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.:: O QUE A CEFALOMETRIA DIZ AO FONOAUDIÓLOGO

Autora: Fga. Cintia Schivinscki Gonçalves
Data do artigo: 09/09/2001
CFFa. 6860

Resumo revisado do trabalho apresentado no I FÓRUM DE PESQUISA EM FONOAUDIOLOGIA IMEC/RS, out. 2000.


A cefalometria refere a ciência da medição das dimensões da cabeça humana (Zemlin, 2000). O método cefalométrico radiográfico é o tipo de cefalometria mais utilizada pela ortodontia, e nos últimos anos pela fonoaudiologia, a fim de obter informações acerca da condição esquelética, dentária e de crescimento craniofacial. Esse método provém da associação de uma técnica radiográfica específica com o estabelecimento de medidas lineares e angulares do crânio humano; a partir da imagem radiográfica (da telerradiografia) tomada dentro de certos padrões, entre eles a imobilização da cabeça do paciente através do uso do cefalostato (Pereira, Mundstock e Berthold, 1984). O cefalograma elaborado sobre a radiografia, que na maioria das vezes é tomada em norma lateral, contém o desenho das estruturas anatômicas, a marcação dos pontos crânio e/ou cefalométricos e as linhas de orientação. Na relação entre os elementos mencionados, os pontos marcados geram linhas, que por sua vez formam ângulos e distâncias lineares que informam diacrônica ou longitudinalmente quanto ao sujeito em questão. Tanto o traçado como a organização/ leitura dos dados evidenciados com a cefalometria variam de acordo com os critérios e princípios de cada autor, constituindo as diferentes análises cefalométricas.

O fonoaudiólogo deve entender a cefalometria como uma forma complementar de diagnóstico que busca responder o que não é explicito ao exame clínico, sendo um procedimento que permite uma visão mais acurada das estruturas comprometidas ou mesmo a precisão da etiologia das alterações encontradas. Para tanto, é necessário que o fonoaudiólogo saiba como observar as telerradiografias que chegam até ele ou que ele mesmo venha a solicitar, retirando informações sobre a situação das estruturas ósseas, relação dentária, espaços orgânicos e tecidos moles. Ao estabelecermos os planos básicos conseguimos caracterizar o tipo facial, a conseqüente força muscular, o tipo de oclusão, o grau de inclinação e trespasse dentário anterior, a condição do espaço nasofaringeano e dos espaços orgânicos disponíveis para a posturação em repouso e funcionalidade de lábios e língua, podendo ser definido também o grau de comprometimento encontrado e o momento mais apropriado para a intervenção fonoterápica. A análise fonoaudiológica feita sobre a telerradiografia, o cefalograma e as medidas encontradas deve ser articulada aos dados da anamnese e aos achados da avaliação clínica. É importante, no entanto, destacar duas desvantagens do método cefalométrico radiográfico: as limitações causadas pela característica estática do exame e a baixa radiopacidade, traduzida em pouca visibilidade, das estruturas de tecido mole. A cefalometria radiográfica integra através dos dados que traz e/ou esclarece, agora na fonoaudiologia, a possibilidade de fundamentações e previsões clínicas mais adequadas, cabendo ao fonoaudiólogo aprofundar-se no estudo e aplicação desse método.

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