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.:: DESVIOS FONÉTICOS E FONOLÓGICOS EM PACIENTE ADULTO: ANÁLISE DE UM CASO

Autora: Fga. Cintia Schivinscki Gonçalves
Data do artigo: 09/09/2001
CFFa. 6860

DISCUSSÃO

Os desvios fonológicos em pacientes adultos sem comprometimento neurológicos são pouco comuns na clínica fonoaudiológica. São pouco comuns também os dados ou bibliografias que referem-se a esse quadro especificamente. Alguns autores, entre eles PERELLÓ (1995), MILLOY (1997), BRUNO & SÁNCHEZ (1992) e ISSLER (1996), quando abordam a fala adulta referem-se basicamente à alterações fonéticas e déficits articulatórios ou de fluência. Os desvios encontrados na fala de C.N.D., no entanto, são considerados fonéticos em razão das inabilidades motoras na produção dos sons, mas também fonológicos, por localizarem-se em um ou mais pontos da estrutura básica do sistema de processamento fonológico- input/ representações/ output (STACKHOUSE, 1997), comprometendo o uso contrastivo dos fones na língua. Essa hipótese diagnóstica traz consigo a grande dificuldade de apropriação e, principalmente, de automatização dos novos padrões que deverão ser incorporados ao sistema fonológico do paciente. As alterações são encontradas em um nível de reforço negativo importante, devido aos anos de retroalimentação equivocada. Quando o paciente assimila o padrão correto, trabalha-se exaustivamente a automatização, buscando substituir os engramas antigos- reestruturação semântico/ fonológica. O aspecto psico-social também deve ser considerado; no caso de C.N.D., a convivência com pessoas que possuíam problemas de fala semelhantes "acobertava" o problema, mais tarde, porém, principalmente no âmbito profissional, as alterações ficaram evidentes e tornaram-se obstáculos. As limitações sociais e profissionais foram os fatores motivadores do tratamento, que alcançou êxito surpreendentemente rápido. É importante registrar que, apesar do prognóstico reservado, da ausência dos exames complementares solicitados (audiometria e fibronasolaringoscopia) e da complexidade do caso, no que se refere ao envolvimento de funções superiores na composição da alteração de fala do paciente, a evolução deu-se em tempo bastante reduzido, mostrando-nos que, mesmo em idade adulta, é possível contar com a plasticidade das interligações neuroniais para a mudança de comportamentos e conceitos (CIELO, 1998). Concluímos, então, que um prognóstico reservado não deve ser obstáculo em um planejamento terapêutico, pois o quadro clínico do paciente pode evoluir satisfatoriamente em um período de tempo inferior ao previsto, apesar dos vários anos de retroalimentação negativa. Este estudo de caso ressalta a importância de um diagnóstico cuidadoso e a necessidade de adotarmos uma conduta terapêutica mais apropriada. Como indica LOWE (1996), vem-se consolidando a visão fonológica dos erros da fala, onde estes são avaliados e tratados como parte do sistema da língua e não como uma entidade separada, abordada superficialmente através de treinamento auditivo, repetição e posicionamento fonético.

 


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