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.:: A PERCEPÇÃO DIFERENCIADA DO BARULHO

Autora: Fga: Cláudia Ribeiro Martines
CRFa 6413-8 / 2ª Região
Data do artigo: Dezembro/1999

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O que se pôde concluir nessa pesquisa foi que os funcionários gostam do barulho nos seus ambientes de trabalho. isso porque os elevados níveis barulho os mantém alertas, espantando dessa forma o cansaço, já que a jornada deles se dá do início da noite à boa parte da madrugada (cerca de 8 a 10 horas diárias).

As principais queixas citadas por esse grupo, após cessada a exposição foram:

  • o estímulo positivo que o barulho lhes proporciona;
  • a dificuldade para escutar decorrente do próprio ruído ambiental, como

também por estarem, provavelmente, sob efeito de uma mudança temporária dos limiares auditivos;

  • o prazer, pois embora gostem de barulho nos seus locais de trabalho,

sentirem-se livres dele é um grande alívio.

Por outro lado, os freqüentadores de casas noturnas e outros locais de lazer barulhentos, sentem-se incomodados com o ruído intenso. Relatam a dificuldade para escutar como a principal queixa, impossibilitando a conversação com outras pessoas. Sentem-se irritados nesses locais mas, em algumas situações o barulho é estimulante, atraindo-os para a diversão.

Quando saem dos lugares ruidosos, sentem zumbido intenso nas orelhas e forte cansaço. Igualmente ao grupo anterior, o alívio de saírem do barulho lhes proporciona imenso prazer.

A audição é de extrema importância à vida social e profissional do ser humano. É por isso que a surdez deve ser prevenida em quaisquer segmentos em que haja a probabilidade de adquiri-la.

O recomendável é que as pessoas expostas ao barulho, em especial em casas noturnas, não fiquem muito próximas às caixas acústicas e procurem locais menos ruidoso para um descanso auditivo sempre que o tempo de exposição for

prolongado, visto que estão frente ao risco iminente de adquirirem lesão auditiva irreversível decorrente da ação nociva do ruído intenso.

Mas, já que a exposição é inevitável, especialmente para os funcionários, cabe aos estabelecimentos, aos órgãos de fiscalização ambiental, às escolas, etc., deflagrarem campanhas informativas, de cunho educacional e preventivo, com o objetivo de evitar que mais pessoas, a cada dia que passa, sejam acometidas de

qualquer grau de perda auditiva induzida pelos elevados níveis de pressão sonora.

Entretanto, propor mudanças de hábitos socialmente instituídos, parece uma tarefa impossível. Mas, à medida que os estudos que revelam os risco do barulho para a saúde humana tornarem-se mais acessíveis à população em geral, talvez em anos (ou décadas), consiga-se uma maior conscientização e, ficar por horas intermináveis exposto ao barulho, talvez não seja mais sinônimo de diversão, como era sinônimo de elegância o hábito de fumar há décadas atrás.


 

           
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