
primordial para o seu desenvolvimento de linguagem?
Como os otorrinolaringologistas
e fonoaudiólogos podem intervir para que as otites
sejam diagnosticadas o mais precocemente possível?
Para responder
ou pelo ao menos ajudar a entender melhor essas dúvidas,
foi realizado um levantamento bibliográfico mostrando
a anatomia, fisiologia e fatores que influenciam o funcionamento
da tuba, a incidência das otites, o diagnóstico
e características audiológicas, os tratamentos
das otites e a influência da disfunção
tubária e otites no desenvolvimento da linguagem e
cognição.
DISCUSSÃO
TEÓRICA:
A
tuba auditiva, apesar de não está situada no
ouvido médio, apresenta a mesma origem e unidade morfofuncional
com a cavidade timpânica. O seu diâmetro no adulto
é de 1 a 2mm, mas na criança é mais largo
e mais horizontalizado, onde em relação ao adulto
possui uma porção cartilaginosa mais curta e
menos rígida.
É
um tubo achatado a partir da parede anterior da cavidade timpânica,
abrindo-se na parede lateral da nasofaringe com um comprimento
aproximado de 37mm. A parte óssea (protímpano)
é mais curta e situada no rochedo e a parte cartilaginosa
perfaz 2/3 do comprimento total. A transição
entre a parte óssea com a cartilaginosa, onde a tuba
é mais estreita, é chamada de istmo e funciona
como uma válvula.
Usualmente
a tuba é fechada e se abre durante a deglutição,
bocejo, espirro, permitindo que a pressão de ar do
ouvido médio se equilibre com o ar atmosférico.
Esse mecanismo de abertura é muscular e envolve porção
cartilaginosa. Quando em repouso, gases são absorvidos
dentro dos tecidos circundantes do ouvido médio, e
cria uma ligeira pressão negativa no mesmo.(Ruben 1983).
A abertura
da tuba auditiva ocorre através da constricção
do tensor do véu palatino, onde o feixe medial do tensor
do véu é responsável pela abertura da
tuba e é chamado de músculo dilatador da tuba,
porque na sua contração ocorre deslocamento
da parede lateral no sentido latero-inferior.
O músculo
elevador do véu tem uma ação passiva
na abertura da tuba.
Albernaz;
Ganança; Fukuda (1997) relatam que a tuba se torna
permeável a entrada do ar quando há contração
dos músculos elevador e tensor do tímpano, que
diminuem o comprimento e aumentam o seu diâmetro .
As 3 funções
fisiológicas importantes para orelha média,
realizada pela tuba auditiva, é a proteção
contra pressão e secreção; limpeza e
ventilação para equilibrar a pressão
dentro do ouvido.
Essa função
de ventilação, chamada de pneumática,
parece ser a mais importante, pois uma ventilação
deficiente contribui para o desenvolvimento da maioria das
otites médias. Além disso, o equilíbrio
de pressão do ouvido médio com a pressão
atmosférica é necessário para transmissão
do som.
A função
da tuba auditiva é menos eficiente nas crianças
pequenas do que nas crianças mais velhas e adultos,
talvez, porque a parede da trompa nas crianças seja
mais frouxa e por isso, mais susceptível de perda auditiva,
criando obstrução funcional. (Paradise 1980
e Bluestone & Cantekin 1979).
Essa pressão
negativa da O.M. temporária pode levar a uma obstrução
ou colapso da tuba. Se a trompa se encontra fechada começa
a reabsorção de oxigênio e logo dos demais
componentes. Isso diminui a pressão endotimpânica,
sendo então o tímpano, tencionado para dentro,
pela pressão atmosférica, podendo aparecer o
extravasamento de líquidos. (Tato 1964; Jerger &
Jerger 1989).
Quando o fechamento
da tuba auditiva é transitório a obstrução
da tuba é aguda, porém, se for uma obstrução
mais prolongada a obstrução é crônica
( Thompson; Zubizarreta; Bertelli; Campos 1975).
A função
anormal da Trompa de Eustáquio pode levar a surgimento
da otite. Logo, saber a natureza exata desta disfunção
exige um conhecimento do sistema constituído pelo palato,
cavidade nasal, nasofaringe, trompa de eustáquio, ouvido
médio e as células aéreas da mastóide
( Bluestone 1981)
Quando se aplica
uma pressão negativa súbita no ouvido médio,
como ocorre nas mudanças rápidas de pressão
atmosférica na descida de um avião ou mergulho,
a tuba pode ficar obstruída e impedir a passagem de
ar. Do mesmo modo, se existe uma pressão negativa na
parte da nasofaringe de uma tuba altamente complacente o fechamento
da mesma também pode ocorrer.
Bluestone (1981)
suspeita que quando a função da tuba é
ineficiente o colapso da parede permanece. Neste caso, o intervalo
entre as aberturas dependerá do estabelecimento de
uma pressão gradiente entre a cavidade do O.M. e a
nasofaringe que ajudará passivamente no seu funcionamento.
Esse gradiente é alcançado justamente pela absorção
de gás do O.M., que comentamos anteriormente, que resulta
em uma pressão negativa.
Esse tipo de
regulagem de pressão parece ser muito comum em crianças,
porque tem sido identificado pressões negativas moderadas
e elevadas no O.M. por meio da timpanometria em muitos que
eram aparentemente normais.
Para Bess
e Humes (1998) a otite média, que pode ser causada
inicialmente pelo mau funcionamento da tuba, é considerada
um problema econômico e de saúde importante,
devido a sua prevalência, ao seu custo de tratamento,
e ao potencial de complicações não médicas
a longo prazo.
A otite geralmente
é classificada de acordo com a duração
do processo inflamatório. A otite média aguda,
por exemplo, normalmente passará em todos os seus estágios
de evolução em um período de 3 semanas.
A doença começa com um início rápido
e persiste por 1 semana ou 10 dias. Os sintomas que acompanham
a O.M.A. incluem abaulamento, menbrana timpânica avermelhada,
dor e infecção das vias aéreas superiores.
Se essa doença persistir por 3 meses ou mais ele é
chamada de otite média crônica. Os sintomas nesta
otite incluem grande perfuração central do tímpano
e secreção de líquido através
da perfuração. A otite subaguda é quando
a otite aguda persiste além do seu estado agudo, mas
ainda não se tornou crônica.
A otite também
pode ser classificada de acordo com o tipo de líquido
que é observado pelo médico na cavidade da orelha.
Se purulento ou supurativo, ele conterá glóbulos
brancos, algum resíduo celular e muitas bactérias.
Esse tipo de otite média aguda pode ser chamada de
otite média purulenta. Quando não possui resíduo
celular e bactéria é descrito como seroso, e
o termo utilizado neste caso é otite média serosa.
Quando o líquido é mucóide (espesso,
globulos brancos e poucas bactérias e algum resíduo
celular) a otite é mucóide .