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A
IMPORTÂNCIA DA DETECÇÃO PRECOCE DA DEFICIÊNCIA
AUDITIVA
Autora:
Fga: Daniela Carara Lemos
Data do artigo: 01 de Setembro de 2000
CRFa RS/T-MT 6921
Email: daniela.lemos@ig.com.br
A
audição é um dos sentidos mais importantes
para a vida humana. É a chave para a linguagem oral e
uma forma de sentir o mundo. Podemos perceber que sem ela, o
indivíduo perde parte do mundo real, passando a ter problemas
emocionais e sociais.
Qualquer
sujeito que não é exposto à estimulação
de linguagem nos primeiros anos de vida apresentará uma
defasagem em seu desenvolvimento lingüístico . A
prevenção da perda auditiva é uma forma
de proteger e impedir que ela sofra as conseqüências
da falta de estimulação auditiva sobre a função
da linguagem.
Os
primeiros anos de vida têm sido considerados como o período
crítico para o desenvolvimento das habilidades auditivas
e de linguagem. Esse é o período de maior plasticidade
neuronal da via auditiva. Nesse período, o sistema nervoso
auditivo central pode ser modificado de maneira positiva ou
negativa, dependendo da quantidade e qualidade dos estímulos
externos captados. Além disso, o período de recepção
dos símbolos lingüísticos auditivos é
um pré-requisito para a formulação da expressão
verbal.
O
diagnóstico audiológico realizado durante o primeiro
ano de vida possibilita a intervenção médica
e/ou fonoaudiológica, ainda nesse período crítico,
permitindo um prognóstico mais favorável em relação
ao desenvolvimento global da criança.
Segundo
RUSSO e SANTOS (1994), a deficiência auditiva pode ser
causada por fatores que ocorrem antes, durante ou após
o nascimento, isto é, há três períodos
durante os quais a deficiência auditiva pode ocorrer,
pré-natal, perinatal, pós-natal. Há, também,
a classificação das causas da deficiência
auditiva neurossensorial nas crianças em genéticas
e não genéticas, e, por sua vez, se dividem em
congênitas e pós-natais.
Em
1994 o Comitê Americano sobre Perdas Auditivas (Joint
Committe on Infant Hearing), elaborou uma lista de fatores
de risco para a deficiência auditiva periférica
e central para bebês neonatos. Essa lista consta dos seguintes
itens:
- Antecedentes
familiares de perda auditiva neurossensorial hereditária.
Consangüinidade materna.
- Infecções
congênitas (rubéoloa, sífilis citomegalovírus,
herpes e toxoplasmose).
- Malformações
craniofacias incluindo as do pavilhão auricular e
do meato acústico externo.
- Peso
de nascimento inferior a 1.500 gr.
- Hiperbilirrubinemia
– exsanguineotransfusão.
- Medicação
ototóxica ( aminoglicosídos, associação
com diuréticos, agentes quimioterápicos).
- Meningite
bacteriana.
- Apgar
de 0 a 4 / 1º minuto ou 0 a 6/ 5º minuto.
- Ventilação
mecânica.
- Síndromes.
- Alcoolismo
materno ou uso de drogas pscicotrópicas na gestação.
- Hemorragia
ventricular.
- Permanência
na incubadora por mais de 7 dias.
- Convulsões
neonatais.
- Otite
média recorrente ou persistente por mais de 3 meses.
- Suspeita
dos familiares de atraso de desenvolvimento de fala, linguagem
e audição.
- Traumatismo
craniano com perda de consciência ou fratura craniana.
As
crianças consideradas de risco para a deficiência
auditiva devem ser submetidas a uma avaliação
auditiva no início da vida, como também a um acompanhamento
audiológico Segundo LICHTIG (1997), perdas auditivas
neurossensoriais de grau moderado a severo podem ser confirmadas
em 2,5% a 5% dos recém-nascidos de alto risco. As perdas
auditivas adquiridas pré e pós- natal são
responsáveis por 65% dos casos de surdez.
Além
disso, sabemos que, as alterações decorrentes
de perda auditiva neurossensorial na infância restringem
a experienciação auditiva, causando alterações
no desenvolvimento auditivo e lingüístico, já
as alterações com componentes condutivos de caráter
flutuante, comprometem a habilidade de processar os estímulos
sonoros e as alterações decorrentes do comprometimento
anatomofuncional do Sistema Nervoso Central interfere na habilidade
de processar os estímulos acústicos e conseqüentemente
no desenvolvimento da linguagem.
No
Brasil, a deficiência auditiva tem sido detectada muito
tardiamente, impedindo uma melhor qualidade de vida para a criança
surda. É necessário uma maior conscientização
por parte dos profissionais, que entram em contato primeiramente
com o recém-nascido, para que eles possam auxiliar na
detecção precoce da deficiência auditiva,
fazendo a identificação dos bebês de alto
risco. Além disso, o fonoaudiológo é o
profissional capacitado e habilitado dentro dessa área,
cabe a nós, também, lutarmos por mais esse espaço.
BIBLIOGRAFIA
- LICHTIG,
Ida. Considerações sobre a deficiência
auditiva infantil no Brasil. In: LICHTIG, Ida; CARVALHO,
Renata Mota Mamede. Audição. Abordagens
Atuais. São Paulo: Pró-Fono, 1997.363p.
p.3-23.
- NORTHERN,
Jerry L.; DOWNS, Marion P. Audição em Crianças.
3 ed. São Paulo: Editora Manole Ltda, 1989. 421 p.
- RUSSO,
Iêda C. Pacheco; SANTOS, Tersa M. Momensohn. Audiologia
Infantil. São Paulo: Cortez Editora, 1994. 231
p.