O
homem deve inspirar o ar pelo nariz desde que não
hajam interferências que prejudiquem este ato fisiológico.
Muitas vezes, nos deparamos com hábitos ou alterações
que, por obstrução física, dificultam
ou impedem a respiração nasal.
Em
função das reduzidas proporções
das aberturas nasais das crianças e, de obstruções
das vias aéreas superiores pela presença de
adenóides hipertróficas, rinites, hipertrofia
de cornetos, desvio de septo, pólipos, o organismo
desencadeará um padrão de respiração
bucal. Também pode haver processos alérgicos,
que estão muitas vezes associados a hipertrofia de
amígdalas e das mucosas nasais, gerando uma alteração
na deglutição e na postura de língua
em repouso ou em ação. Outras características
dos respiradores bucais são: palato alto e estreito,
maloclusão classe II divisão I de Angle, mordida
cruzada entre outras.
Quando
há presença de respiração bucal,
são grandes as chances de desenvolver distúrbios
miofuncionais, pois a boca aberta altera o equilíbrio
neuromuscular da face. Além disso, a postura corporal
do respirador bucal está alterada, principalmente
de cabeça e pescoço, e consequentemente atuando
sobre a oclusão em desenvolvimento. É necessário
ao respirador bucal, tratamento com equipe multidisciplinar
composta pelo menos por fonoaudiólogo, otorrinolaringologista
e dentista.
O
tratamento com o respirador bucal, baseia-se em exercitar
a musculatura orofacial (que apresenta-se hipotônica)
para que se reeduque essa musculatura, pois, ao contrário,
o hábito residual poderá persistir. Também
devemos trabalhar as funções do sistema estomatognático
(sucção, mastigação, deglutição
e respiração).
Trabalha-se
muito em frente ao espelho, para que o próprio paciente
possa se enxergar, se observar e se auto corrigir. No atendimento
com crianças, é muito comum, o trabalho com
bonecos, onde o paciente possa ensinar o que aprendeu a
ele. E assim, trabalha-se também a conscientização
da criança.
No
tratamento, deve haver flexibilidade em certas ações.
O paciente age com o material proposto pelo fonoaudiólogo
e faz a sua aprendizagem pela construção e
tomada de consciência de seus atos. O fonoaudiólogo
é apenas um mediador; questiona o que ocorre com
a intenção de causar um "conflito"
para que o paciente se dê conta do que está
ocorrendo, do que é certo e do que é errado.
Referências
Bibliográficas:
1.
HANSON, Marvin L.; BARRETT, Richard H. Fundamentos da
Miologia Orofacial. Tradução Neuma Gloria
Duarte Pereira; revisão técnica Roberval pereira
Filho. – Rio de Janeiro: Enelivros, 1995 – 416p.
2.
MARCHESAN, Irene Queiroz; ZORZI, Jaime Luiz; GOMES, Ivana
C. Dias. Tópicos em Fonoaudiologia 1996 – volume
III. Editora Lovise.