Email: gepel@zipmail.com.br
Leia
o artigo e participe do fórum de discussão sobre
este e outros assuntos
Esta
proposta de trabalho surgiu a partir da experiência, na
prática fonoaudiológica, com crianças surdas;
fundamentada teoricamente pelos conceitos da visão sócio-antropológica
da surdez defendida por BRITO (1993), SKLIAR (1997), GOLDFELD
(1997) e SÁ (1999). Esta concepção vê
o sujeito como um ser bilingüe-bicultural, pertencendo
às duas comunidades: a surda e a ouvinte.
Objetivamos,
não só demonstrar os aspectos cognitivos, afetivos
e sociais da linguagem, como também minimizar as dificuldades
da criança surda na aprendizagem do português.
Foram estudadas 12 crianças, em idade entre 5 e 12 anos,
sendo 5 do sexo masculino e 7 do sexo feminino. Todas as crianças
apresentaram surdez neurossensorial em grau severo e profundo.
O
trabalho foi desenvolvido entre 1997 e 1999 por fonoaudiólogas
que experienciaram, durante o período de estágios
ou na prática clínica, alternativas inovadoras
para a introdução da segunda língua. Os
encontros foram semanais, individuais e em grupo; enfatizando
a orientação familiar. Todos os casos tiveram
supervisão da coordenadora do projeto.
Após
o término do processo terapêutico, analisados os
resultados, pelo grupo de trabalho, chegamos as seguintes conclusões:
dificuldades iniciais das famílias em aceitar a língua
de sinais; melhoria da motivação e interesse das
crianças surdas na aprendizagem da segunda língua;
estreita relação entre dispositivos básicos
(atenção, memória, motivação)
e o sucesso nesta aprendizagem; influência da diferença
nos tipos de inteligência (GARDNER, 1985) com aprendizagem
da segunda língua; e relação entre ambiente
e aprendizagem. Entretanto, consideramos como conseqüência
mais importante o papel identificatório que o uso da
língua de sinais tem no grupo, sendo facilitadora do
desenvolvimento cognitivo, afetivo e social; e conseqüentemente
na aprendizagem da segunda língua.
BIBLIOGRAFIA:
BRITO,
Lucinda F. Integração Social & Educação
de Surdos. Rio de Janeiro: Babel Editora, 1993. 116
p.
GARDNER,
Howard. Mentes que Criam: Uma Anatomia da Criatividade
Observada Através das Vidas de
Freud, Einstein, Picasso, Stravinsky, Eliot, Graham e Gandhi.
Porto Alegre: Artes Médicas,1996.
GOLDFELD,
Márcia. A Criança Surda: Linguagem e Cognição
numa Perspectiva Sócio-Interacionista. São
Paulo: Plexus, 1997. 176 p.
POERSCH,
J. M. Atitudes e Aptidões no Ensino de Línguas:
é possível alfabetizar em língua Estrangeira?
Letras de Hoje, Porto Alegre, v.30, n.2, p. 193-205,
junho 1995.
SÁ,
Nídia Limeira de. Educação de Surdos:
A Caminho do Bilingüismo. Niterói: EDUFF, 1999.
277 p.
SKLIAR,
Carlos. Uma perspectiva sócio-histórica sobre
a psicologia e a educação dos surdos. In:
SKLIAR,
Carlos (Org.). Educação & Exclusão:
Abordagens Sócio-Antropológicas em Educação
Especial.
Porto Alegre: Mediação, 1997. p.105-147.
SKLIAR,
Carlos (Org.). A Surdez: Um Olhar sobre as Diferenças
. Porto Alegre: Mediação, 1998.192 p.
Leia
o artigo e participe do fórum de discussão sobre
este e outros assuntos