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A PERCEPÇÃO
DIFERENCIADA DO BARULHO
Autora:
Fga: Cláudia Ribeiro
Martines
CRFa 6413-8 / 2ª Região
Data do artigo: Dezembro/1999
INTRODUÇÃO
O barulho
excessivo é um dos inúmeros problemas urbanos
na atualidade. Além de representar um agente prejudicial
ao meio ambiente, é notoriamente nocivo à saúde
humana afetando, indiscriminadamente homens e mulheres, adultos
e crianças, independente das condições
sócio-econômicas, culturais, étnicas e religiosas.
A nocividade
desse agente físico é estudada desde meados do
século passado, sendo em 1830 denominada "surdez por
ruído" as alterações auditivas decorrentes
da exposição prolongada aos elevados níveis
de pressão sonora.
Garcia (1983)
relatou que Haberman, renomado estudioso sobre a surdez por
ruído, em especial a adquirida em situações
de trabalho, localizou lesões no ouvido interno de cadáveres
de caldeireiros, especificamente no Órgão de Corti
e nas células do Gânglio Espiral.
Na década
de 40 os estudos prosseguiram, dessa vez submetendo animais
a traumas sonoros. A confirmação veio com maior
veemência durante a II Guerra Mundial, quando soldados
combatentes americanos foram submetidos a investigações
audiológicas, sendo constatadas alterações
auditivas relacionadas ao convívio com o ruído
excessivo nos campos de batalha.
Desde então
a PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruído) continua sendo
tema de várias linhas de pesquisas. A maioria delas enfatiza
os aspectos anátomo-fisiológicos desse tipo de
alteração dos limiares auditivos. Outras, mais
específicas abordam a surdez por ruído adquiridas
em situações exclusivamente ocupacionais. Um terceiro
grupo entretanto, preocupa-se com a socioacusia, isso é,
com as alterações auditivas provocadas pelo barulho
intenso em ocasiões extra-laborais. Esse trabalho pertence
a última categoria de estudos citados.
Atividades
corriqueiras da vida diária podem refletir em prejuízos
à audição, tais como o trânsito,
a realização de práticas desportivas em
ginásios e/ou academias, a permanência prolongada
em casas noturnas, geralmente barulhentas devido às músicas
tocadas em intensidades elevadas, a manipulação
de eletrodomésticos, de brinquedos aparentemente inofensivos,
mas que podem gerar ruídos fortíssimos, conforme
constataram Axelson (1981) e Celani (1991) em estudos que tinham
por finalidade medir a intensidade sonora gerada em diferentes
tipos de brinquedos (sopro, vinil, eletrônicos, explosivos,
entre outros).
Os alvos
dessa pesquisa foram os barzinhos e danceterias, daqui por diante
designados "casas noturnas", localizados em ambientes fechados,
com música ao vivo ou mecânica. Nesses locais foram
entrevistados freqüentadores e funcionários que
relataram suas impressões particulares e os sintomas
percebidos durante e após a exposição ao
barulho intenso.
O objetivo
de conhecer essas impressões, era confirmar a idéia
que os usuários de casas noturnas gostam do barulho produzido
nesses ambientes, uma vez que freqüentam esses locais por
diversão e por livre opção, mas os funcionários,
que lá estão por necessidade profissional, sentem-se
desconfortáveis e incomodados mediante tal situação.
Após
a coleta dos dados foi realizada uma comparação
entre os dois grupos e, o que se pôde concluir, foi exatamente
o contrário.