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.:: Audiologia em Berçário

Autora: Gercélia Ramos
Data do artigo: 13/04/2001
Desenvolvido no sétimo período da UNIPÊ - Centro Universitário de João Pessoa

Triagem Auditiva Comportamental

A técnica da audiometria comportamental tem sido amplamente empregada e recomendada por vários autores (EWING & EWING, 1944; LITCHIG & WELL, 1980; HODGSON, 1985; LEWIS, 1987; RUSSO & SANTOS, 1989; NORTHERN & DOWNS, 1991; AZEVEDO, 1991; AZEVEDO, 1993). Embora haja concordância atualmente de que ela não é a melhor técnica para a avaliação do neonato sua simplicidade de aplicação e baixo custo, colaboram para que esta seja a técnica de eleição em muitos serviços de neonatologia.

A Triagem Auditiva Comportamental é um instrumento para a avaliação de aspectos da acuidade auditiva e do processamento auditivo em neonatos e crianças pequenas. Podemos observar respostas comportamentais a estímulos sonoros, onde o neonato reage aos sons por meio de respostas reflexas e automáticas inatas.

Essa testagem tem uma série de limitações, onde sua abordagem geralmente identificará somente crianças com formas mais graves de perda auditiva. Além disso, devido ao uso do campo livre, é possível que a perda auditiva neurossensorial unilateral não seja detectada.

Para a realização dessa triagem, algumas variáveis precisam ser controladas: o estimulo sonoro (tipo, tempo de duração e tempo de intervalo), o estado do bebê no momento da avaliação e variáveis externas (temperatura do ambiente, luz, ruído ambiental).(LEWIS, 1996)

Segundo AZEVEDO (1991), esse tipo de triagem utiliza sons de espectro amplo e não calibrados, pode ser realizada a partir de estímulos sonoros, produzidos por instrumentos como: guizo, sino, black-black e agogô (campânula grande), apresentando níveis de intensidade em torno de 70dB a 100dB pois os neonatos não reagem a sons de intensidade inferior a 70dB.

O teste deve ser realizado, preferencialmente, em ambiente silencioso. Os estímulos devem ser apresentados em ordem crescente de intensidade, no plano lateral a distância de 20cm do pavilhão auricular da criança com dois segundos de duração mantendo-se um intervalo de 30 segundos entre as apresentações. O bebê deve estar em repouso, no berço.

Um aparelho chamado Crib-O-Gram, que é composto por um transdutor sensível ao movimento, é fixado no berço para detectar as respostas motoras do bebê a apresentações de ruído de nível intenso.

De acordo com AZEVEDO (1991), as respostas mais freqüentes observadas em neonatos seriam:

1. Respostas reflexas e/ou automatismos inatos:

î Reflexo cócleo-palpebral (RCP) – contração do músculo orbicular do olho que pode ser observada pela movimentação palpebral.

î Reação de sobressalto (Startle) – reação corporal global, podendo aparecer como reação de Moro (completo ou incompleto) ou como um estremecimento corporal com movimentação súbita de membros.

2. Atenção ao som: respostas indicativas de atenção ao som, tais como parada de atividade ou de sucção, abrir a rima palpebral, movimentos faciais como o franzir da testa ou o elevar das sobrancelhas.

3. Procura da fonte sonora: considerada quando a criança busca a direção da fonte sonora, olhando ao redor, sem, entretanto, localiza-la corretamente.

4. Localização lateral: quando a criança volta a cabeça ou o olhar imediatamente em direção a fonte sonora.

5. Localização dos sons para baixo: quando a criança localiza a fonte sonora situada 20cm abaixo do pavilhão auricular no plano lateral.

6. Localização de sons para cima: quando a criança localiza a fonte sonora situada 20cm acima do pavilhão auricular no plano lateral

É importante lembrar que, a evolução da habilidade de localização da fonte sonora aumenta com a idade cronológica e maturação neurológica. (ANEXO)

 

 

 

           
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