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RESPIRAÇÃO
BUCAL
Autora:
Mila Weissbluth
Frejman
Data do artigo: Outubro/2000
TRATAMENTO
O fonoaudiólogo
deve determinar, depois de receber o histórico do caso
e examinar a cavidade oral, se há necessidade de encaminhamento
a um médico para uma avaliação mais completa.
Caso conclua
que o hábito pode ser apenas funcional, ajudará
o paciente a eliminá-lo, numa primeira etapa do tratamento
da deglutição atípica. Se não, encaminhará
o paciente a um otorrinolaringologista ou alergista.
Os respiradores
bucais podem ser tratados com sucesso através de terapia
fonoaudiológica, cirurgia, medicação, placa
oral, aparelho de Andresen, Bionator, e uma faixa de queixo
(tanto do tipo usado pelos ortodontistas nos casos de má
oclusão de classe III, como aquela vendida comercialmente
como uma mascara "anti-ronco").
A dificuldade
com estes dispositivos começa quando o paciente deixa
de usá-los. O importante é que se realize uma
retirada gradativa, pois assim, as chances de êxito são
maiores. Caso o uso for interrompido bruscamente, há
muitas chances do retorno aos hábitos antigos.
O tratamento
do respirador bucal, baseia-se em reeducar a musculatura oral,
pois se não o habito residual poderá persistir.
Assim, segundo Marchezan (1994) refere ser a terapia o foco
para a aprendizagem do "uso do nariz", não
esquecendo que devemos sempre orientar a família.
A primeira etapa
do tratamento fonoaudiológico é a de esclarecer
ao paciente e a sua família a respeito de respiração
bucal, mostrando os padrões adequado e apresentando.
Portanto, trabalhamos a conscientização, para
depois podermos trabalhar o sistema sensório motor oral
e as funções do sistema estomatognático,
sempre respeitando a individualidade do paciente.
A colaboração
da família é de extrema importância para
o sucesso do tratamento. A maneira pela qual a família
visualiza a terapia também tem influencia sobre o desempenho
da criança.
Os exercícios
que serão citados são exemplos de como podemos
intervir na reabilitação do respirador bucal.
Vários métodos são utilizados por profissionais
especializados com resultados satisfatórios.
Para aumentar
a tonicidade dos lábios, utilizamos o exercício
do botão (ou escudo labial ou exercitador dos lábios),
o exercício da colher, o do lápis e o haltere
labial.
Exercício
do botão (ou escudo labial ou exercitador dos lábios):
O paciente segura por trás dos lábios e diante
dos dentes um botão preso a um fio dental. O terapeuta
puxa o fio enquanto o paciente tenta manter o botão preso
a boca com a força dos lábios.
Exercício
da colher: O paciente deve segurar a extremidade de uma colher
de plástico no centro dos lábios, mantendo-a no
plano horizontal. Quando for alcançada essa posição,
o terapeuta coloca um peso sobre a colher e o paciente deve
tentar equilibrá-la com a força dos lábios,
efetuando a função de contrapeso.
Exercício
do lápis: O paciente deve segurar o lápis no meio
dos lábios sem abaixá-lo nem levantá-lo
enquanto o terapeuta conta até 8. O exercício
se repete aumentando-se a conta até chegar a 15.
Exercício
do haltere labial: O paciente coloca o haltere labial entre
os lábios e fica durante o máximo de tempo que
conseguir.
A partir deste
momento, vai aumentando a quantidade de tempo de permanência
do haltere nos lábios, até adquirir uma tonicidade
adequada.
Para alongar
o lábio superior, utilizamos os exercícios de
morder o lábio superior, da máscara, do garrote
e massagens.
Exercício
de morder o lábio superior: É realizado com os
dentes da arcada inferior, onde o paciente deve segurar e manter
o lábio superior.
Exercício
da máscara: O paciente deve prender todo o lábio
superior com os dedos e tentar estira-lo para baixo o máximo
possível, em direção ao lábio inferior.
Depois de alcançar essa posição, deve tentar
mantê-la.
Exercício
do garrote: O paciente deve manter o garrote debaixo do lábio
superior, enquanto permanece com os lábios selados.
Massagens: São
realizadas para ajudar a estirar o lábio superior. Deve
ser realizada logo abaixo das narinas no sentido do seu fechamento,
ou seja, para baixo. A massagem deve ser realizada com certa
pressão e de modo sistemático.
Para o selamento
labial, utilizamos retalhos de hóstias (ou clips ou elástico
ortodôntico) e micropore.
Retalhos de hóstias
(ou clips ou elástico ortodôntico): O paciente
deve manter entre os lábios um pedaço de retalho
de hóstia , inicialmente por alguns minutos diários
e depois ir aumentando esse tempo.
Micropore:
Antes de dormir o paciente sela os lábios com duas tiras
de micropore em forma de X.
Pode utilizar
ao invés de micropore para dormir o retalho de
hóstia.
Para a mobilidade
do lábios, os exercícios dependerão da
dificuldade que o paciente apresenta. Não realizamos
essa série de exercícios com todos os pacientes,
somente os exercícios que precisarem ser estimulados:
vibração dos lábios, estirar e projetar
os lábios com os dentes ocluídos, movimentos laterais
dos lábios, elevar o lábio superior mostrando
a arcada dentária superior e abaixar o lábio inferior
mostrando a arcada dentaria inferior.
Para a mobilidade
da língua, utilizamos estalos com a ponta da língua,
elásticos, argolas de metal ou plástico, estreitar
e alargar a língua, movimentar para os lados e vibração
da língua.
Estalos com a
ponta da língua: O paciente estala a língua contra
o palato duro, elevando sua parte anterior.
Elásticos:
Dobramos o canudo pelo meio e introduzimos um elástico
ortodôntico até a sua parte central. O paciente
deve introduzir o elástico na ponta da língua
e tentar soltá-lo estreitando-a e movimentando-a para
trás.
Depois trabalha-se
a parte média da língua realizando as mesmas etapas.
O objetivo deste exercício é que o paciente aprenda
a estreitar a língua, controlando a musculatura transversa.
Depois de aprendido o exercício, será necessário
executar os movimentos de alargar e estreitar a língua,
sem apoiá-la nos lábios ou nos dentes.
Argolas de metal
ou plástico: O paciente deve tentar introduzir a ponta
da língua dentro das argolas, sem apoiá-las nos
lábios ou nos dentes. Inicia-se com argolas de diâmetro
grande e depois passa-se às menores.
Estreitar e alargar
a língua: O paciente deve estreitar e alargar a língua
sem movimentá-la para trás ou para frente. Esta
deve estar fora da boca e a ponta apoiada em um depressor.
Movimentar para
os lados: Estirar a língua em ponta e movimentá-la
em direção as comissuras labiais direita e esquerda
sem chegar a tocá-las. A língua não pode
estar apoiada nos lábios e a mandíbula não
pode se mover (se for necessário durante os primeiros
exercícios, pode-se segurar a mandíbula com a
mão até que o paciente seja capaz de controlar
seus movimentos). Repetir os exercícios elevando a ponta
da língua ate o nariz e baixando-a em direção
ao mento.
Vibração
da língua: Esse exercício estimula a mobilidade.
Para aumentar
a tonicidade, utilizamos exercício muscular do papinho,
exercício de resistência, depressor de madeira
e deglutição reflexa.
Exercício
muscular do papinho: O paciente deve elevar a ponta da língua
e apoiá-la no centro do palato duro, empurrando sobre
este várias vezes. Este exercício deve ser realizado
com os dentes em oclusão, e trabalha a ponta da língua
e os músculos do assoalho da boca.
Exercício
de resistência: Esse exercício trabalha a língua
e os músculos do assoalho da boca. É realizado
com a ponta da língua apoiada na papila palatina, onde
o paciente tenta abrir e fechar a boca fazendo força
com a língua para que a boca não se feche.
Depressor de
madeira: O paciente deve empurrar com a ponta da língua
o depressor que o terapeuta segura realizando uma força
em sentido contrario.
Deglutição
reflexa: Esse exercício trabalha a parte posterior. Prende-se
a ponta da língua e simultaneamente injeta-se água
contra o palato. O paciente deve deglutir a água movendo
a parte posterior da língua e os músculos do esfíncter
velofaríngeo.
Para a posição
de repouso: mantemos a língua posicionada contra o palato
duro durante 10 minutos. Pode-se utilizar um pedaço de
hóstia ou elástico ortodôntico na papila
palatina para auxiliar na concentração do paciente.
O paciente deve aumentar gradativamente este tempo.
Para o freio
lingual, utilizamos os seguintes exercícios: estalar
a ponta da língua e estirar a língua.
Estalar a ponta
da língua: Esse exercício trabalha a elasticidade
do freio lingual. O paciente deve realizar estalos com a ponta
da língua contra o palato duro, mantendo a boca aberta.
Depois, repete-se
o exercício com os dentes em oclusão. Após,
é necessário realizar uma forte sucção
da língua contra o palato duro, abrindo e fechando a
boca, sem deixar de manter a língua succionada.
Estirar a língua:
O exercício é realizado com a boca aberta, onde
o paciente deve estirar a língua o máximo possível,
sem tocar nos dentes ou nos lábios.
Para trabalhar
os músculos masséteres, realizamos os seguintes
exercícios: exercício do garrote e contração
e relaxamento dos masséteres.
Exercício
do garrote: Esse exercício é realizado para a
estimulação do tono do músculo masseter.
Utiliza-se um garrote de 15 cm de comprimento para morder, este
é colocado no lado direito sobre os molares e depois
no lado esquerdo. Deve-se morder de 15 a 20 vezes de cada lado.
Contração
e relaxamento dos masséteres: O paciente deve tratar
de vencer a força realizada pelos dedos indicador e médio,
colocados na região anterior da arcada inferior, que
pressionam a mandíbula para baixo. Deve-se realizar uma
força para conseguir o fechamento mandibular.
Os bucinadores
são trabalhados através de sucção
da seringa. Este exercício consiste em encher uma seringa
de 5 ml de água, inseri-la parcialmente dentro da boca
e succionar a água sem empurrar o êmbolo com a
mão. Esse exercício trabalha os bucinadores e
o véu palatino. Pode ser realizado também com
iogurte ou sucos.
Para trabalhar
o palato mole, realizamos exercícios com estímulo
frio, sucção, deglutição reflexa,
bocejo e articulação dos fonemas posteriores /k/
e /g/.
Estímulo
frio: Injetar um jato de água fria (com uma seringa)
no centro do palato mole, enquanto o paciente emite o fonema
/a/. Esses jatos devem ser curtos para provocar o estímulo
de contração da musculatura.
Sucção:
Esses exercícios serão descritos na seção
"sucção".
Deglutição
reflexa: Já descrita nos exercícios de língua.
Bocejo: Provocamos
bocejos abrindo a boca e realizando uma inspiração
profunda (via bucal), para que o paciente observe a elevação
do véu.
Articulação
dos fonemas /k/ e /g/: O paciente apoia a nuca com as mãos
realizando pressão para frente. No momento da articulação
dos fonemas, deve-se mover a cabeça no sentido contrário.
Esse exercício auxilia o fechamento do esfíncter
velofaríngeo.
Quanto aos músculos
da articulação temporomandibular (ATM), os exercícios
que atuam sobre os músculos que movimentam a ATM são
realizados pelos cinesiologos para as patologias dolorosas dessa
articulação. Esses exercícios trabalham
a contração dos músculos agonistas para
provocar o relaxamento dos antagonistas, mediante de técnicas
de mobilização e outras mais.
Citaremos abaixo
os exercícios para se trabalhar as funções
orofaciais (sucção, respiração,
mastigação, deglutição e articulação
da fala).
Para trabalhar
a sucção, podemos utilizar o exercício
com a chupeta ortodôntica, onde o paciente realiza sucções
enquanto o terapeuta segura o aro da chupeta e exerce uma leve
força para fora e com a dedeira de látex, onde
colocamos uma dedeira de látex no dedo indicador (do
terapeuta e do paciente), o paciente deve succionar o dedo do
terapeuta e ao mesmo tempo o terapeuta succiona o seu.
Dessa forma o
paciente sentirá como o terapeuta realiza a sucção,
e este conduzirá sua língua estimulando seus movimentos
de frente para trás. Pode-se utilizar pós de sabores
diferentes para estimulação.
Podemos dividir
o trabalho da respiração em duas etapas: a primeira
é realizada com treino da respiração nasal
e a segunda com treino do tipo respiratório.
Para o treino
da respiração nasal, trabalhamos com um espelho
tipo Glatzel, um espelho pequeno e automatização.
Espelho tipo
Glatzel: O paciente deve realizar inspirações
e expirações com a boca fechada, deixando marcada
a superfície do espelho. Depois deve inspirar o ar por
uma narina e expulsá-lo pela outra, alternando as narinas.
Espelho pequeno:
Coloca-se um pequeno espelho embaixo do nariz, onde o paciente
deve realizar respirações alternando o ritmo e
a duração das mesmas.
Automatização:
O paciente deve manter um pedaço de retalho de hóstia,
clips ou elástico ortodôntico entre os lábios
enquanto realiza alguma atividade como ver televisão,
ler, etc., aumentando progressivamente a duração.
Para o treino
do tipo respiratório, trabalhamos em decúbito
dorsal e sentado.
Em decúbito
dorsal: O paciente inspira pelo nariz e coloca a mão
sobre o diafragma para sentir sua expansão e elevação;
depois segura a respiração e expira lentamente
pela boca, controlando o fluxo de ar. Após, deve colocar
as mãos lateralmente sobre as costelas para sentir a
expansão.
Sentado: o paciente
inspira pelo nariz, provocando a expansão costodiafragmatica
e o expulsa contando de maneira pausada até 4; depois
repete o exercício avançado progressivamente a
conta até chegar a 15. Durante todos os exercícios
respiratórios devemos levar em conta a postura do pescoço
e dos ombros.
Orientamos o
paciente em relação a mastigação
para que esta seja realizada com a mordida anterior, mastigando
os alimentos com os lábios selados, alternando os lados
e triturando os alimentos na zona dos molares (posteriormente).
Quanto a deglutição,
iniciamos com o treino de líquidos para depois passar
ao treino da deglutição de saliva. Com uma seringa
damos um jato de água a boca do paciente, que deve deglutir
seguindo a seqüência abaixo:
Com a boca aberta:
O paciente deve posicionar a água no centro da língua,
apoiar sua parte anterior nas papilas palatinas e, com a boca
aberta, apertá-la contra o palato realizando movimentos
ondulatórios de frente para trás para levar a
água até a faringe. Esse movimento só é
conseguido por meio da elevação do osso hióide,
por isso é necessário posicionar a mão
do paciente debaixo da mandíbula para que perceba essa
elevação. Realizamos essa primeira etapa com a
boca aberta para estarmos seguros da posição da
língua.
Com os dentes
em oclusão: O paciente utiliza essa posição,
ainda com os lábios separados, mas com os dentes em contato
e repete os mesmos movimentos anteriores. Nessa fase ocorre
a contração dos músculos masséteres.
Com os lábios
fechados: Com os dentes em oclusão, repete-se os mesmos
movimentos. Nessa fase, além da contração
dos masseteres, constata-se a ausência de mímica
perioral ou de movimentos de cabeça.
Para variar o
exercício anterior, o paciente mantém uma bala
na boca para provocar salivação. Deve juntar a
saliva, ocluir os dentes e realizar os mesmos movimentos do
exercício descrito. Logo após passamos aos alimentos
pastosos e realizamos as mesmas etapas.
No que diz respeito
a articulação da fala, os transtornos articulatórios
miofuncionais tem relação com os maus hábitos
orais, com as anomalias estruturais dos órgãos
fonoarticulatórios e com a alteração das
funções orofaciais.
O sigmatismo
anterior está associado a hábitos como sucção
de dedos ou de outros objetos, ao uso da chupeta, entre outros.
É freqüente em respiradores bucais.
O sigmatismo
lateral também tem relação com a sucção
de dedos e da língua e está presente nas mordidas
abertas laterais.
Na reabilitação
dos sigmatismos é de extrema importância o trabalho
de reabilitação oral, além da reeducação
do posicionamento lingual e do direcionamento da corrente aérea
durante a articulação de determinados fonemas.
As dificuldades
na pronúncia do fonema /r/, se deve a pouca habilidade
do ápice lingual ou a falta de elasticidade do freio,
que também pode ser curto. O trabalho no sentido de melhorar
a mobilidade e a tonicidade da língua e a elasticidade
do freio é muito importante para o sucesso da reabilitação.
É freqüente
a observação de pacientes que articulam quase
sem mover a boca e/ou a língua, produzindo uma fala pouco
clara. Treinamos então a pronuncia lenta e a articulação
ampla.
Index
| Resumo | Summary
| Introdução
| Etiologias | Respiração
Bucal
Prevenção|
Tratamento | Conclusão
| Referências Bibliográficas