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.:: Uma experiência clínica – a frustração de um trabalho multidisciplinar

Autoras: Beatriz Black e Raquel Ribeiro Leite Soares
Data do artigo: dezembro de 1999

Email: raquelfono@tutopia.com.br

4. AVALIAÇÃO

4.1 AVALIAÇÃO ORTODÔNTICA

Deu início ao tratamento de ortopedia funcional dos maxilares no início de 1998 aos 6 anos. O tratamento visou basicamente o descruzamento da mordida dos caninos.Primeiramente foi utilizado um bionator por mais ou menos 1 ano, visando aumentar a dimensão vertical posterior. A criança, porém, não fazia uso do aparelho e este foi substituído pela placa de Hawley em dezembro de 98. O objetivo deste aparelho foi de descruzar a mordida bilateralmente e fazer a contenção da mordida aberta anterior.A dentista relata que a criança apresenta uma disfunção óssea devido à hipofuncionalidade da musculatura perioral. Não sustenta a boca aberta e apresenta pouca abertura oral. Relata também que quando os dentes superiores centrais decíduos caíram, os permanentes não erupcionaram por 9 meses, em função do mal posicionamento da língua havendo a perda da borda alveolar.A criança foi encaminhada para avaliação fonoaudiológica em maio de 1998 com diagnóstico de mordida cruzada dos caninos bilateralmente com mordida aberta anterior.Foi observado que o menor não faz uso do aparelho regularmente e não comparece aos retornos ortodônticos com freqüência. Na etiologia da mordida aberta encontramos fatores ligados à hábitos bucais nocivos tais como: uso de chupeta e ou mamadeira por longo prazo; ao posicionamento inadequado da língua; ao padrão respiratório predomiantemente bucal e a um padrão de crescimento vertical predisponente à mordida aberta.

4.2 AVALIAÇÃO OTORRINOLARINGOLÓGICA

Foi solicitado pela Fonoaudióloga em maio de 1998, a qual revela: respiração bucal habitual, sem alterações nasais. Raio X normal não revelando hiperplasia de adenóide. Sugestão: realização de terapia fonoaudiológica e ortodôntica. Para KÖHLER et al (1995) as alterações miofuncionais estão relacionadas à perturbações da respiração. MARCHESAN (1998) diz que a respiração bucal traz prejuízos ao indivíduo, como assimetrias faciais, problemas posturais, alterações oclusais e alterações miofuncionais.BLACK (1998) relata que a respiração bucal gera um desequilíbrio no sistema motor oral provocando alteração na tonicidade dos lábios e estreitamento de palato.

4.3 AVALIAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA

Data: 05/98

 

4.3.1 DESCRIÇÃO DO PACIENTE

física: estatura e peso compatíveis com a idade.

comportamental: é uma criança dócil, calma e alegre.

 

4.3.2 FALA

Não foram observadas quaisquer alterações, tais como substituições e ou omissões fonêmicas.

4.3.3 LINGUAGEM

O menor possui todas as funções de linguagem (representativa, metalinguistica, contextual, expressiva e fática) de forma adequada e coerente, permitindo assim, a sua convivência com o meio.

4.3.4 Órgãos fonoarticulatórios

Realizada avaliação anátomo-funcional e postural dos OFAs, encontramos os seguintes resultados:O lábio superior encontra-se retraído (freio superior labial volumoso e extenso) e lábio inferior hipotônico apresentando manutenção entreaberta labial em situação de repouso. A língua encontra-se rebaixada no assoalho da boca e anteriorizada. As bochechas encontram-se hipotônicas. O palato duro em formato ogival. Palato mole sem alterações. A mandíbula apresenta-se simétrica, com movimentos de lateralização e protusão. A arcada dentária com bom estado de conservação, dentição decídua e permanente, sem chave de oclusão com mordida aberta anterior e mordida cruzada bilateral de caninos. Sabe-se que a postura inadequada da língua durante o repouso é um dos fatores mais críticos observados no desenvolvimento das deformidades oclusais.BRAGA & MACHADO (1992) relata que "Pacientes portadores de deglutição atípica têm o palato ogival e atrésico apresentando uma grande altura devido à língua não se situar nas posições normais e não havendo por conseguinte um modelamento do palato. Em outras palavras, não há a pressão negativa no ato da deglutição".

4.3.5 Funções Neurovegetativas

Apresenta padrão mastigatório rápido, ruidoso, ineficiente, com preferência mastigatória lateral direita e padrão de deglutição com projeção lingual anterior entre as arcadas caracterizando padrão atípico de deglutição. MARCHESAN (1998) relata que em crianças que apresentam mordida aberta anterior, geralmente interpõe a língua para deglutir. Sabemos que o padrão atípico de deglutição deve-se à movimentações inadequadas da língua e outras estruturas no ato de deglutir na fase oral da deglutição, caracterizando o caso apresentado.


4.4 REAVALIAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA
DATA: 11/99


4.4.1 Órgãos fonoarticulatórios

Realizada reavaliação anátomo-funcional e postural dos OFAs, os resultados que encontramos foram: lábios simétricos ainda entreabertos em situação de repouso, freios superiores e inferiores normais, abertos; língua volumosa, freios adequados, mantém-se no soalho entre as arcadas dentárias; bochechas hipotônicas; palato duro com formato ogival; mandíbula simétrica; arcada dentária com bom estado de conservação dentição decídua e permanente, sem chave de oclusão com mordida aberta anterior e mordida cruzada bilateral de caninos.Em terapias fonoaudiológicas, foi observado também que o menor "brinca" com o aparelho dentro da boca, não ficando este na posição correta.

4.4.2 Funções Neurovegetativas

O paciente apresenta respiração bucal viciosa; padrão mastigatório bilateral e eficiente utilizando-se da língua para captação do alimento. O menor é capaz de deglutir corretamente quando solicitado. O novo hábito ainda não se encontra fixado, podendo-se observar projeção lingual e de cabeça no ato da deglutição.

 

 

         
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