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Prevenção
de Problemas Auditivos em Escolares
Autora:
Fga. Maria Angélica
Fischer
CRFª
6869/SC
Segundo
Scavazza (1991:119), a fonoaudiologia tem se colocado como uma
ciência que através de "ações preventivas", poderia
colaborar com a escola na diminuição do fracasso escolar. Como
especialista em linguagem ou em problema de linguagem, o fonoaudiólogo
tem assumido uma postura em que o seu saber técnico-científico-específico
é usado para detectar, tratar, e inclusive prever/prevenir problemas
de linguagem.
Dentre
as "doenças fonoaudiológicas ao escolar", estão as
alterações auditivas, definidas por Conceição (1994:155), como
as anormalidades na sensibilidade auditiva e/ou pelos danos
na integridade da fisiologia auditiva. Tal quadro, em função
de gravidade, pode levar a impedimento, desenvolvimento, compreensão,
uso ou manutenção da efetividade da comunicação. A dificuldade
na manutenção da atenção para o sentido dos "inputs"
lingüisticos e a retenção ao acaso ou irrelevante, manifestam-se
como deficiência na área da percepção auditiva (discriminação,
análise/síntese e figura fundo).
Uma
alteração no sistema auditivo, contribui para o aumento das
dificuldades do aprendizado de uma criança em desenvolvimento.
A deficiência auditiva, faz com que o aluno, apesar de atento,
não aprenda o que está sendo ensinado à turma.
Os
problemas auditivos quando detectados precocemente, facilitam
a conduta de pais e professores na orientação do processo de
aprendizado. Deste modo, torna-se importante a participação
do fonoaudiólogo junto à equipe profissional que atua nas escolas.
Na
verdade, o ideal seria que, todas as crianças de seis anos,
quando entrassem no período de alfabetização(como é comum),
passassem por uma avaliação médica geral (pediátrica, otorrinolaringológica
e oftalmológica) e não só as que apresentam algum problema.
Se o exame audiométrico diagnosticar que a criança não ouve
bem, o problema deverá receber uma atenção especializada, tanto
médica, como da escola, que não precisa ser necessariamente
uma instituição para deficientes auditivos.
Segundo
Pereira, Santos e Osborn (1995:164), o fonoaudiólogo pode propiciar
um conhecimento mais profundo dos aspectos relativos a audição
e linguagem de um indivíduo, ajudando o professor a compreender
o processo de aprendizado e suas dificuldades, bem como conhecer
os recursos diagnósticos tanto para fins de prevenção, como
de correção.
A
prevenção de problemas auditivos poderá ser realizada através
de triagens, orientações e encaminhamentos. Mas é de suma importância
uma participação efetiva dentro do processo educacional. O fonoaudiólogo
deverá mostrar à equipe pedagógica que o seu trabalho dependerá
da inter-relação e participação de todos, realizando um trabalho
integrado entre pais, professores, alunos e demais que venham
a compor a equipe da escola.
Nesta
perspectiva preventiva/coletiva, o fonoaudiólogo deve procurar
fazer parte da equipe interdisciplinar da instituição, traçando
metas conjuntas para melhor atender o grupo de alunos. A participação
nos planejamentos, nos conselhos de classe, nas reuniões de
pais e professores são possibilidades de trabalho em equipe.
Conforme
Conceição (1994:157), esta responsabilidade conjunta do fonoaudiólogo
e da escola, leva à efetivação de um sistema integrado de assistência
ao escolar, porque se transforma num facilitador para o período
de transição entre os domínios da linguagem oral e escrita.
Não cabe ao fonoaudiólogo o isolamento profissional porque a
efetividade de seus atos não pode ser avaliado somente em função
de uma performance "ideal", obtida em situação artificial
e protegida como a sala de terapia, porque o grau de sucesso
do comunicador só poderá ser realmente obtido em vida social.
A escola é uma lugar privilegiado como indicador das mudanças
da criança, seu crescimento, desenvolvimento e aceitação pelo
grupo.
Podemos
então concluir que, somente com a união dos esforços de todos
os envolvidos (fonoaudiólogo, professor, pais e a escola), será
possível atingir o nosso objetivo, que é a prevenção de problemas
auditivos em escolares. Desta forma, estaremos contribuindo
para que nossas crianças tenham mais qualidade na educação e
por conseqüência, mais qualidade de vida, fator indispensável
na tendência mundial (Globalização) que estamos vivendo.