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.:: UM MÉTODO DE INVESTIGAÇÃO DOS DISTÚRBIOS DA FALA E VOZ: A ESPECTROGRAFIA VOCAL

Autores: Fga Leila Horta e Prof . Dr Shiro Tomita
Data do artigo: Março/2001
CFFa. 1709
Registro:3394-RJ

I - OBJETIVO

A voz humana

1.1 - Conceito

A voz humana é o resultado da ação de um conjunto de estruturas do trato vocal que formam um sistema versátil e intricado para produção de sons, cujas partes mais intimamente associadas à produção são os pulmões, a traquéia, a laringe, a faringe as cavidades nasais e a cavidade oral. A qualidade vocal é, em nossos dias, considerada o mais completo atributo de um indivíduo, e sua avaliação fornece indícios sobre os parâmetros físicos, psicológicos, sociais e culturais.

Raymond H. Stentson, pioneiro no estudo da fala, escreveu que a fala é um movimento sonoro audível (STENTSON - 1928). O movimento dos órgãos da fala - estruturas como: língua, lábios, mandíbula, véu palatino e o trato vocal - gera padrões sonoros auditivamente perceptíveis.

Segundo Read e Kent pode-se dividir a fala em três grandes áreas de estudo: fisiológica (ou fisiologia fonética), acústica (ou fonética acústica), e perceptiva. A compreensão da fala exige o estudo de cada uma dessas áreas, relacionando-as entre si.

Para esta proposta, ênfase será dada à área de fonética acústica. A análise acústica possibilita a identificação de padrões fisiológicos e físicos entre o produtor dos sinais acústicos (sons) e o ouvinte. Ressalte-se o aspecto unificador que o sinal acústico exerce nesse processo.

1.2 - A técnica fonoaudiológica

A avaliação da função vocal iniciou-se no século XIX, compreendendo, basicamente, a avaliação subjetiva da voz, ainda amplamente utilizada na rotina clínica fonoaudiológica. Não requer aparelhagem sofisticada e exige somente o ouvido humano como instrumento de avaliação. Idealmente, o processo técnico de avaliação da voz se decompõe em cinco etapas: anamnese, observação, avaliação clínica subjetiva, avaliação acústica e integração destas informações para a definição do tratamento.

A avaliação clínica subjetiva da voz é realizada através da determinação de como o falante habitualmente utiliza sua voz e sua qualidade vocal: loudness e picth ( MORRISON & RAMMAGE, 1994). A escala de avaliação perceptiva mais aplicada é a de GRBAS, proposta por ISSHIKI (1969) e HIRANO (1981). Parâmetros de rouquidão voz, soprosidade, astenia e tensão, bem como o grau de alteração são aferidos.

Luria (1975), ao descrever o papel da fala, amplia o seu conceito ao considerá-la como fator de desenvolvimento e organização do próprio pensamento. Também, segundo Luria e Christensen, a investigação da percepção da fala deve incluir a compreensão da palavra, da sentença e das estruturas lógico-gramaticais.

1.3- Análise acústica computadorizada ou Laboratório computadorizado da voz

Os avanços da tecnologia de computação e o desenvolvimento de softwares e aplicativos propiciaram transformar o processo de avaliação de subjetivo em objetivo, estabelecendo padrões comparáveis entre indivíduos e, mais importante, no tempo, ao longo de uma proposta de tratamento clínico. Surgiram, então, os Laboratórios Computadorizados de Voz e a Análise Acústica Computadorizada.

O objetivo do Centro de Diagnóstico em Laringe Voz e Fala é possibilitar, através do exame da espectrografia vocal, a quantificação de vozes através de prática tecnológica capaz de arquivar e produzir comparações entre padrões pré-estabelecidos. A sua aplicação oferece melhor compreensão acústica do sinal vocal, possibilitando a associação entre as análises perceptivo-auditiva e acústica. Permite ainda monitorizar a eficácia de um tratamento clínico, comparando os resultados de diferentes procedimentos terapêuticos. Possibilita registrar a voz, antes e depois, de pacientes a serem submetidos à microcirurgia de laringe.

O conceito de qualidade vocal é, além de complexo, subjetivo, variando entre diferentes culturas.

Para SATALOFF (1991) dizer ao paciente que sua voz mudou e sua qualidade vocal melhorou sem mostrar o resultado da avaliação acústica seria o mesmo que dizer a um indivíduo que sua audição melhorou sem mostrar o exame audiométrico que evidencia essa melhoria.

A análise acústica computadorizada apresenta a medida da alteração da freqüência fundamental, as medidas de instabilidade fonatória (Jita, Jitter, ShdB, PPq, APQ ) e de ruído no sinal ( NHR ).

O núcleo ou centro de estudo ideal de um laboratório computadorizado da voz seria formada por médicos laringologistas, neuropediatras, cirurgiões de cabeça e pescoço, fonoaudiólogos, lingüistas e o cientista da voz. Trata-se, portanto, de um ambiente multidisciplinar de trabalho.

 


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