Linguagem
como um meio de comunicação inclui não
somente uma porção verbal mas também
aspectos não verbais importantes que incluem expressão
facial, mímica e gestos.......então chamados
de "linguagem corporal" como meio de expressão.
Fica então claro que o movimento tem um papel
significante na comunicação. O movimento
é necessário para a aquisição
da linguagem e também para sua produção
(Wettstein, 1992).
O
Conceito Bobath, é um tipo especializado de Fisioterapia,
constituido principalmente pelo trabalho do Neuropediatra
Dr Karel Bobath e de Sua Esposa a Fisioterapeuta Berta Bobath,
através de 25 anos de pesquisa. Na atualidade o tratamento
por eles desenvolvido é bem conhecido e aceito em vários
países (Bobath, 1990). O princípio do Conceito
Bobath é a inibição dos padrões
reflexos anormais e a facilitação dos movimentos
normais.
Com
o início do trabalho, percebeu-se uma afinidade entre
as metodologias, principalmente no que se refere ao aproveitamento
do potencial da criança e no respeito ao cronograma
das etapas de desenvolvimento.
Entrando
finalmente no assunto a ser discutido, se o objetivo é
trabalhar a criança com movimentos pré-estabelecidos
para a estimulação da verbalização
e esta criança tem um problema motor, é necessário
que primeiramente esta criança seja preparada para
este movimento.
Através
do Método Verbotonal estimula-se a criança a
verbalizar e a sentir os fonemas através do movimento
corporal e, através dos Conceitos Bobath, inibe-se
os padrões anormais e facilita-se os movimentos a serem
utilizados pela criança no processo da verbalização
e sensação destes fonemas.
O
corpo, seus movimentos e o sentido vestibular tem um
papel importante na reabilitação da criança
profundamente surda (Guberina, 1984). Fala é movimento,
fala é meio de comunicação, mas a comunicação
de destas crianças está comprometida, em primeiro
lugar, pelo fator auditivo e, em segundo, lugar pela inabilidade
de fazer trocas construtivas com o meio pela limitação
motora.
O
desenvolvimento da fala está intimamente ligado ao
desenvolvimento motor. Portanto deve-se conhecer este desenvolvimento
intimamente a fim de não exigir da criança algo
que ela não é capaz de realizar no momento.
Desenvolvimento
motor normal significa um desabrochar gradual das habilidades
latentes de uma criança (Bobath, 1963).
Franco
em 1995, relacionou como o desenvolvimento de fala é
dependete do desenvolvimento motor global:
O
recém nascido está num padrão flexor,
ele apresenta um choro monótono, uma vocalização
nasal e sons guturais e posteriores porque suas estruturas
orais estão imaturas e suas estruturas laríngeas
estão relativamente elevadas. A sua única experiência
em extensão é o reflexo de moro. Com 1 mês
de idade, começa a entrar um pouco de assimetria e
o bebê experiência a lateralidade, suas estruturas
orais vão gradualmente desenvolvendo-se e ele apresenta
eventualmente um pouco de extensão. A vocalização
começa pouco a pouco a transformar-se de nasal para
oral. Com 2 e 3 meses, mais extensão começa
a desenvolver-se, o bebê pode levar a mão a boca
e ter uma experiência sensorial (especialmente tátil).
Ele pode trazer suas mãos para a linha média.
A vocalização oral aumenta. Nesta fase pode-se
iniciar a estimulação dos sons orais /a/, /e/,
/i/, /o/ e /u/, associando estes fonemas já com algumas
manobras facilitadoras, após realizar um relaxamento
adequado. Com 4 e 5 meses, o bebê move-se melhor, ele
pode rolar de prono para supino. Estes movimentos permitem
a ele desenvolver entonação, intensidade e ritmo
ou seja os aspectos supra-segmentais da fala. O bebê
desenvolve estes aspectos através de um melhor uso
do feed-back auditivo. Ele começa a dar " gritinhos"
e a respiração torna-se mais profunda. Nesta
idade usaremos as manobras facilitadoras para a emissão
dos fonemas e vamos além, facilitando o movimento corporal
e estimulando a entonação. Com 6 e 7 meses,
o bebê desenvolve um melhor controle do corpo e de seus
movimentos, pois o equilíbrio deixa de ser função
dos braços e passa para a alçada do tronco e
pelvis, então ele pode sentar-se e mover-se para prono,
supino ou para o lado. Com esta liberação da
parte superior do corpo a criança inicia o balbucio.
Em supino sons como /k/ e /g/ são observados. Se o
bebê está numa posição prona, ouviremos
sons como o /p/, /b/ e /m/. A precisão e qualidade
da produção dos sons bilabiais aumenta assim
que a criança possa sentar com mais estabilidade. Com
um melhor desenvolvimento da mastigação, os
movimentos de língua e mandíbula aumentam quantitativamente
e qualitativamente, então os sons linguais como o /t/,
/d/, /n/ e /l/ aparecem. A precisão da articulação
aumenta quando inicia-se a dissociação entre
língua e mandíbula, isto acontece quando inicia-se
uma melhor dissociação corporal. O bebê
então faz uma variedade de sons. Ele começa
a aprender a fala através de repetição
e comparação dos sons. A partir deste momento
pode-se entrar com manobras que propiciem movimentos de percepção
para a emissão de sílabas e facilitem a aquisição
de posturas mais elevadas como o sentar. Os movimentos devem
ser explorados dentro da condição motora da
criança. Os 8 e 9 meses, são idades importantes,
pois o bebê terá que usar suas habilidades intelectuais
na linguagem. Ele tem que aprender que tudo tem um nome e
uma função. O significado da linguagem é
aprendido pela interação com o meio ambiente,
manuseando e interagindo com os objetos e pessoas. Através
desta interação o bebê aprenderá
para que servem os objetos, quais são suas características
e como elas se relacionam no tempo e no espaço. O bebê
começa a utilizar-se de monossílabos e dissílabos
com significado como /mama/, /papa/, /dá/, /tá/.
Agora começa-se a associar fala ao significado, as
manobras facilitariam os movimentos de percepção
das emissões e no caso de conseguir emissões
orais, estas já seriam associadas a um significado.
Finalmente com 10, 11 e 12 meses a criança começa
a produzir todo o sentido de uma frase resumida numa única
palavra. É o início da fala articulada, se o
bebê inicia a marcha com esta idade, a fala não
vai poder ter um bom desempenho ao mesmo tempo que o caminhar
pois este demanda muito da criança. O bebê estará
mais interessado em explorar o meio caminhando e portanto
estará desenvolvendo linguagem interior também.
Após esta fase a linguagem irá desenvolver-se
gradativamente com cada fase posterior trazendo sua beleza.
Se a criança conseguir chegar neste ponto sem atraso
motor, o Verbotonal segue o seu curso normal, se a criança
tiver algum problema motor associado, tem-se que partir da
idade do desenvolvimento em que ela se apresenta e então
utilizar-se das manobras de apoio com mais direcionamento.
Para
aplicar este tipo de tratamento comentado neste artigo, é
necessário que se tenha um profundo conhecimento tanto
da Metodologia Verbotonal, como dos Conceitos Bobath, por
isso tem-se o cuidado de não descrever nenhuma das
técnicas, que devem ser vivenciadas com o auxílio
de um instrutor formado e credenciado para depois serem utilizadas
por profissionais então habilitados.
Este
estudo realizado, pode ser utilizado tanto para a criança
surda Portadora de Paralisia Cerebral, como também
para portadores apenas de Paralisia Cerebral e Bebês
de Risco ou com atraso no desenvolvimento de linguagem, pois
o Método Verbotonal é plenamente aplicável
a estas crianças também. Os resultados são
realmente bons, principalmente em casos de atraso no desenvolvimento
da linguagem, afinal é mais fácil aprender o
que se vivência e tanto o Verbotonal como o Bobath partem
deste princípio.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS