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RELAÇÕES ENTRE PROCESSOS
COGNITIVOS E LINGÜÍSTICOS: TERAPIA FONOAUDIOLÓGICA PARA ADOLESCENTE
SURDO, DENTRO DE UMA VISÃO SÓCIO-ANTROPOLÓGICA
Autora:
Mila Weissbluth
Frejman
Data do artigo: junho de 1998
CRFa 6813
Especialista em Reabilitação em Fonoaudiologia
- Linguagem.
AVALIAÇÃO
As avaliações
foram realizadas de maneira formal e informal, após um
criterioso estudo das entrevistas com familiares, professores
e técnicos do CAEDA.
1. Avaliações
Formais
São compostas das seguintes
etapas:
1. Parecer da médica do CAEDA, sobre aptidão para
realização de exames audiológicos (referendado
pelo médico da clínica)
2. Audiometria Tonal e Vocal (Anexo 2)
3. Medidas Imitanciométricas (Anexo 3)
4. Testes dos AASIs (Anexo 4)
5. Avaliação Orofacial, baseado na avaliação
utilizada na Clínica IPA/IMEC (Anexo 5)
Iniciamos a avaliação observando os órgãos
fonoarticulatórios do paciente. Constatamos a seguinte
alteração nos OFAS: língua com hipertonicidade,
com postura entre os dentes e contra os incisivos inferiores.
Não consegue vibrar a língua e nem estalar.
Em relação às funções neurovegetativas,
verificamos sucção, mastigação e
deglutição adequada. A respiração
de A .G . S. é superior.
6. Avaliação Pedagógica (Anexo 6)
2. Avaliações
Informais
As avaliações
dos aspectos lingüísticos e cognitivos foram realizadas
de maneira informal, durante todo o processo terapêutico,
através de observações contínuas
e sistemáticas do comportamento do paciente em geral,
principalmente, nos aspectos da linguagem e das condutas intelectuais.
As observações foram realizadas durante a terapia
em situações propostas pela terapeuta e pelo próprio
paciente. Observamos também A. G. S., em situações
espontâneas, no relacionamento com os colegas e em atividades
de jogos.
1. Linguagem
Compreensiva
A. G. S. apresenta uma boa compreensão, quando o diálogo,
ou as interrogações são apoiadas por estímulos
sensório-perceptivos (gravuras, gestos, demonstrações).
Entretanto, apresenta falhas no entendimento, caso a conversação
se realize em nível verbal puro. Seu desempenho, em termos
compreensivos, com ajuda da Língua de Sinais é
ótimo. O paciente faz uma boa leitura orofacial em assuntos
conhecidos e ligados à sua vivência cotidiana.
O desempenho não é o mesmo, quando os temas são
novos e relacionados a situações distanciadas
de suas vivências.
Com a finalidade de complementar avaliação da
Linguagem Compreensiva, utilizamos o Peabody adaptado, tendo
A. G. S. conseguido um desempenho satisfatório, compatível
com a sua idade cronológica.
2. Linguagem
Expressiva
A avaliação da linguagem oral foi realizada em
vários períodos (de agosto de 1997 - início
da terapia; dezembro de 1997 - final do semestre) e em abril
e junho de 1998. Notamos diferenças significativas, de
modo crescente, que serão detalhadas na evolução.
3. Linguagem
Escrita (expressão gráfica)
A avaliação da escrita do paciente também
foi realizada no início da terapia e reavaliada em outros
períodos. A. G. S. demonstrou crescimento, principalmente
no aspecto semântico, no qual houve um desenvolvimento
do vocabulário. Demostraremos, com exemplos, os progressos
nos aspectos sintáticos e da qualidade do texto, no decorrer
deste estudo de caso.
4. Linguagem
e suas Relações com o Pensamento
Durante as aquisições de novas aprendizagens,
avaliamos os aspectos cognitivos em diferentes situações.
Acompanhando o desenvolvimento escolar, examinando o raciocínio
lógico do paciente com tarefas concretas propostas em
jogos em parceria com outro colega, ou com o próprio
terapeuta.
O desempenho cognitivo de A. G. S. é absolutamente normal,
demonstra atenção, percepção seletiva,
boa memória e lógica na resolução
dos problemas. É capaz de utilizar conhecimentos prévios
para solução de novas situações.
Para complementar a avaliação cognitiva utilizamos
o teste Decroly, o qual avalia causa-efeito e efeito-causa.
O paciente demostrou um desempenho plenamente satisfatório.
Concluímos que o desempenho intelectual de A. G. S. só
demonstra falhas, no momento em que é prejudicado pelo
aspecto lingüístico.
5. Habilidades
Visuais
O paciente não apresentou problemas relacionados às
habilidades visuais; pelo contrário, o mesmo tem uma
excelente memória visual e extrema habilidade nas seqüências
visuais.
6. Avaliação
Auditiva
Além
dos exames complementares (Audiometria, Imitanciometria), já
mencionados nas Avaliações Formais, verificamos
que o paciente sem o aparelho é capaz de perceber somente
os sons graves (tambor, buzina, avião, entre outros).
Index
| Introdução
| Dados de Identificação
do Paciente
História Clínica
do Paciente | Avaliação | Hipótese
Diagnóstica | Etiologia
Fundamentação Teórica
| Planejamento Terapêutico
Tratamento Fonoaudiológico
| Evolução
Prognóstico | Conclusão
| Bibliografia