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Audiologia em Berçário
Autora:
Gercélia Ramos
Data do artigo: 13/04/2001
Desenvolvido no sétimo período da UNIPÊ - Centro Universitário
de João Pessoa
EMISSÕES
As
EOA foram primeiramente relatadas por KEMP, em 1978, que descobriu
que o ouvido interno (células ciliadas externas) de pessoas
com audição normal tem a capacidade de reemitir
a energia sonora (eco) em direção ao ouvido externo
quando estimulado por um som.
Esse eco ou EOA
pode ser captado por um microfone acoplado a uma sonda colocado
no conduto auditivo externo. As EOA avaliam a integridade coclear.
Assim, foi criado
em 1988 o ILO88, aparelho capaz de medir as EOA, atualmente
reconhecido pela Federation of Drug Administration (FDA).
Atualmente, são vários os aparelhos que permitem
a realização deste exame. Essa metodologia é
própria para realização da Triagem Auditiva
Neonatal Universal, pois é simples, rápida (média
de 5 minutos), objetiva tanto na obtenção quanto
na interpretação de suas respostas sendo realizado
em qualquer faixa etária, sensível, não-invasiva,
dispensando a utilização de sedativos e o uso
de eletrodos e de baixo custo.
A EOA é
realizada da seguinte forma: um microfone e um gerador de estímulos
em miniatura são acoplados a sonda que é colocada
no conduto auditivo externo do paciente. Um estimulo sonoro,
geralmente clique, é emitido em direção
ao ouvido médio e ouvindo interno. Ao receber o estimulo
a cóclea emite eco em direção inversa,
no sentido do ouvido médio e ouvido interno. O microfone
capta as respostas evocadas apos a apresentação
do estimulo. As respostas são coletadas, ampliadas e
filtradas durante várias repetições dos
estímulos apresentados e finalmente promediadas (KEMP
e colaboradores, 1990). O produto final desse processo é
o registro das EOAE.
É aconselhável
testar o neomato apos ter sido alimentado, de preferência
dormindo. Qualquer movimento pode deslocar a sonda colocada
no conduto auditivo promovendo interferências de artefatos.
A testagem deve ocorrer em local tranqüilo e silencioso,
de preferência em sala anexa ao berçário,
necessitando, ainda, colocar o neonato dentro de uma isolete
desligada para melhor vedação do ruído
externo.
Em nosso país,
recentes pesquisas com este novo procedimento de avaliação
audiológica vem sendo realizada desde a década
de 90, detectando não somente perdas auditivas neurossensorial,
mas também identifica as perdas condutivas.
As vantagens
da EOA são: a instabilidade, a rapidez na obtenção
das respostas sendo também a única técnica
não-invasiva disponível para avaliar a integridade
coclear ou pré-neural. Porém este teste não
dá informações sobre o limiar auditivo
do paciente apresentando apenas ausência ou presença
de respostas.
Alguns estudiosos
relataram que em recém-nascidos com audição
normal, as emissões apresentam-se significativamente
com uma amplitude mais elevada que nos adultos, sugerindo que
isto possa estar relacionado ao volume do meato acústico
externo, que é menor na criança (BRAY & KEMP,
1987; KEMP; RYAN; BRAY, 1990, PARRADO, 1994)
A falha na identificação
precoce de perdas auditivas é um problema de saúde
pública no Brasil. O resultado desse atraso leva uma
demora na intervenção clínica apropriada.
Os métodos
de avaliação neurofisiológicos são
os mais recomendados nesse período por apresentarem resultados
objetivos e não necessitarem da cooperação
do paciente.
Devemos começar
a definir estratégias em nossas unidades neonatais de
testagem auditiva, adequando-as às suas características
e peculiaridades individuais.
Claramente, a
triagem auditiva irá aumentar o numero de bebes identificados
com surdez. Programas de intervenção devem estar
integrados aos programas de identificação.
Convém
ainda ressaltar que nem toda DA está presente ao nascimento
e que um considerável numero de crianças desenvolvem
uma perda auditiva durante os primeiros anos de vida, decorrente
de uma etiologia hereditária progressiva ou adquirida.
Também, os casos mais raros de deficiências auditivas
de origem centrais, mas que possuem integridade do sistema auditivo
periférico, somente serão diagnosticados mais
tardiamente.