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A Fonoaudiologia e a Cirurgia Ortognática
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dessa seção foi cedido pelo site www.respiremelhor.com.br,
portal dedicado às áreas de saúde
que trabalham a respiração (medicina, fonoaudiologia,
odontologia, fisioterapia). Este artigo encontra-se originalmente disponível na seção
Fonoaudiologia do Site Respire Melhor

A
Fonoaudiologia e a Cirurgia Ortognática
Irene Queiroz Marchesan
Esther Mandelbaum Gonçalves Bianchini
Introdução
A
fonoaudiologia é a ciência que trabalha com comunicação
oral e ou escrita. No Brasil, o primeiro curso oficial,
surgiu em 1961 na USP e em 1962 na PUC-SP, como se pode
observar, esta é uma profissão bastante jovem. Mais recentemente
foram oficializadas as seguintes áreas de especialização;
Voz, Motricidade Oral, Linguagem e Audiologia. Cada área
está dividida em sub áreas. Na área de Motricidade Oral,
a Fonoaudiologia tem como objetivo maior o restabelecimento
das funções estomatognáticas - respiração, mastigação,
deglutição e fala visando o equilíbrio miofuncional, não
importando se estes desequilíbrios estão ocorrendo em
pacientes com ou sem alterações anatômicas e ou funcionais.
Este trabalho pode ser para prevenir, reabilitar ou habilitar
estas funções.
Sabemos
que pequenas ou grandes alterações ósseas e ou dentárias
podem interferir nas funções de mastigar, deglutir, falar
e respirar. A saúde oral, a ATM e a digestão também podem
estar comprometidas assim como a própria aparência do
indivíduo. Os primeiros trabalhos relacionados à reabilitação
de função visando a melhoria e ou a manutenção da forma,
foram realizados por fonoaudiólogos americanos, e datam
da década de 60. Anteriormente, este trabalho era realizado
pelos próprios dentistas que após o exame e a constatação
de interferência muscular já indicavam e ou aplicavam
exercícios musculares. Portanto, os diagnósticos de alterações
mio funcionais eram feitos pelo médico e ou dentista,
e ao fonoaudiólogo cabia apenas o tratamento. Neste tratamento
utilizavam-se exercícios para a reabilitação dos músculos.
Os exercícios eram na sua grande maioria, idealizados
pela odontologia. Sempre houve controvérsia a respeito
da necessidade do trabalho complementar fonoaudiológico
na área da odontologia. Apesar das controvérsias, este
trabalho vem sendo realizado em maior ou menor escala
quase sempre a pedido de um dentista. A grande diferença,
é que hoje, o fonoaudiólogo também participa da equipe
diagnóstica, contribuindo com seus conhecimentos nas áreas
de anátomo - fisiologia dos órgãos fono articulatórios.
A fonoaudiologia
tem atuado com maior frequência, no campo da reabilitação
das funções orais, em associação a trabalhos realizados
pela ortodontia. Os ortodontistas ao corrigir problemas
de alteração de oclusão e ou mordida, na intenção de obter
maior estabilidade ao trabalho realizado, solicitam do
paciente que faça determinados exercícios ou que se encaminhem
para um profissional da área, no caso o fonoaudiólogo,
para avaliação e tratamento das estruturas orais.
Nas desproporções
maxilo mandibulares, sabemos que a ortodontia sozinha,
pode não resolver de forma satisfatória a problemática
do paciente. Nestes casos, indicam-se cirurgias ortognáticas.
Nestas cirurgias há a necessidade de trabalho muito próximo
do cirurgião e do ortodontista. O ortodontista é responsável
por reposicionar os dentes e o cirurgião por reposicionar
as bases ósseas maxila e mandíbula. O dentista será responsável
por manter a saúde oral, antes durante e depois do tratamento
cirúrgico e ortodôntico. É fundamental que o paciente
seja informado que a ortodontia ocorrerá pré e pós cirurgia
e que para ficar totalmente bom levará alguns meses, sendo
que, somente após este tempo terá todos os benefícios
propiciados por este tratamento. Mais recentemente alguns
fonoaudiólogos em suas clínicas particulares ou mesmo
em serviços ligados à hospitais e ou escolas de odontologia,
tem reabilitado funções de pacientes, que irão fazer ou
já fizeram cirurgia ortognática.
Qual seria
o papel do fonoaudiólogo neste processo se sabemos que
adaptações funcionais são frequentes durante todo este
período?
É importante
ressaltar, que raramente, pacientes com desproporções
maxilo-mandibulares vem primeiramente ao fonoaudiólogo.
Isto costuma ocorrer em duas situações específicas. A
primeira é quando um problema de fala está associado e
a segunda é quando alguém comenta com o paciente da possibilidade
de melhora da função respiratória e ou de deglutição com
um trabalho fonoaudiológico. Quando o paciente chega,
após anamnese e avaliação, mostramos que sem a cirurgia
ou pelo menos a ortodontia, ficará bastante difícil corrigir
a função que está em desequilíbrio. Apesar de insistirmos
na ortodontia e ou cirurgia, sabemos que existem casos
de alterações neuro - musculares onde a terapêutica fonoaudiológica
apesar de encontrar grandes limitações anatômicas, consegue
melhores adaptações funcionais. Procuramos garantir que
se façam outros tratamentos pois os procedimentos fonoaudiológicos
ficam sempre mais dificultados na medida que existam sérios
comprometimentos oclusais e especialmente desproporções
maxilo-mandibulares.
A íntima
correlação entre tecidos moles e tecidos duros, assim
como a necessidade das funções estomatognáticas para nossa
sobrevivência, levam a que ocorram adaptações funcionais
no sentido de viabilizar estas funções, independente das
alterações existentes. Assim sendo, temos observado grandes
adaptações miofuncionais principalmente em indivíduos
nos quais a relação esquelética está bastante alterada.
O reposicionamento
das bases ósseas conseguido por meio da cirurgia ortognática,
em muitos casos, modifica a musculatura orofacial induzindo
novas respostas adaptativas, em sua maioria benéficas.(1)
Entretanto,
algumas questões ainda ficam pendentes, tais como: a alteração
muscular pode trazer efeitos prejudiciais à cirurgia?
Apesar da modificação da forma, a musculatura pode, de
alguma maneira, forçar as estruturas recém - operadas?
O esquema proprioceptivo pode se adaptar rapidamente ou
a manutenção dos padrões funcionais antigos tendem a se
manter?
Observamos
que existem casos, onde mesmo após o reposicionamento
das bases ósseas, não há a modificação muscular que se
esperaria. Nestas circunstâncias o trabalho fonoaudiológico
consiste fundamentalmente na reeducação funcional, buscando
direcionar a musculatura através da utilização das funções
estomatognáticas dentro das novas possibilidades do indivíduo.
Outro ponto
que nos parece significativo diz respeito ao esquema proprioceptivo
previamente internalizado.
As funções
estomatognáticas, por serem automáticas, ocorrem abaixo
do nível da consciência, por exemplo, nunca pensamos em
como é o movimento de língua durante a mastigação ou deglutição,
simplesmente mastigamos e engolimos utilizando um conhecido
e automático mecanismo que depende da propriocepção das
estruturas de tecidos duros e moles, assim como dos espaços
orgânicos.
Com a repentina
mudança destas estruturas, um novo esquema proprioceptivo
deve ser adquirido para que as estruturas de tecido mole
possam executar satisfatoriamente suas funções. Notamos
que para alguns pacientes esta é uma etapa difícil ou,
gradativa, sendo que outros padrões adaptativos não pertinentes
podem se instalar. Apesar destas adaptações inadequadas
serem, de forma geral, a minoria, podem no contexto maior
interferir negativamente e não serem observadas.
Em pacientes
com desproporções maxilo-mandibulares, tanto a forma do
esqueleto quanto as funções estomatognáticas devem ser
corrigidas, uma vez que tecidos moles e duros tem uma
intrigante inter - relação. Observamos que nem sempre
após a cirurgia as modificações musculares já estão presentes
mas se seguirmos estes pacientes durante um tempo maior
verificamos que existe uma modificação que ocorre lentamente
e mais tardiamente. Desde um precoce estágio embriológico
já existe grande relação morfo -funcional entre os elementos
musculares e os componentes esqueléticos. ( 1 Bell )
Apesar das
grandes adequações funcionais espontâneas após as cirurgias
ortognáticas, a avaliação fonoaudiológica pode ser um
importante fator contribuinte para um melhor prognóstico.
Quando falamos em avaliação isto não significa obrigatoriamente
tratamento.
Ao avaliarmos antes da cirurgia
ortognática verificamos quais são os padrões funcionais
utilizados, documentado-os através de filmagens e ou fotos.
Após a cirurgia com nova reavaliação constatamos quais mudanças
ocorreram, se estas estão adequadas, se é necessário algum
tipo de orientação ou de um tratamento.
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