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DESVIOS
FONÉTICOS E FONOLÓGICOS EM PACIENTE ADULTO: ANÁLISE
DE UM CASO
Autora:
Fga. Cintia Schivinscki
Gonçalves
Data do artigo: 09/09/2001
CFFa. 6860
INTRODUÇÃO
A
divisão da linguagem nos aspectos gramaticais que a compõem-
fonética, fonologia, morfologia, sintaxe e semântica (FROMKIN
& RODMAN, 1993) é prática mas compromete a observação da importante
relação interativa existente entre esses elementos (ver YAVAS,
HERNENDORENA & LAMPRECHT, 1991, cap. 6). Sem, no entanto, desconsiderarmos
esta questão, vimos como necessária a manutenção do foco deste
trabalho sobre os níveis fonético e fonológico. Em uma caracterização
elementar temos que as alterações de ordem fonética limitam-se
ao nível de realização dos fones particulares à cada língua;
enquanto que os desvios fonológicos representam desvios na aplicação
contrastiva desses fones adquiridos, envolvendo o sistema fonológico,
ou seja, o sistema que opõe significados através da estrutura
de sons da língua. Para alguns autores (BRUNO & SÁNCHEZ, 1992;
ISSLER, 1996; PERELLÓ, 1995) ambas manifestações são denominadas
Dislalias. Conforme YAVAS (1990) a criança aos 4:0 - 4:6 deve
estar com o seu sistema fonológico praticamente adquirido; a
não supressão de processos fonológicos naturais e inatos (STAMPE,
1973) utilizados devido às limitações naturais de percepção
e/ ou produção e que não fazem parte do sistema da língua da
criança é denominada Desvios Fonológicos Evolutivos. Na idade
adulta os desvios persistentes são em sua maioria de ordem fonética,
sendo os fonológicos mais raros, de terapêutica mais complexa
e, segundo PERELLÓ (1995), de prognóstico reservado. STRAND
(1996) enfatiza a importância de considerarmos a integração
do processamento lingüístico e do controle motor da fala; desordens
de base motora fornecem uma retroalimentação auditiva que pode
levar a uma discriminação pouco precisa (BRUNO & SÁNCHEZ, 1992).
Há um componente lingüístico ou representacional que serve como
entrada para um processo motor (STRAND, 1996). GRUNDY (1989)
sugere que na ocasião do desenvolvimento de associações entre
padrões de sons e os objetos aos quais eles se referem ou representam
há a armazenagem de um modelo sonoro, ao que ele chama Molde
de Padrão de Sons (MPS). Nos casos patológicos pode ou não haver
a identificação da forma alvo, mas o indivíduo não tendo condições
de integrá-la ao seu sistema a adapta a algo que possa ser armazenado.
Quando a manutenção desses desvios chega até a idade adulta
é destacado o fator condicionante gerado pelos anos de retroalimentação
negativa e habituação. As praxias atípicas, as seqüências sonoras
(conceitualização dos sons) e a relação entre significantes
e significados já estão fortemente estabelecidas, o que dificulta
consideravelmente o trabalho de reabilitação. Há poucas referências
bibliográficas que abordam, citam ou apontam dados sobre distúrbios
de ordem fonológica em adultos sem comprometimentos neurológicos.
Objetivamos, então, contribuir para a caracterização de aspectos
que compõem esse quadro clínico a partir dos dados do paciente
C.N.D. e explicitar as possibilidades de reorganização dos padrões
de fala em um caso com o prognóstico reservado.
Index
| Resumo |Abstract
| Introdução
Descrição do Caso
|
Discussão | Referências
Bibliográficas