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.:: Uma experiência clínica – a frustração de um trabalho multidisciplinar

Autoras: Beatriz Black e Raquel Ribeiro Leite Soares
Data do artigo: dezembro de 1999

Email: raquelfono@tutopia.com.br

5. COMENTÁRIOS

O trabalho realizado com o menor é de caráter multiprofissional, com o objetivo maior do tratamento, tanto do ponto de vista fonoaudiológico quanto ortodôntico, foi recuperar a integralidade morfofuncional. Segundo JUNQUEIRA (1994) a mioterapia ajuda no fechamento da mordida aberta anterior.BARBOSA & SCHNONBERGER (1996) relatam que em casos de mordida aberta anterior Fonoaudiólogo e Ortodontista devem trabalhar em conjunto para a estabilização intra e extra bucal.Considerando-se a tenra idade do menor, a dinâmica diária e familiar, bem como a falta de envolvimento no tratamento em questão, fica evidente o consequente prejuízo ao trabalho terapêutico realizado.Segundo FRÄNKEL & FRÄNKEL (1990) o hábito usual de manter os lábios abertos após o treino mioterápico realizado demonstra que a competência labial foi decepcionante e que o objetivo principal da terapia não foi totalmente resolvido. Desta forma, a recidiva ou manutenção da mordida aberta anterior é explicável e previsível, ou seja, uma vez que o selamento labial competente não foi conseguido, a postura protrusiva da língua surge como forma compensatória no estabelecimento de um selamento bucal anterior. A respiração, por sua vez, persiste de modo alterado com a maior parte do ar passando através da boca como um hábito vicioso.


6. CONCLUSÃO

Talvez o tratamento mais difícil e também o mais interessante na Fonoaudiologia esteja relacionado aos que resultam de hábitos bucais nocivos, principalmente quando há necessidade da retirada destes hábitos, introdução e fixação de novos padrões para restabelecimento do equilíbrio do Sistema Sensório Motor Oral.Nossa intenção, nestas breves considerações, não foi outra senão a de contribuir para uma discussão muito mais ampla do significado dos fracassos terapêuticos, convidando o leitor a uma reflexão muito maior do que reduzí-lo a um simples fracasso e delegando ao paciente isoladamente a responsabilidade pelo sombrio panorama constatado em nosso trabalho. A nossa prática tem mostrado que quanto mais consciente o paciente se coloca, mais prontamente poderemos atingir os objetivos propostos. Quando, entretanto, trata-se de uma criança, é indiscutível que o envolvimento familiar tanto para assiduidade no tratamento, motivação para realização das propostas terapêuticas, assim como responsabilidade e participação, é de suma importância no êxito do tratamento.GOMES (1998) relata em seus estudos que os pais são os maiores responsáveis ou co-responsáveis pelo fracasso terapêutico devido a não colaboração, do não seguimento das indicações, do não compreendimento ou não aceitação da patologia do filho, problemas familiares que interferem na terapia fonoaudiológica ou do não compreendimento dos objetivos da terapia. Gostaríamos, pois, de ressaltar que o fracasso de nosso atendimento deveu-se pela nossa incompetência profissional no envolvimento dos familiares, no processo de correção das funções, integrando a família como membro da equipe, da qual fundamentalmente a maior responsabilidade no prognóstico e resultado obtido, infelizmente, coube a ela.


7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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