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.:: RESPIRAÇÃO BUCAL

Autora: Mila Weissbluth Frejman
Data do artigo: Outubro/2000

INTRODUÇÃO

A respiração bucal tem sido alvo de estudos de especialistas, entre eles os fonoaudiólogos, para melhorar a qualidade de vida do paciente, minimizando os hábitos negativos e as alterações funcionais e/ou estruturais bem como o desconforto que estas podem trazer para o indivíduo.

Ao fazer o diagnóstico e o tratamento precoces, evitaram-se as conseqüências mais difíceis de serem resolvidas. Quase ninguém sabe dessas conseqüências, dessa problemática, procurando ajuda quando já é tarde demais para reverter as alterações diretamente ligadas ao problema respiratório inicial.

Antigamente, apenas a medicina na área da Otorrinolaringologia, estudava a respiração bucal. Hoje em dia, não só a Medicina como a Fonoaudiologia, a Odontologia e a Fisioterapia têm se interessado por este estudo, pois sabe-se que não é adequado tratar um paciente respirador bucal sem o auxílio de uma equipe multidisciplinar. Sabemos que toda má formação óssea, maxilar ou manipular, traz danos às funções respiratórias e que alterações estruturais levam a alterações funcionais.

As funções afetadas acabam alterando estruturas inicialmente adequadas. Se a estrutura e a função estão interligadas, não podemos adequar o padrão de respiração sem a participação de uma equipe multidisciplinar, pois é impossível uma amplitude das noções e dos conhecimentos necessários para um profissional conseguir resgatá-las no respirador bucal.

Há necessidade de conhecermos as implicações das diferentes áreas dentro de cada caso clínico de respiração bucal, e executarmos a multidisciplinaridade quer no momento de fazer o diagnóstico, como durante o tratamento.

Para falarmos de respiração bucal, é necessário, primeiramente, abordar seus aspectos anatômicos e fisiológicos.

As fossas nasais são o início da árvore respiratória e são divididas pelo septo nasal que, por sua vez, é formado por uma estrutura osteocartilaginosa. A porção mais interna do nariz é chamada de coanas e está em contato com a rinofaringe. A porção mais externa é chamada de narinas.

Existe uma parede externa ou lateral composta por três saliências que são denominadas cornetos e o espaço existente entre eles é denominado meato.

O meato mais importante é o médio, pois ali drenam os seios frontal, maxilar e etmóide anterior; no meato superior, drenam os seios esfenóide e etmóide posterior; e no meato interior, desemboca o canal lacrimonasal.

As fossas nasais são muito importantes na fisiologia respiratória, pois têm como funções a filtragem ou purificação, o aquecimento, a umidificação do ar inspirado e olfação.

São cobertas por uma mucosa denominada pituitária, que é muito vascularizada e que sofre alterações de alergias e resfriados. Sua superfície é revestida por uma camada epitelial.

O ar inspirado faz uma trajetória representada por uma curva cujo vértice atinge o meato médio e cujas extremidades são as narinas e as coanas.

Existe uma corrente principal, uma inferior (secundária) e outra superior (olfativa). A faringe é um conduto musculomembranoso que se segue às fossas nasais e à cavidade bucal, terminando abaixo, na entrada da laringe e boca do esôfago, podendo dar passagem ao ar da respiração ou ao bolo alimentar.

É dividida em três porções: a porção superior ou nasal (nasofaringe ou cavum); a porção média ou bucal (orofaringe) e a porção inferior ou laríngica (hipofaringe ou laringofaringe).

As vegetações adenóides encontram-se na parede superior do cavum. O orifício da tuba auditiva é encontrado na parede lateral do cavum que estabelece comunicação da nasofaringe com a orelha média.

Na orofaringe encontramos as amígdalas palatinas e na base da língua a amígdala lingual. O anel linfático de Waldeyer é formado pelas vegetações adenóides, amígdalas palatinas e linguais.

A superfície interna da faringe é coberta por uma mucosa faringica, que é revestida por epitélio cilíndrico ciliado vibrátil.

 


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