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Pensando
a inclusão de surdos
Autora: Fga. Luciana dos Santos Célia
Email: lucianacelia@hotmail.com
CRfa-RS 6984
A inclusão de surdos em escola regular é um
assunto muito complexo, onde a situação deve
ser pensada como um todo, a partir da realidade de cada
local. Para conseguir analisar a situação
amplamente, necessita-se conhecer melhor sobre o surdo,
sua situação cotidiana de inclusão/exclusão
na sociedade como um todo, discutir práticas e teorias
partindo de uma questão sociocultural (não
apenas audiológica), onde o surdo é um sujeito
que possui uma língua natural, a Língua de
Sinais.
Segundo Marisa Faermann Eizirik (2000), "na inclusão
o que está em jogo é a ruptura com o conceito
estático do homem, de mundo, de conhecimento; é
a necessidade de cruzar experiências, de compartilhar
caminhos, de compreender a complexidade e a diversidade
através da abertura de canais para o diferente, o
que não é meu, nem igual ao meu, mas por isso
mesmo, merece respeito. E esse respeito descortina a possibilidade
da descoberta de coisas. pessoas, situações,
- insuspeitáveis, fascinantes. - É certo que
esse caminho provoca ferimentos pela insegurança,
pela quebra de certezas, de normas estáveis."
Há uma diversidade de fatores e experiências
em cada indivíduo e, quando fala-se de inclusão
de surdos, além da diversidade, retrata-se o diferente
(língua, cultura, tradições,...). Neste
convívio, entre duas comunidades (surda e ouvinte),
há sempre a situação de uma nova língua,
ou seja, para o ouvinte, a língua de sinais e para
o surdo, a língua portuguesa. Retratando da segunda
língua, pode-se reportar à Poersch (1995),
"há três fatores para o aprendizado de
uma segunda língua: - fatores motivacionais,
fatores construídos no sujeito aprendiz devido ao
contexto comunicacional lingüístico em que ele
se insere; - atenção, que é
derivada da motivação, ou seja, dependerá
da maneira como o aprendiz tem contato com a língua
a ser aprendida (métodos e técnicas utilizadas
no ensino, oportunidades e qualidades da utilização
da língua); - memória, que provém
da atenção e está relacionada à
aptidão do indivíduo para o aprendizado de
novas línguas".
Na inclusão, é importante lembrar de alguns
fatores primordiais quando pensamos em surdos:
Oportunizar o aprendizado favorecendo a diferença
sócio-lingüística e valorizando a comunicação
espaço/visual em todos os momentos deste processo,
já que, segundo Skliar (1998), "... todos os
mecanismos de processamento da informação,
e todas as formas de compreender o universo em seu entorno,
se constróem como experiência visual".
A
língua de sinais não deve ser encarada pelo
professor como um instrumento de trabalho, mas sim, como
parte da cultura da comunidade surda, sendo sua língua
oficial.
Deve-se favorecer o aprendizado do indivíduo surdo
utilizando a língua de sinais, se ao iniciar o trabalho
de inclusão esta não for possível,
utilizar todos os recursos de comunicação
(não simultaneamente), para que a partir destes tenha-se
a certeza de que o surdo adquiriu o conhecimento. A partir
disto pode-se reportar ao livro "O vôo da gaivota"
da autora surda Emmanuelle Laborit (1996): "Utilizo
a língua dos ouvintes, minha segunda língua,
para expressar minha certeza absoluta de que a Língua
de Sinais é nossa primeira Língua, aquela
que nos permite ser seres humanos comunicadores. Para dizer,
também, que nada deve ser recusado aos Surdos, que
todas as linguagens podem ser utilizadas, a fim de se ter
acesso à vida."
Bibliografia:
BRITTO, Lucinda F. Integração social &
educação de surdos. Rio de Janeiro: Babel,
1993.
EIZIRIK, Marisa Faermann, Porque a diferença encomoda
tanto? Texto em artigo. Porto Alegre, 2000.
LABORIT, Emmanuelle. O vôo da gaivota. São
Paulo: Best Seller, 1996.
POERSCH, José Marcelino. Psicolingüística
uma ciência conectada multidisciplinarmente. . Vol
30, no 2, Letras de Hoje, Porto Alegre, 1995.
SÁ, Nídia L. Educação de surdos:
a caminho do bilingüismo. Niterói: EDUFF, 1999.
SEMPRINI, Andrea. Multiculturalismo. Bauru, São Paulo:
EDUSC, 1999.
SKLIAR, Carlos (Org). Educação e Exclusão:
abordagens sócio-antropológicas em educação
especial. Porto Alegre: Mediação, 1997.
___________________ A surdez: um olhar sobre as diferenças.
Porto Alegre: Mediação, 1998.
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