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A
VISÃO DA FONOAUDIOLOGIA NA EQUOTERAPIA
O uso do cavalo como instrumento facilitador na fonoaudiologia
Autora:
Fga: Tatiana Lermontov
CRFa 8331-RJ
Email: tlermontov@urbi.com.br
Tatiana Lermontov é Fonoaudióloga formada pela
Universidade Estácio de Sá, 1996; Equoterapeuta
formada pela ANDE - Brasil, 1999; Pós-Graduada em Educação
e Reeducação Psicomotora pela Universidade Estadual
do Rio de Janeiro, 2002.
RESUMO
O Fonoaudiólogo é um profissional da área
da saúde que pesquisa, previne, avalia e trata as alterações
da voz, fala, linguagem, audição e aprendizagem.
A Equoterapia é um método terapêutico que
utiliza o cavalo como instrumento de trabalho baseada na prática
de atividades eqüestres e técnicas de equitação.
O artigo tem o objetivo de relatar a visão do profissional
de Fonoaudiologia como membro da equipe de Equoterapia.
INTRODUÇÃO
A Equoterapia é um método terapêutico e
educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar,
nas áreas de Saúde, Educação e Equitação,
buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas portadoras
de deficiência e/ou de necessidades especiais (ANDE, 1999).
O cavalo é utilizado como um meio de se alcançar
os objetivos terapêuticos. Ela exige a participação
do corpo inteiro, de todos os músculos e de todas as
articulações.
O
movimento rítmico, preciso e tridimensional do cavalo,
que ao caminhar se desloca para frente / trás, para os
lados e para cima / baixo, pode ser comparado com a ação
da pelve humana no andar, permitindo a todo instante entradas
sensoriais em forma de propriocepção profunda,
estimulações vestibular, olfativa, visual, auditiva
e cinestésica.
O praticante da equoterapia é levado a acompanhar os
movimentos do cavalo, tendo que manter o equilíbrio e
coordenação para movimentar simultaneamente tronco,
braços, ombros, cabeça e o restante do corpo,
dentro de seus limites. O movimento tridimensional do cavalo
provoca um deslocamento do centro gravitacional do paciente,
desenvolvendo o equilíbrio, a normalização
do tônus, o controle postural, a coordenação,
a redução de espasmos, respiração,
e informações proprioceptivas, estimulando não
apenas o funcionamento de ângulos articulares, como o
de músculos e circulação sangüínea.
Na fonoaudiologia sabemos que para produção da
fala (condução da linguagem) precisamos ter um
tônus postural adequado, padrões normais de movimento,
ritmo, posicionamento correto de cabeça e corpo, controle
respiratório, coordenação fono-respiratória.
O movimento tridimensional do cavalo influencia diretamente
em músculos do controle postural, nos músculos
da cavidade oral, nos músculos da laringe e nos músculos
da respiração. Portanto, temos a ação
direta do cavalo favorecendo na adequação de tônus,
da postura, da sensibilidade, da propriocepção
e da respiração.
Em
paralelo, temos o profissional de fonoaudiologia atuando na
equipe de Equoterapia. Com seus conhecimentos ele vai procurar
adaptar os exercícios da sua área para a sessão
de Equoterapia, de acordo com as necessidades de cada paciente,
aproveitando a estimulação no meio ambiente e
do cavalo, proporcionando uma terapia lúdica e prazerosa.
Os exercícios articulatórios podem ser realizados
desde o momento que se pede ao paciente para jogar um beijo
para o cavalo se locomover, assim como o estalar de língua,
que pode representar o barulho do animal andando. Durante toda
a sessão, usa-se da musicoterapia e das onomatopéias
para estimulação de fala, da linguagem e do eriquecimento
de vocabulário.
Outro aspecto trabalhado pelo profisional da fonoaudiologia
é a Psicomotricidade. O deslocamento do cavalo impõe
ao praticante um movimento doce, ritmado, repetitivo e simétrico.
Para manter o equilíbrio, o tônus muscular deve
adaptar-se alternadamente ao tempo de repouso e de atividade.
Significa reconhecer uma atitude corporal pelo senso postural,
depois reajustar sua posição. Com isso, ele é
conduzido a uma melhor compreensão de seu esquema corporal.
Os
exercícios psicomotores não são um fim
em si mesmos, mas um meio para atingir a integração
do sujeito no meio físico e social, trabalhando a relação
que se estabelece entre a consciência do sujeito e o mundo
que o cerca.
Diversos
exercícios psicomotores podem ser utilizados na Equoterapia
para ajudar na reabilitação.
A
coordenação motora engloba os movimentos amplos,
finos, e a dissociação de movimentos. Já
de início, ao montar o cavalo, estamos trabalhando movimento
amplo e dissociação, pois o praticante tem que
lançar a perna direita por cima do dorso do animal. Jogar
bola, abraçar, pegar na orelha ou no rabo do cavalo,
assim como dar banho e escovar são alguns exemplos para
movimentos amplos e dissociação de movimentos.
Estes últimos são também importantes na
relação afetiva que a criança começa
estabelecer com o animal, proporcionando melhora na auto-estima
e auto-confiança, independência e senso de responsabilidade.
O segurar a rédia com as mãos já estimula
os movimentos finos, como fazer trança e pegar pequenos
objetos presos na crina do cavalo ou então pegar folhinhas
das árvores, visto que o trabalho é feito em ar
live, o que ajuda na moticidade fina.
A estimulação do esquema corporal é feita
na mesma forma do consultório com suas devidas adaptações,
através de nomeação, função
e comparação das partes dos corpo do animal com
o da criança. Posteriormente, consegue-se verificar a
imagem com desenhos, que são feitos sobre a garupa do
cavalo.
A lateralidade também já começa a ser estimulada
quando o praticante monta, pois normalmente subimos pelo lado
esquerdo do animal. Adaptamos basicamente os mesmos exercícios
na Equoterapia. Guiar o cavalo sozinho, por exemplo, já
requer uma noção de lateralidade para que não
se erre o caminho estabelecido pelas terapeutas.
Por ser um trabalho ao ar livre, as precepções
olfativa e auditiva são estimuldas junto a natureza.
O relinchar do cavalo, a buzina do carro e da ferradura do animal,
assim como o cheiro do estrume, da comida, do remédio
são mostrados ao praticante.
Todas as funções intelectivas, como memória,
atenção, análise e síntese, organização
do pensamento, orientação e organização
espacial e temporal, figura-fundo, percepção visual,
relação espacial, coordenação viso-motora,
ritmo, estão sendo estimuldas durante qualquer tipo de
exercício. Dependendo da necessidade de cada praticante,
uma função será mais enfatizada através
de atividades específicas e adaptadas.
Na Equoterapia se faz necessária a integração
de uma equipe transdisciplinar onde é fundamental o conhecimento
sobre a patologia, como também sobre os efeitos da estimulação
advindas do movimento tridimensional do animal no praticante.
É preciso também ter habilidade suficiente para
entender as necessidades deste, facilitando o processo da terapia.
A
Fonoaudióloga, como integrante desta equipe interdisciplinar,
tem sua atuação na avaliação e diagnóstico
do praticante, verificação e encaminhamento para
exames específicos, quando necessário, além
de, juntamente com a equipe, traçar o processo terapêutico,
os planos de sessão específicos da fonoaudiologia,
orientar e informar os pais sobre sua atuação
na equipe, trocar informações entre outros profisionais
da área fonoaudiológica que atendam o praticante
fora do setting equoterápico e fazer reavaliações
constantes.
Todo
trabalho com o ser humano é melhor realizado quando diferentes
profissionais trabalham cada um em sua disciplina, mas com objetivo
geral semelhante, buscando a coesão, a complementação
e o enriquecimento do tratamento. Cabe à fonoaudióloga
utilizar o cavalo como um recurso terapêutico, aplicando
seus conhecimentos para desenvolver uma variedade de benefícios
físicos, mentais, sociais, educacionais e comportamentais.