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.:: A FAMÍLIA E OS HÁBITOS ORAIS VICIOSOS NA INFÂNCIA

Autora: Fga. Denize Casanova
Data do artigo: Dezembro/1999
C.F.Fa. 1709
Fonoaudióloga especialista em Motricidade Oral – Fonoaudiologia Hospitalar

A PESQUISA

Os dados sobre os hábitos orais na infância foram coletados a partir de questionário sobre amamentação, uso de chupeta/mamadeira: os motivos para usá-los ou não, como e quando eliminá-los, tipos de bicos, etc., hábito de roer unhas, chupar dedo e ranger dentes: quando e porque aparecem e como e porque eliminá-los, respondido individualmente, por mães de crianças de 0 a 12 anos de idade, usuárias do Centro de Saúde do Serviço de Saúde de São Vicente - SP.

As reuniões , quinzenais, de mães, eram coordenadas pela fonoaudióloga e visavam esclarecer dúvidas das famílias sobre o desenvolvimento oral da criança e divulgar a atuação da fonoaudióloga.

Durante o período da pesquisa (janeiro a abril de 1998), foram questionadas 35 mães com faixa etária de 15 a 42 anos, donas de casa ou empregadas domésticas. Totalizamos 85 filhos, sendo que a maioria das mães tinha 2 filhos com idades entre 2 meses e 18 anos.

A partir dos dados coletados, pudemos concluir que os hábitos orais na infância são considerados normais pela maioria das mães que só começam a se preocupar com eles quando alguém estranho ao ambiente familiar chama a atenção para problemas estéticos e/ou de fala.

Atitudes como amamentar e oferecer chupeta e mamadeira à criança, fazem parte da cultura deste grupo pesquisado e nenhuma das pessoas ouvidas já havia pensado nos motivos para fazê-lo ou não, assim como, nenhuma delas havia tido a oportunidade de discutir o assunto ou receber orientação de profissional habilitado.

Este grupo refere que o pré-natal restringiu-se a consultas obstétricas para exame físico e, após o parto, fizeram visitas de rotina aos pediatras apenas para acompanhamento do desenvolvimento físico da criança, sem que nunca tivesses recebido orientações em relação aos hábitos orais e, nem sequer, soubessem da existência de profissionais de Fonoaudiologia.

Em relação à amamentação, várias mães referiram não ter recebido qualquer orientação durante o pré-natal mas todas estavam conscientes da sua importância para o bebê e para elas e não encontramos nenhuma que tenha optado por não fazê-lo ou, pelo menos, tentar. Tal postura é resultado de inúmeras campanhas veiculadas principalmente pela mídia que constantemente exalta os benefícios do aleitamento materno.

Constatamos a grande preocupação entre as mães pesquisadas, em relação à aparência dos filhos: "precisam ser gordinhos". Desta forma, a mamadeira passa a ter extrema importância como meio de "nutrir" precocemente a criança, inclusive como forma de oferecer o leite enriquecido (com farinhas) já que o leite materno, para elas, continua sendo "fraco".

Destacamos ainda, que para a maioria das pessoas pesquisadas, a chupeta faz parte do enxoval do bebê. Não existe a opção de não usá-la. Geralmente isto acontece quando a própria criança a rejeita mas, sempre após insistência da família para que a use.

É importante lembrarmos que a criança só pode pedir ou sentir falta daquilo que ela já conhece. Portanto, quem estimula o hábito de usar chupeta e/ou mamadeira, é o adulto que cuida dela e oferece tais objetos quase sempre para comodidade da mãe que se vê aflita frente a uma nova situação aliada a seus afazeres cotidianos.

Em nossa prática, nos deparamos com mães ansiosas e cheias de dúvidas quanto à idade e maneira de retirar chupetas, mamadeiras, sucção de dedo, etc. mas, raramente quanto a quando ou como oferecê-los.

Na população pesquisada, a opinião das avós (principalmente), do pai, da vizinha e da televisão, em relação aos hábitos orais, tem o mesmo peso da opinião do médico, do dentista ou da fonoaudióloga. Portanto, podemos concluir que o trabalho integrado destes profissionais é cada vez mais importante e deve incentivar a formação de divulgadores ou orientadores que usem a mesma linguagem da comunidade a que pertencem.

Os benefícios e prejuízos dos hábitos orais na infância têm sido exaustivamente discutidos, inclusive por este trabalho e o que nos parece mais importante ressaltar é que não devem existir regras rígidas de conduta em relação ao assunto.

É sempre bom considerarmos que cada criança é única e cada família tem suas crenças que devem ser respeitadas.

O mesmo hábito tanto pode ser extremamente prejudicial para uma criança (dentes, fala, respiração, estética, desenvolvimento emocional, etc.) como de grande valia para outra criança (aspecto afetivo, desenvolvimento e adequação do sistema estomatognático e funções orais, etc.), em determinada fase de seu desenvolvimento.

Cabe ao profissional de saúde esclarecer sobre os prós e os contras de cada atitude em relação ao desenvolvimento de cada criança e cabe à sua família escolher qual atitude adotar visando sempre o bem-estar do indivíduo que está em desenvolvimento.


Index | Resumo | Summary | Introdução | Hábitos Orais
Hábitos Orais e Oclusão Dentária | Respiração Bucal | Inadequação da Deglutição
Mamadeira | Chupeta | Sucção Digital | Onicofagia
Bruxismo | Manobras para Eliminação de Maus Hábitos Orais
Prevenção e Orientação Fonoaudiológica | A Pesquisa | Bibliografia

 

 

           
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