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.:: Método Verbotonal Associado aos Conceitos Bobath para o Acompanhamento de Indivíduos Portadores de Surdez com Comprometimento Motor Associado



Autor: Lean Fontain Franco
Email: leanfranco@ig.com.br

Linguagem como um meio de comunicação inclui não somente uma porção verbal mas também aspectos não verbais importantes que incluem expressão facial, mímica e gestos.......então chamados de "linguagem corporal" como meio de expressão. Fica então claro que o movimento tem um papel significante na comunicação. O movimento é necessário para a aquisição da linguagem e também para sua produção (Wettstein, 1992).

O Conceito Bobath, é um tipo especializado de Fisioterapia, constituido principalmente pelo trabalho do Neuropediatra Dr Karel Bobath e de Sua Esposa a Fisioterapeuta Berta Bobath, através de 25 anos de pesquisa. Na atualidade o tratamento por eles desenvolvido é bem conhecido e aceito em vários países (Bobath, 1990). O princípio do Conceito Bobath é a inibição dos padrões reflexos anormais e a facilitação dos movimentos normais.

Com o início do trabalho, percebeu-se uma afinidade entre as metodologias, principalmente no que se refere ao aproveitamento do potencial da criança e no respeito ao cronograma das etapas de desenvolvimento.

Entrando finalmente no assunto a ser discutido, se o objetivo é trabalhar a criança com movimentos pré-estabelecidos para a estimulação da verbalização e esta criança tem um problema motor, é necessário que primeiramente esta criança seja preparada para este movimento.

Através do Método Verbotonal estimula-se a criança a verbalizar e a sentir os fonemas através do movimento corporal e, através dos Conceitos Bobath, inibe-se os padrões anormais e facilita-se os movimentos a serem utilizados pela criança no processo da verbalização e sensação destes fonemas.

O corpo, seus movimentos e o sentido vestibular tem um papel importante na reabilitação da criança profundamente surda (Guberina, 1984). Fala é movimento, fala é meio de comunicação, mas a comunicação de destas crianças está comprometida, em primeiro lugar, pelo fator auditivo e, em segundo, lugar pela inabilidade de fazer trocas construtivas com o meio pela limitação motora.

O desenvolvimento da fala está intimamente ligado ao desenvolvimento motor. Portanto deve-se conhecer este desenvolvimento intimamente a fim de não exigir da criança algo que ela não é capaz de realizar no momento.

Desenvolvimento motor normal significa um desabrochar gradual das habilidades latentes de uma criança (Bobath, 1963).

Franco em 1995, relacionou como o desenvolvimento de fala é dependete do desenvolvimento motor global:

O recém nascido está num padrão flexor, ele apresenta um choro monótono, uma vocalização nasal e sons guturais e posteriores porque suas estruturas orais estão imaturas e suas estruturas laríngeas estão relativamente elevadas. A sua única experiência em extensão é o reflexo de moro. Com 1 mês de idade, começa a entrar um pouco de assimetria e o bebê experiência a lateralidade, suas estruturas orais vão gradualmente desenvolvendo-se e ele apresenta eventualmente um pouco de extensão. A vocalização começa pouco a pouco a transformar-se de nasal para oral. Com 2 e 3 meses, mais extensão começa a desenvolver-se, o bebê pode levar a mão a boca e ter uma experiência sensorial (especialmente tátil). Ele pode trazer suas mãos para a linha média. A vocalização oral aumenta. Nesta fase pode-se iniciar a estimulação dos sons orais /a/, /e/, /i/, /o/ e /u/, associando estes fonemas já com algumas manobras facilitadoras, após realizar um relaxamento adequado. Com 4 e 5 meses, o bebê move-se melhor, ele pode rolar de prono para supino. Estes movimentos permitem a ele desenvolver entonação, intensidade e ritmo ou seja os aspectos supra-segmentais da fala. O bebê desenvolve estes aspectos através de um melhor uso do feed-back auditivo. Ele começa a dar " gritinhos" e a respiração torna-se mais profunda. Nesta idade usaremos as manobras facilitadoras para a emissão dos fonemas e vamos além, facilitando o movimento corporal e estimulando a entonação. Com 6 e 7 meses, o bebê desenvolve um melhor controle do corpo e de seus movimentos, pois o equilíbrio deixa de ser função dos braços e passa para a alçada do tronco e pelvis, então ele pode sentar-se e mover-se para prono, supino ou para o lado. Com esta liberação da parte superior do corpo a criança inicia o balbucio. Em supino sons como /k/ e /g/ são observados. Se o bebê está numa posição prona, ouviremos sons como o /p/, /b/ e /m/. A precisão e qualidade da produção dos sons bilabiais aumenta assim que a criança possa sentar com mais estabilidade. Com um melhor desenvolvimento da mastigação, os movimentos de língua e mandíbula aumentam quantitativamente e qualitativamente, então os sons linguais como o /t/, /d/, /n/ e /l/ aparecem. A precisão da articulação aumenta quando inicia-se a dissociação entre língua e mandíbula, isto acontece quando inicia-se uma melhor dissociação corporal. O bebê então faz uma variedade de sons. Ele começa a aprender a fala através de repetição e comparação dos sons. A partir deste momento pode-se entrar com manobras que propiciem movimentos de percepção para a emissão de sílabas e facilitem a aquisição de posturas mais elevadas como o sentar. Os movimentos devem ser explorados dentro da condição motora da criança. Os 8 e 9 meses, são idades importantes, pois o bebê terá que usar suas habilidades intelectuais na linguagem. Ele tem que aprender que tudo tem um nome e uma função. O significado da linguagem é aprendido pela interação com o meio ambiente, manuseando e interagindo com os objetos e pessoas. Através desta interação o bebê aprenderá para que servem os objetos, quais são suas características e como elas se relacionam no tempo e no espaço. O bebê começa a utilizar-se de monossílabos e dissílabos com significado como /mama/, /papa/, /dá/, /tá/. Agora começa-se a associar fala ao significado, as manobras facilitariam os movimentos de percepção das emissões e no caso de conseguir emissões orais, estas já seriam associadas a um significado. Finalmente com 10, 11 e 12 meses a criança começa a produzir todo o sentido de uma frase resumida numa única palavra. É o início da fala articulada, se o bebê inicia a marcha com esta idade, a fala não vai poder ter um bom desempenho ao mesmo tempo que o caminhar pois este demanda muito da criança. O bebê estará mais interessado em explorar o meio caminhando e portanto estará desenvolvendo linguagem interior também. Após esta fase a linguagem irá desenvolver-se gradativamente com cada fase posterior trazendo sua beleza.

Se a criança conseguir chegar neste ponto sem atraso motor, o Verbotonal segue o seu curso normal, se a criança tiver algum problema motor associado, tem-se que partir da idade do desenvolvimento em que ela se apresenta e então utilizar-se das manobras de apoio com mais direcionamento.

Para aplicar este tipo de tratamento comentado neste artigo, é necessário que se tenha um profundo conhecimento tanto da Metodologia Verbotonal, como dos Conceitos Bobath, por isso tem-se o cuidado de não descrever nenhuma das técnicas, que devem ser vivenciadas com o auxílio de um instrutor formado e credenciado para depois serem utilizadas por profissionais então habilitados.

Este estudo realizado, pode ser utilizado tanto para a criança surda Portadora de Paralisia Cerebral, como também para portadores apenas de Paralisia Cerebral e Bebês de Risco ou com atraso no desenvolvimento de linguagem, pois o Método Verbotonal é plenamente aplicável a estas crianças também. Os resultados são realmente bons, principalmente em casos de atraso no desenvolvimento da linguagem, afinal é mais fácil aprender o que se vivência e tanto o Verbotonal como o Bobath partem deste princípio.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BOBATH, B. 1963. A atividade postural reflexa anornal causada por lesões cerebrais São Paulo, Editora Manole.

GUBERINA, P. 1984. O método verbotonal para a reabilitação das pessoas com problemas na comunicação. Zagreb, Centro Suvag.

BOBATH, B. & BOBATH, K. 1990. Curso Bobath Student´s Papers. London, The Bobath Center.

WETTSTEIN, A. & MÜLLER, H. 1992. The role of the speech-language pathologist in the treatment of cerebral palsy. Berne - Suiça. Apostila distribuída durante o XV Congresso da Associação Brasileira de Paralisia Cerebral.

FRANCO, L.F. 1995. Early Normal Speech and Language Development. Palestra apresentada durante o Advanced Speech Terapy Bobath Course, Curitiba-Pr.


Autor: Lean Fontain Franco
Email: leanfranco@ig.com.br

 

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