EVOLUÇÃO
Durante o
período de atendimento, verificou-se que A. G. S. apresentou
um aproveitamento significativo nas atividades realizadas.
Em todos os momentos se mostrou participativo e motivado para
o trabalho. Sua adaptação foi rápida,
mantendo um bom vínculo com a terapeuta.
Observou-se
uma evolução significativa na linguagem oral,
na percepção auditiva e na mobilidade dos lábios.
Demonstrou, também, um aproveitamento nas atividades
de leitura e escrita, assim como nas aprendizagens relacionadas
aos aspectos cognitivos.
A. G. S. tem
demonstrado muito interesse em se comunicar, tentando expressar,
através de vocalizações e gestos, as
situações vivenciadas por ele dentro e fora
da terapia. Estas reações do paciente indicam
que ele se esforça e se interessa bastante no que diz
respeito à linguagem oral. Além disso, ele não
produzia nenhum fonema, de maneira clara, antes de iniciar
o atendimento fonoaudiológico e até o presente
momento, já foram instalados os seguintes fonemas:
/a/, /e/, /i/, /o/, /u/, /p/, /t/, /l/, /f/, /v/, /m/, /d/
e /s/.
O paciente
está utilizando juntamente com sua língua materna
(Língua de Sinais), a língua oral para palavras
e expressões verbais de seu conhecimento. A estrutura
sintática das frases da linguagem oral padrão
sofre uma alteração quando é transmitida
para a Língua de Sinais. Entretanto na escrita A. G.
S. já está usando palavras de ligação,
adjetivos, artigos definidos e indefinidos.
Na evolução
da percepção auditiva, notou-se que, a partir
do trabalho fonoterápico realizado, A. G. S. apresentou
uma melhora significativa. Quanto às atividades relacionadas
à atenção auditiva, o paciente responde
corretamente ao condicionamento auditivo com apoio visual.
Está mais atento aos exercícios de presença
e ausência de sons, conseguindo discriminar sons graves.
Quanto à
mobilidade dos lábios e da língua, A. G. S.
consegue vibrar os lábios mas ainda não consegue
assobiar e nem estalar e vibrar a língua.
Quanto ao
uso do AASI, A. G. S. está bem adaptado, permanecendo
a maior parte do tempo com o mesmo, tanto em sala de aula
quanto no atendimento.
Nossa principal
preocupação durante todo o processo terapêutico
foi de desenvolver estratégias e procedimentos que
favorecessem as relações entre os processos
cognitivos e lingüísticos de A. G. S.
Inicialmente,
foi difícil nossa comunicação e, muitas
vezes, pensamos que A.G. S. apresentava um déficit
cognitivo, pois não conseguia dar respostas adequadas
para solicitações com pequeno grau de complexidade.
Então,
decidimos fazer um curso de Língua de Sinais e iniciamos
uma comunicação efetivamente bilíngüe,
utilizando ambas as línguas. Deste momento em diante,
terapeuta e paciente passaram a desempenhar duplo papel, pois
ambos eram mais hábeis em uma das línguas. Constatamos
então que o déficit de A. G. S. era somente
de ordem lingüística e não cognitiva.
Superada esta
dificuldade, iniciamos nosso planejamento terapêutico,
desenvolvendo tarefas que auxiliassem as relações
entre os processos cognitivos e lingüísticos;
sendo assim, escolhemos trabalhar com atividades de classificação,
de categorização, de associações,
de descrição, de definição e de
introjeção de conceitos mentais.
Em relação
à classificação trabalhamos com classe
de palavras (substantivos, adjetivos, verbos, preposições,
conjunções e advérbios). No início,
o vocabulário de A. G. S. era formado quase que exclusivamente
por substantivos, alguns adjetivos e poucos verbos (tudo demonstrado
pela expressão gráfica, já que A. G.
S. não oralizava nenhum som). A partir da aplicação
de exercícios escritos de copiar, completar, de compor
e de jogos ortográficos, A. G. S. foi incorporando
e usando outras classes de palavras. Atualmente utiliza conetivos,
advérbios, adjetivos e artigos definidos e indefinidos
na linguagem escrita. Aumentou significativamente o número
de verbos e adjetivos nos textos que produz.
Em relação
à categorização, trabalhamos com categorias
de: animais (domésticos, selvagens, mamíferos
e aves); alimentos (frutas, verduras, legumes e cereais);
utensílios domésticos; brinquedos; meios de
transporte (aquáticos, terrestres e aéreos).
Atualmente A. G. S. já domina o vocabulário
das principais categorias e tem consciência de categorização.
Entretanto necessita desenvolver um maior número de
habilidades lógicas para o domínio completo
desta área.
Quanto às
associações, nosso trabalho foi centrado em
antônimos e sinônimos. O vocabulário de
A. G. S. era demasiado pobre em língua portuguesa.
Houve um aumento significativo neste sentido, tanto nos aspectos
semânticos, quanto nos sintáticos.
Em relação
à descrição das características
dos objetivos, o desempenho de A. G. S. melhorou consideravelmente.
Já faz descrições escritas, considerando
cor, forma, tamanho, substância, uso e função.
Esse fato também pode ser constatado em relação
a definições de objetos. No que diz respeito
a definições de palavras abstratas, A. G. S.
ainda demonstra dificuldades.
Os conceitos
mentais Quem?, Quando?, Onde?, O quê?, Como? e Por quê?
Foram trabalhados em diferentes contextos, tanto de forma
oral como escrita. Em relação à compreensão,
A. G. S. não apresenta nenhuma dificuldade. Melhorou
seu desempenho em relação à leitura orofacial
destas perguntas e já domina sem dificuldades estes
conceitos mentais.
Numa entrevista
final realizada com o paciente, este referiu ter notado grandes
progressos em relação ao desenvolvimento da
comunicação oral; mostrando-se satisfeito em
relação à fonoterapia durante o decorrer
do processo terapêutico, sendo isso demonstrado através
do questionário final elaborado pela terapeuta. (Anexo
9).