.::
Considerações sobre Hábitos Orais
O conteúdo
dessa seção foi cedido pelo site www.respiremelhor.com.br,
portal dedicado às áreas de saúde
que trabalham a respiração (medicina, fonoaudiologia,
odontologia, fisioterapia). Este artigo encontra-se originalmente disponível na seção
Fonoaudiologia do Site Respire Melhor

Considerações
sobre Hábitos Orais
Fga. Ana Lúcia Durán Martine
Há
muito tempo existe uma preocupação com relação aos hábitos
orais causadores de deformações dento-faciais e alteração
das funções de respiração e deglutição.
A exercitação da musculatura peri-oral é essencial
para o estabelecimento de um padrão correto de deglutição,
respiração e também para evitar o surgimento de alterações
de fala
Ao nascimento, geralmente a mandíbula está
muito retraída em relação ao maxilar superior; os dentes
ainda não erupcionaram e se observa um espaço entre os
processos maxilares que é ocupado pela língua. Esta, exerce
uma função importante no desenvolvimento da maxila.
Na 8ª semana de vida intra-uterina, a língua
já possui toda a sua morfologia formada e apresenta-se
mais desenvolvida que a mandíbula, preenchendo toda a
cavidade oral, interpondo-se entre as lâminas palatinas.
Entre a 8ª e a 12ª semanas, ocorre um crescimento rápido
da mandíbula. A língua desce, ocupando o espaço oral,
permitindo o fechamento das lâminas palatinas. Na 10ª
semana, a língua começa a movimentar-se e surge o reflexo
da deglutição.
O aleitamento natural,
além de seu valor nutritivo, tem uma importância fundamental
no desenvolvimento da musculatura facial. Assim que o
bebê prende o bico do seio entre os lábios, a língua apóia-se
sobre os lábio inferior. O bico do seio e parte da aréola
ficam rodeados por cima pelo lábio superior e por baixo
pela ponta da língua e pelo lábio inferior. O dorso da
língua encontra-se elevado para que funcione o complexo
língua - palato mole como mecanismo oclusivo. Com isto,
ocorre um vedamento da boca, tanto anterior como posterior.
A extração do leite ocorre devido ao vácuo
formado na boca pela vedação realizada, contração dos
bucinadores e compressão do mamilo pela língua, que se
dá pela elevação da mandíbulas e da língua no movimento
ântero-posterior. O posicionamento e movimentação corretos
durante a sucção contribuem para a exercitação da musculatura
e para o crescimento adequado da mandíbula.
Ao sugar a mamadeira com bico comum, a criança
o faz sobre uma superfície arredondada, imobilizando o
orbicular. A língua é projetada para a frente na tentativa
de controlar o fluxo excessivo de líquido para o esôfago
e evitar engasgos. Este mecanismo pode ser a causa inicial
da deglutição atípica, do desequilíbrio dos músculos faciais
e ainda das distorções na articulação dos fonemas linguo-dentais.
O aleitamento artificial
deve ocorrer através do uso de bico ortodôntico, atualmente
de fácil disponibilidade no mercado, pois este é abaulado
na sua parte superior em, conformidade com a anatomia
do palato duro e achatado na parte inferior, permitindo
contato com o dorso da língua, a massagem dos orbiculares
dos lábios e o apoio dos mesmos.
A sucção da chupeta
também é importante para o desenvolvimento da musculatura
facial, porém seu uso prolongado (teoricamente após os
três anos) pode provocar alterações morfológicas. Saliento
que o bico da chupeta deve ser ortodôntico, cujo formato
assemelha-se ao da mamadeira, acima descrito, pois favorece
o vedamento labial e o posicionamento adequado da língua.
Entre os hábitos inadequados
que acarretam conseqüências ao crescimento facial e às
funções neuro-vegetativas, devo citar ainda a sucção digital.
Gomes Proença e Limongi (1991), descrevem
duas maneiras de sucção do polegar. Uma delas é com o
dedo exercendo pressão contra o palato, podendo provocar
uma protusão dos dentes incisivos superiores e retração
dos inferiores. A outra é com a palma da mão virada para
baixo, o que pode provocar uma protusão da Mandíbula em
relação à maxila, com postura e mobilidade da língual
alteradas. Os dois casos poderão ocasionar padrão atípico
de deglutição e favorecem a respiração bucal.
Diante de tais considerações, acredito ser
relevante a atenção multidisciplinar à este tema, visando
promover a saúde, prevenir alterações e garantir cada
vez mais uma melhor qualidade de vida à nossas crianças.
Bibliografia:
·
Azevedo, J. P. M.; Pelegrin, N.: Nigri, F. N.; Kós, A.
O.; Portinho, F.; Paes, V. C.; Damasceno, D.; Procópio,
E. S.; Tognon, N.; Netto, J. N. - "Amamentação: Escolha
Correta de Bicos e Chupetas". Anais do Hospital
da Siderúrgica Nacional, 1984, PP 93-94;
· Gomes, I. C. D.; Proença, M. G.; Limongi, S. C. O. -
"Avaliação e Terapia da Motricidade Oral". In Temas
de Fonoaudiologia 4ª Edição São Paulo, Loyola, 1991
PP 59-119;]
· Hanson, M. L.; Barret, R. H. - "Oral Myofunctional
Disorders" 2ª edição Saint Lois, Mosby Company, 1978,
336p;
· Padovan, B. E. - "Deglutição Atípica". Separato
do Artigo publicado na R. Ortodontia, 9: 1 e 2, 1976.
· Segovia, M. L. - "Interrelaciones entre la Odontoloestomatologia
y la Fonoaudiologia: La degluticion Atípica" 2ª edição
Buenos Aires, Medica Panamericana, 1988, 237p.
*
Ana Lúcia Durán Martinez
Fonoaudióloga Graduada pela UNIFESP-EPM
Pós Graduada em Psicomotricidade pela UNIP.

www.respiremelhor.com.br
respiremelhor@respiremelhor.com.br