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.:: A PERCEPÇÃO DIFERENCIADA DO BARULHO

Autora: Fga: Cláudia Ribeiro Martines
CRFa 6413-8 / 2ª Região
Data do artigo: Dezembro/1999

RESULTADOS

O Perfil dos Funcionários

Os questionários foram distribuídos para um grupo de 50 funcionários cuja média de idade é de 24 anos. A maior parte deles trabalha exposta ao barulho há, no máximo, dois anos. Apesar disso, apenas 30% dessas pessoas garantem tomar algum cuidado com a audição, porém pouco eficazes do ponto de vista da prevenção de alterações auditivas provocadas pelo ruído, como por exemplo a higiene (53%), exames audiológicos regulares (20%), ficar em silêncio quando não estão trabalhando (13,3%), o uso de proteção auricular (6,7%) e evitar ouvir TV e rádio em volumes intensos (6,7%). Todavia, tais cuidados não os torna menos suscetíveis às ações prejudiciais dos ruídos excessivos.

Por trabalharem em casas noturnas, supunha-se que nos momentos de folga esses jovens buscassem atividades de lazer mais tranqüilas. Porém, 39% deles relataram que costumam ir a barzinhos e 24,7% a danceterias nessas ocasiões, ficando nesses lugares em média 3 horas. Os demais locais citados foram academias, shows, fliperamas e pistas de boliche com um tempo médio de permanência de 2 horas.

Foi questionado a esse grupo quais as sensações que percebiam durante e após a exposição ao barulho. Surpreendentemente, os trabalhadores de casas noturnas parecem gostar de atuar em ambientes ruidosos. Segundo a opinião deles, executar tarefas em locais barulhentos é estimulante, os mantém alertas, sendo que, em alguns casos, trata-se de segunda jornada de trabalho.

Ao saírem desses locais, os sintomas percebidos foram o zumbido e o cansaço. Entretanto, assim como as sensações notadas durante a exposição, os efeitos desagradáveis contabilizam marcas pouco significativas. Foi observado nesse ítem que boa parte das queixas foi proferida pelas mulheres, o que leva a hipotetizar que elas fiquem mais incomodadas perante a nocividade do barulho.

O Perfil dos Freqüentadores

O grupo dos usuários foi composto por 100 participantes. Assim como o grupo anterior, a média de idade é de 24 anos. Desse universo, 80% trabalha, sendo que 32,5% dessas pessoas atuam em ambientes barulhentos há um tempo médio de 2 anos. Apesar disso, apenas 12% desses trabalhadores referem ter alguma precaução na prevenção da surdez. Nesse grupo, 80% relatam a higiene como principal cuidado, em seguida, empatados, 10% evitam o barulho quando não estão trabalhando e 10% usam proteção auditiva.

Os jovens desse grupo relacionaram os lugares de lazer que costumam freqüentar com maior assiduidade. Os barzinhos são os locais de preferência da maioria (32%), seguidos pelas danceterias (26,9%) e o tempo médio que ficam nesses estabelecimentos é de 4 horas. Academias, pistas de boliche, kart indoor e fliperama foram atividades citadas na seqüência, cujo tempo de permanência aproximado é de 2 horas.

Apesar do alto índice de freqüentadores de bares, danceterias e outros estabelecimentos de lazer ruidosos, foi constatado que grande parte deles não se sentem bem nesses ambientes. Embora encontrem no barulho a sensação de estímulo e euforia, os sintomas nocivos são mencionados enfaticamente durante a exposição, principalmente a dificuldade para escutar, a irritação e a falta de atenção. Para esses jovens, os sintomas prejudiciais são evidenciados com mais nitidez após a exposição. Parte expressiva desse grupo não sente tanto prazer quando está exposto ao barulho, como quando saem dele. A sensação que eles têm ao sair de tais ambientes, é de grande alívio.

O Perfil dos Funcionários x O Perfil dos Freqüentadores

Comparando-se os grupos, existem dois pontos coincidentes entre eles. Um deles é a média da idade dessas pessoas (24 anos) e o tempo que estão inseridos no mercado de trabalho (em média 2 anos).

Em relação aos cuidados destinados à audição, os funcionários parecem mais preocupados que os usuários, pois representam 30% daquele universo, contra 12% da população de freqüentadores. Porém, ambos citam como principal cuidado a higiene, fato irrelevante na prevenção da perda auditiva induzida pelos elevados níveis de pressão sonora.

Os dois grupos tem preferências semelhantes quanto aos locais de lazer freqüentados. Os lugares mais visitados por esses jovens são, pela ordem, os barzinhos e as danceterias, com permanência média de 4 horas pelos usuários, uma hora a mais que o tempo médio de permanência dos funcionários. O tempo aproximado de permanência em academias, o terceiro lugar mais freqüentado por ambos, é de 2 horas, nos dois grupos em questão.

Fica evidente o fato que o ruído, em determinadas situações, pode empolgar o ouvinte ou incomodá-lo profundamente. A fim de elucidar essa afirmativa, os gráficos 1 e 2 comparam as respostas obtidas nas duas categorias de entrevistados, em relação às principais impressões observadas durante e após o contato prolongado com os níveis altos de pressão sonora.

Gráfico 1: Sensações percebidas pelos funcionários e usuários durante a exposição ao barulho excessivo


Gráfico 2: Sensações percebidas pelos funcionários e usuários após a exposição ao barulho excessivo





 

           
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