.::
UM
MÉTODO DE INVESTIGAÇÃO DOS DISTÚRBIOS DA FALA E VOZ: A ESPECTROGRAFIA
VOCAL
Autores:
Fga Leila Horta
e Prof . Dr Shiro Tomita
Data do artigo: Março/2001
CFFa. 1709
Registro:3394-RJ
II -
FUNDAMENTOS E JUSTIFICATIVAS
Acústica
da fala
2.1 - Produção
dos sons
A produção sonora
requer dois elementos indispensáveis: uma fonte de
energia e um elemento vibratório. Na fala
a principal fonte de energia é o ar proveniente do aparelho
respiratório. As pregas vocais da laringe formam os elementos
vibratórios. Contudo, é de se observar que a conversão
do fluxo de ar em som pode ocorrer quase em todos os locais
ao longo do trato vocal. Assim, ao se constrigir o trato vocal
em algum ponto de sua extensão, a corrente de ar pode
ficar turbulenta para produzir ruídos fricativos.
A qualidade dos sons da fala
é também influenciada pela configuração
das propriedades acústicas do trato vocal, principalmente
na forma da cavidade oral.
Assim, o análogo físico
do mecanismo da fala deve consistir em uma fonte de energia,
elementos vibratórios, sistemas de válvulas e
filtro.
2.2 - Caracterização
da acústica da fala
A análise acústica
é essencial no processo de compreensão da fisiologia
fonética. A fonética é uma área
da lingüística que estuda a geração
e a estrutura sonora dos fonemas.
O estudo da voz humana requer
a definição de conceitos ou propriedades dos sons
produzidos que identificam as estruturas sonoras: harmônicos,
ressonância e formantes.
Todo o som complexo pode ser
decomposto em uma combinação de sons mais simples,
harmonicamente relacionados, ou seja, numa série de tons
puros, semelhantes ao de um diapasão, e com freqüências
que são múltiplos inteiros de uma freqüência
fundamental. Quando quebramos um determinado som em seus componentes
simples, estamos realizando uma análise espectral.
Cada tom puro corresponde fisicamente
a um tipo de oscilação - movimento harmônico
simples.
A ressonância é
o fenômeno segundo o qual um sistema físico, excitado
por outro sistema vibrante, passa a oscilar de forma semelhante
à este. No aparelho fonador humano, o trato vocal pode
ser visto, por uma seqüência de pequenos tubos cilíndricos
que formam ressoadores.
O trato vocal supraglótico,
acima portanto das pregas vocais, se inicia no nível
da laringe, prolongando-se até a última fronteira
dos lábios e da narina. Esta "tubulação"
de diâmetro variável funciona com uma cadeia de
ressoadores, respondendo, seletivamente, à diversas freqüências
contidas no som produzido pela fonte sonora. Assim, se o trato
vocal numa determinada "forma" responde simpática
e naturalmente a determinados sons, digamos aos de freqüência
próximas a 330, 800 e 2200 Hz, por exemplo, podemos afirmar
que estes são os primeiros formantes daquela configuração
vocal.( FUKS, L. 2000)
Modificando-se os formantes do
trato vocal, através de alterações em sua
forma, pode-se esculpir o som básico gerado pela glote,
numa rica paleta de timbres sonoros, mensuráveis e comparáveis.
2.3 - Freqüência
Fundamental
Os movimentos vibratórios
são de sons da fala. O epitelio de cobertura das pregas
vocais, em uma fala normal, vibra a uma freqüência
aproximadamente de 150 vezes por segundo, a eclosão de
ar é liberada no trato vocal a cada 1/150 segundos. O
efeito de cada uma dessas eclosões transitórias
de energia é excitar a coluna de ar supraglótioca.
A amplitude das vibrações são amortecidas,
mas a sucessão rápida de eclosões de energia
serve para manter a coluna de ar em vibração.
Três parâmetros podem
representar parcialmente os movimentos vibratórios: freqüência,
intensidade e duração - que, isoladamente,
têm muito pouco significado na produção
da fala da maneira que conhecemos. As vibrações
geradas pelas pregas vocais no trato vocal podem ser modificadas
pelas estruturas do trato vocal. Essas modificações
podem ser responsabilizadas pelo princípio de ressonância
e sua antítese, o amortecimento.
Quase todo sistema, em condições
apropriadas, quando energizadas por uma força externa,
vibra em uma freqüência natural própria. A
freqüência das pregas vocais vibrantes, energizadas
por uma corrente de ar, é uma função direta
da tensão e uma função inversa da massa.
Por exemplo: a laringe de um tenor que esteja produzindo a nota
mi2 (freqüência fundamental de 330 Hz) de forma contínua
e regular, estará produzindo os tons puros de 660 (mi4),
990 (si4), 1320 (mi5 ), 1650 (sol#5), 1980
(si5), 2310 Hz (re6), etc. Estes valores correspondem
exatamente aos múltiplos da freqüência fundamental
de 330 Hz. Esta série harmônica tem a freqüência
fundamental no primeiro harmônico e nos outros overtones.(FUKS,
L.2000)
2.4 -Teoria fonte-filtro da
produção da fala
O modelo matemático da
produção da fala, base da teoria fonte-filtro
desenvolvida por Fant ( 1970 ), é expressa como:
[P (f)] =
[U (f)] . [H (f)] . [R (f)]
O sinal da pressão sonora
P(f) atuando, à certa distância, sobre os lábios
é o produto do espectro da velocidade de volume de ar
gerado pela fonte U(f), da função freqüência-ganho
seletivo de transmissão vocal H(f), e da característica
de propagação dos lábios R(f).

Figura 4 - Ilustração do esquema do espectro
voz-fonte. (The acoustic of the Singing Voice, Johan Sunderberg
- 1977 Scientific American, Inc.)
O esquema apresentado na Figura
4 é uma representação gráfica da
teoria fonte-filtro. A amplitude dos harmônicos diminui
uniformemente com a variação da freqüência.
Isso representa o espectro da fonte para os sons sonoros.
Index
| Objetivo | Fundamentos
e Justificativas: Acústica da fala | Materias
e Métodos
Exames
complementares |
Conclusão | Bibliografia