O trabalho realizado com o menor é de caráter
multiprofissional, com o objetivo maior do tratamento,
tanto do ponto de vista fonoaudiológico quanto
ortodôntico, foi recuperar a integralidade morfofuncional.
Segundo JUNQUEIRA (1994) a mioterapia ajuda no fechamento
da mordida aberta anterior.BARBOSA & SCHNONBERGER
(1996) relatam que em casos de mordida aberta anterior
Fonoaudiólogo e Ortodontista devem trabalhar
em conjunto para a estabilização intra
e extra bucal.Considerando-se a tenra idade do menor,
a dinâmica diária e familiar, bem como
a falta de envolvimento no tratamento em questão,
fica evidente o consequente prejuízo ao trabalho
terapêutico realizado.Segundo FRÄNKEL &
FRÄNKEL (1990) o hábito usual de manter
os lábios abertos após o treino mioterápico
realizado demonstra que a competência labial
foi decepcionante e que o objetivo principal da terapia
não foi totalmente resolvido. Desta forma,
a recidiva ou manutenção da mordida
aberta anterior é explicável e previsível,
ou seja, uma vez que o selamento labial competente
não foi conseguido, a postura protrusiva da
língua surge como forma compensatória
no estabelecimento de um selamento bucal anterior.
A respiração, por sua vez, persiste
de modo alterado com a maior parte do ar passando
através da boca como um hábito vicioso.
6.
CONCLUSÃO
Talvez o tratamento mais difícil e também
o mais interessante na Fonoaudiologia esteja relacionado
aos que resultam de hábitos bucais nocivos,
principalmente quando há necessidade da retirada
destes hábitos, introdução e
fixação de novos padrões para
restabelecimento do equilíbrio do Sistema Sensório
Motor Oral.Nossa intenção, nestas breves
considerações, não foi outra
senão a de contribuir para uma discussão
muito mais ampla do significado dos fracassos terapêuticos,
convidando o leitor a uma reflexão muito maior
do que reduzí-lo a um simples fracasso e delegando
ao paciente isoladamente a responsabilidade pelo sombrio
panorama constatado em nosso trabalho. A nossa
prática tem mostrado que quanto mais consciente
o paciente se coloca, mais prontamente poderemos atingir
os objetivos propostos. Quando, entretanto, trata-se
de uma criança, é indiscutível
que o envolvimento familiar tanto para assiduidade
no tratamento, motivação para realização
das propostas terapêuticas, assim como responsabilidade
e participação, é de suma importância
no êxito do tratamento.GOMES (1998) relata em
seus estudos que os pais são os maiores responsáveis
ou co-responsáveis pelo fracasso terapêutico
devido a não colaboração, do
não seguimento das indicações,
do não compreendimento ou não aceitação
da patologia do filho, problemas familiares que interferem
na terapia fonoaudiológica ou do não
compreendimento dos objetivos da terapia. Gostaríamos,
pois, de ressaltar que o fracasso de nosso atendimento
deveu-se pela nossa incompetência profissional
no envolvimento dos familiares, no processo de correção
das funções, integrando a família
como membro da equipe, da qual fundamentalmente a
maior responsabilidade no prognóstico e resultado
obtido, infelizmente, coube a ela.
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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