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Audiologia em Berçário
Autora:
Gercélia Ramos
Data do artigo: 13/04/2001
Desenvolvido no sétimo período da UNIPÊ - Centro Universitário
de João Pessoa
Triagem Eletrofisiológica
BERA
A
Audiometria de Tronco Cerebral (BERA) avalia a condução
eletrofisiológica do estímulo auditivo da porção
periférica até o Tronco Cerebral. Com a evolução
tecnológica, surge o aparelho de BERA automático,
tornando este método mais rápido e adequado para
a triagem auditiva neonatal.
Tanto as EOA
quanto o BERA possuem bons índices de sensibilidade e
especificidade. Os 2 exames complementam-se no momento do diagnóstico
audiológico.
Para a triagem
de recém-nascidos, o BERA, apresenta vantagens como:
o uso de estímulos menos intensos, próximo ao
limiar, tornando possível detectar formas mais leves
de deficiência auditiva; a capacidade de detectar perdas
auditivas unilaterais e bilaterais e o uso de uma medida fisiológica
que depende de uma resposta sensorial. As limitações
da técnica incluem o custo e a natureza sofisticada da
instrumentação.
Uma criança
que não passa na triagem do BERA no berçário
de terapia intensiva deve ser retestada posteriormente sob condições
mais favoráveis.
Desta forma,
avalia-se a integridade neural das vias auditivas, da sua porção
periférica até o tronco cerebral, detectando perdas
auditivas leves a profundas, unilaterais ou bilaterais.
Além do
aspecto auditivo, este exame nos dá informação
sobre a condução do estimulo apresentado avaliando
assim a maturidade neurológica do neonato, pelo tempo
de latência de suas respostas.
Alguns agravantes
podem estar associados as alterações nos resultados
do BERA, são eles:
- Ruído da UTI neonatal
e da incubadora
- Insuficiência renal
- Alterações
de OM, em 10% a 30% dos neonatos, que podem ser causadas
por: sepsis, uso de ventilação mecânica
e posição de supino prolongada, redução
da atividade de sucção e fatores anatômicos
próprios (normais) da tuba auditiva dos pré-termos.
(BALKANY e colaboradores)
- A alteração
da temperatura, ou seja, hipertermia pode encurtar as latências
e a hipotermia, prolonga-las. É indicado que desligue
a isolete, se possível, para minimizar as interferências
dos ruídos. (HALL e colaboradores)
- HECOX e CONE (1981) observaram
que alterações do BERA podem ocorrer devido
a asfixia, hiperbilirrubinemia e hidrocefalia. Estas podem
ser transitórias e esses neonatos devem ser acompanhados.
Há opiniões
diversas sobre a latência da onda I em neonatos.
Segundo HECOX e GALAMBOS, em um estudo clinico pioneiro em crianças
e adultos, demonstraram que as latências variam com a
idade e as ondas I e V atingem sua maturidade por volta dos
2 e 18 meses de idade, respectivamente. EGGERMONT (1985) constatou
que o amadurecimento das respostas não é linear,
ocorrendo um grande encurtamento das latências do pré-termo
até 40s e um encurtamento mais lento das 40s até
os 18meses. GOLDSTEIN e colaboradores (1979) relatam que a onda
I em neonatos podia ser de 0,3 a 1 ms maior que a dos adultos
e SCHWARTZ e colaboradores (1989) não observaram diferenças
entre as latências de pré-termos e adultos.
STARR e colaboradores
(1977) observam que a amplitude da onda I em neonatos
pode ser até duas vezes maio do que em adultos.
Por existir muita
variabilidade nas respostas dos neonatos pré-termos e
na maioria das vezes trata-se de recém-nascidos com quadro
clinico muito instável, é aconselhável
realizar a triagem auditiva próxima a alta hospitalar,
para minimizar a influencia da imaturidade.
Em relação
ao sexo, estudos em neonatos apresentam opiniões
variadas. JERGER e HALL (1980) demonstram que o encurtamento
nas latências das mulheres pode ser de 0,12 a 0,30ms.
STOCKARD e colaboradores (1979) não encontram diferenças
entre os neonatos enquanto que COX e colaboradores (1982) obtiveram
latências menores para os neonatos do sexo feminino.
Para a realização
deste exame, a pele deve ser limpa com creme abrasivo próprio
e os eletrodos são colocados em contato com a pele por
meio de pasta ou gel condutor, fixo na fronte ou na linha médio
do cabelo.
É aconselhável
que se realize o exame durante o sono, em horários de
mamada, evitando-se, o quanto possível, o uso de anestésicos
e sedativos. A sala da avaliação deve ser acusticamente
tratada e silenciosa, porem, como isso é quase impossível
em UTI, procura-se fazer a testagem em horário de menor
movimento.
Apesar do BERA
ser um método objetivo, não-invasivo e de grande
valia para avaliação auditiva em neonatos, devem
ser consideradas algumas limitações tanto na sua
utilização como na interpretação
dos dados obtidos. GAUTHAM & NARANG (1991) enumeraram algumas
limitações da audiometria do tronco encefálico
como instrumento diagnostico:
- O BERA não avalia
as freqüências graves, especialmente 1.000Hz,
não diagnosticando perdas auditivas condutivas em
baixas freqüências.
- Este exame avalia somente
regiões auditivas no tronco encefálico sendo
que as desordens auditivas de origem central subcorticais
e corticais necessitam ser investigadas por potenciais de
média e longa latência, que sofrem influência
de vigília e drogas.
- Não há técnicas
uniformes e, tanto os protocolos como os critérios
de anormalidade, variam de laboratório para laboratório.
- A interpretação
dos resultados requer dados normativos e muita experiência.
- O teste de longa duração
e o equipamento é caro. O ambiente do teste deve
ser livre de interferências acústicas e elétricas.
- As respostas elétricas
do tronco encefálico anormais no período neonatal
são geralmente transitórias e muitas crianças
anormais passam a serem normais no seguimento; e a resposta
elétrica do tronco encefálico normal ao nascimento
não exclui um desenvolvimento auditivo atrasado.
Devido a estas limitações, qualquer criança
que tenha uma audiometria do tronco encefálico alterada
deve, no seguimento, ser submetida a audiometria convencional
para melhor compreensão do quadro audiológico.
Assim, se faz
necessário um estudo longitudinal em neonatos normais
e de risco, muito bem sistematizado, utilizando-se o mesmo equipamento
e a mesma metodologia de avaliação, para se estabelecer
dados da audiometria do tronco encefálico de real validade
prognostica.