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UM
MÉTODO DE INVESTIGAÇÃO DOS DISTÚRBIOS DA FALA E VOZ: A
ESPECTROGRAFIA VOCAL, APLICADO A PACIENTES PORTADORES DE FENDA
LÁBIO-PALATAL, COM PARTE DE IMPLANTAÇÃO
DO CENTRO DE DIAGNÓSTICO COMPUTADORIZADO
Autores:
Fga. Leila Horta
CFFa. 1709
II.
Fundamentos e Justificativas
Os
avanços da tecnologia de computação e o
desenvolvimento de softwares e aplicativos permitem transformar
o processo de avaliação da qualidade vocal de
subjetivo em objetivo, fixando-se padrões comparáveis
e, mais importante, no tempo, ao longo da evolução
de um tratamento clínico, sujeito ou não à
intervenção cirúrgica.
Surgiram,
assim, os Laboratórios Computadorizados da Voz e a Análise
Acústica Computadorizada.
O
objetivo de um Centro de Diagnóstico Computadorizado
da Fala e da Voz é possibilitar, através do exame
da espectrografia vocal, a quantificação objetiva
e concreta da qualidade vocal por prática tecnológica
que permite, fazendo uso de computador e software específico,
estabelecer parámetros para padrões vocais, bem
como arquiva-los e compara-los.
Pelo
exame de espectrografia vocal, alcança-se uma melhor
compreensão acústica do sinal vocal, possibilitando
a associação entre as análises perceptivo-auditiva
e acústica. Permite, ainda, monitorar a eficácia
de um tratamento clínico, comparando os resultados de
diferentes procedimentos terapêuticos. Possibilita registrar
a voz, antes e depois, de pacientes submetidos à correção
de fendas lábio-palatais bem como a cirurgias envolvendo
a laringe.
Os
portadores de fendas labiais e/ou palatais apresentam alterações
anatômicas, principalmente musculares, que dificultam
o desenvolvimento de funções básicas, como
sucção, deglutição e fala.
Não
há, no Brasil, estudos estatísticos precisos que
determinem a incidência das fendas labiais e/ou palatais.
Estima-se que, na população de raça branca,
haja a freqüência de fenda labial associada ou não
à fenda palatal na proporção de l / 1000
nascidos vivos (com variações de 0,7 a 1,3).
A
comunicação entre a cavidade oral e a nasal, levando
à hipernasalidade, associada à incompetência
velofaríngea e aos distúrbios da audição,
comprometem a qualidade de voz. O paciente que apresenta distúrbios
da fala desperta reações no ouvinte que, imediatamente,
repercutem no próprio interlocutor como inibição,
sentimento de rejeição e isolamento.
Os
principais grupos musculares relacionados à fala estão
nos lábios, na língua e no esfincter velofaríngeo.
A insuficiência velofaríngea impede a adequada
pressão intrabucal e, conseqüentemente, a emissão
de alguns fonemas.
O
paciente fissurado apresenta alterações estruturais,
geralmente em mais de um elemento, provocando os distúrbios
articulatórios e de voz, o que é reconhecido com
disglossia. O fonoaudiólogo avalia a função
das estruturas envolvidas na fala, com o intuito de identificar
as anomalias e trabalhar os grupos musculares para tentar compensá-las.
A avaliação é feita sob a forma de exame
clínico, devendo ser complementada com audiometria, exames
radiológicos e endoscópicos.
O
tratamento cirúrgico das fendas lábio-palatais
restabelece, tanto quanto possível, as condições
anatômicas de normalidade. Isto não significa que
o paciente terá, automaticamente, sua fala normalizada.
Há deficiências difíceis de corrigir e a
própria cirurgia acrescenta tecido fibroso em meio às
delicadas estruturas que precisam ser mobilizadas. Nos pacientes
operados tardiamente, as dificuldades são ainda maiores
pois já houve o aprendizado baseado na anatomia alterada
e será necessário um descondicionamento seguido
de novo aprendizado.
A
avaliação da qualidade da voz e das mudanças
que se seguem aos procedimentos cirúrgicos não
pode ser apenas subjetiva. É preciso que haja parámetros
precisos que informem sobre a adequação do resultado
cirúrgico ou a necessidade de procedimentos complementares
como palatoplastias secundárias, retalhos faríngeos
ou faringoplastias. Da mesma forma, é muito importante
que se possa fazer o acompanhamento da melhora obtida com o
suporte fonoterápico do pós-operatório.
É
claro que os métodos de diagnóstico, uma vez implantados,
serão de utilidade não apenas nos fissurados mas
em quaisquer outros pacientes com problemas na fonação
ou nos órgãos nela envolvidos.
Index
| Introdução
| Fundamentos e Justificativas | Pacientes
e Métodos |
Objetivos
Cronograma
de Execução e Desembolsos
|
Conclusão | Bibliografia