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A FAMÍLIA E OS HÁBITOS
ORAIS VICIOSOS NA INFÂNCIA
Autora:
Fga. Denize Casanova
Data do artigo: Dezembro/1999
C.F.Fa. 1709
Fonoaudióloga especialista em Motricidade Oral – Fonoaudiologia
Hospitalar
MAMADEIRA
Barbosa e Scnonberger
(1996) asseguram que quando o bebê é alilmentado com chucas
e/ou mamadeiras, não recebe estimulação adequada na área sensório-motora,
podendo desenvolver uma inabilidade de deglutição devido a hipotonia
de musculatura perioral e lingual, acarretando, mais tarde,
deformação de arcada dentária e de palato, com mordida aberta
anterior ou lateral que dificultará o corte do alimento, a mastigação
lateral e a formação do bolo alimentar, podendo, ainda, protruir
a língua no momento da deglutição, aumentando mais a deformidade
óssea.
Aragão (1991)
acredita que na mamadeira, a criança não se cansa como quando
mama no peito (pelo trabalho muscular) porque o leite sai com
a força da gravidade e o bico muito aberto provoca saturação
rápida do estômago, sem esforço.
Sobre bicos de
mamadeiras, Soligo (1996) ressalta que o osso é um tecido que
reage às pressões que agem sobre ele. Em repouso, há equilíbrio
das forças musculares intra e extra-orais, evitando o deslocamento
anterior dos dentes. Este equilíbrio de forças musculares pode
ser quebrado pelo uso de bico de mamadeira não fisiológico que
provoca abertura maior da boca, solicitando trabalho maior do
bucinador que pode acarretar problemas ortodônticos.
Já Hernandez
(1996) e Proença (1990), em diferentes trabalhos, enfatizam
a vantagem do bico ortodôntico de mamadeira, em relação aos
bicos comuns. Pela sua forma, o bico ortodôntico auxilia o vedamento
labial devido ao seu achatamento e bulbo curto, dá maior apoio
aos lábios, favorecendo a pressão negativa intra-oral. Tem furo
na região superior do bico, impedindo que o leite caia diretamente
na região posterior da cavidade oral, auxiliando o bebê na coordenação
sucção-respiração-deglutição, diminuindo engasgos e riscos de
asfixia. Ainda pela sua conformação, o bico ortodôntico mais
curto, diminui a movimentação e extensão da língua, permitindo
a elevação da ponta na cavidade oral, propiciando a preparação
das zonas de contato de língua para a deglutição que não prejudique
as arcadas dentárias nem a produção fonêmica.
Para Moresca
e Feres (1994), quando a alimentação na mamadeira não é feita
adequadamente, a criança pode ter suprida sua necessidade nutricional
mas não suprir sua necessidade de sucção (quantidade de sucções)
e começa a sugar as mãos com voracidade e depois, o polegar.
Geralmente isso ocorre quando o bico da mamadeira tem um furo
muito grande e a criança não precisa sugar para conseguir a
mesma quantidade de leite.
Hernandez (1996)
diz parecer consenso entre os autores, que o melhor bico é o
que permite ao bebê sugar a quantidade de leite necessária à
sua nutrição, em tempo adequado, com boa função motora oral
e sem perda excessiva de energia que interfira no ganho de peso.
Mas, encontramos alguns guias para "mães de primeira viagem"
que orientam a escolha do bico da mamadeira que melhor se adaptar
ao bebê, independentemente do formato e sua adequação ao bom
desenvolvimento dos órgãos fono-articulatórios. Além disso,
orientam sobre o tamanho do furo do bico, em relação a engasgos
(furos grandes) mas não citam a necessidade de movimentos adequados
de sucção que proporcionem o bom desenvolvimento dos órgãos
fono-articulatórios.
Portanto, ao
se escolher o bico, devemos considerar: flexibilidade (deve
ser suficiente para permitir adaptação à boca), comprimento
(que não interfira na direção do crescimento da face que é para
frente e para baixo), tamanho do furo, posição na cavidade oral,
posição do furo, consistência do alimento, etc.
Proença (1990)
chama a atenção para que, apesar das vantagens do uso do bico
ortodôntico em relação aos bicos comuns, recomenda seu uso somente
até os 2 anos e meio de idade, devendo ser substituído gradativamente
pelas papas de frutas, legumes, cereais, pudins, biscoitos,
uso de canecas com canudos até o uso de copos comuns.
Em relação ao
aspecto emocional, Zen (1985) aconselha às mães que não amamentam
no seio, colocar o bebê no colo, na hora da mamadeira pois acredita
que o contato terno e aconchegante do momento é imprescindível
para o desenvolvimento emocional e físico. Ele diz ainda, que
a criança que toma mamadeira deitada no berço necessita mais
esforço para mamar, além de precisar esticar a língua forçando-a,
provocando uma projeção lingual que pode levar a problemas dentários
e de fala.
Xavier (1997)
destaca que nos recém-nascidos a tuba auditiva encontra-se em
posição horizontal facilitando o escoamento do leite para o
canal auditivo, causando graves danos à audição. Portanto, ressalta
a importância de se posicionar o recém-nascido praticamente
ereto durante as mamadas.
Sobre o aspecto
dentário, André e col (1996) escrevem que a cárie dentária da
mamadeira afeta crianças de 1 a 3 anos de idade que usam mamadeira
frequentemente e com líquido açucarado e que geralmente adormecem
ou são alimentados durante o sono, sem que seja feita a higiene
oral adequada.
Index
| Resumo | Summary
| Introdução
| Hábitos Orais
Hábitos
Orais e Oclusão Dentária |
Respiração
Bucal | Inadequação
da Deglutição
Mamadeira | Chupeta | Sucção
Digital | Onicofagia
Bruxismo | Manobras
para Eliminação de Maus Hábitos Orais
Prevenção e
Orientação Fonoaudiológica | A
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