Distúrbios na Respiração Nasal

Publicado em
01/12/1999 por

O homem deve inspirar o ar pelo nariz desde que não hajam interferências que prejudiquem este ato fisiológico. Muitas vezes, nos deparamos com hábitos ou alterações que, por obstrução física, dificultam ou impedem a respiração nasal.

 

Em função das reduzidas proporções das aberturas nasais das crianças e, de obstruções das vias aéreas superiores pela presença de adenóides hipertróficas, rinites, hipertrofia de cornetos, desvio de septo, pólipos, o organismo desencadeará um padrão de respiração bucal. Também pode haver processos alérgicos, que estão muitas vezes associados a hipertrofia de amígdalas e das mucosas nasais, gerando uma alteração na deglutição e na postura de língua em repouso ou em ação. Outras características dos respiradores bucais são: palato alto e estreito, maloclusão classe II divisão I de Angle, mordida cruzada entre outras.

 

Quando há presença de respiração bucal, são grandes as chances de desenvolver distúrbios miofuncionais, pois a boca aberta altera o equilíbrio neuromuscular da face. Além disso, a postura corporal do respirador bucal está alterada, principalmente de cabeça e pescoço, e consequentemente atuando sobre a oclusão em desenvolvimento. É necessário ao respirador bucal, tratamento com equipe multidisciplinar composta pelo menos por fonoaudiólogo, otorrinolaringologista e dentista.

 

O tratamento com o respirador bucal, baseia-se em exercitar a musculatura orofacial (que apresenta-se hipotônica) para que se reeduque essa musculatura, pois, ao contrário, o hábito residual poderá persistir. Também devemos trabalhar as funções do sistema estomatognático (sucção, mastigação, deglutição e respiração).

 

Trabalha-se muito em frente ao espelho, para que o próprio paciente possa se enxergar, se observar e se auto corrigir. No atendimento com crianças, é muito comum, o trabalho com bonecos, onde o paciente possa ensinar o que aprendeu a ele. E assim, trabalha-se também a conscientização da criança.

 

No tratamento, deve haver flexibilidade em certas ações. O paciente age com o material proposto pelo fonoaudiólogo e faz a sua aprendizagem pela construção e tomada de consciência de seus atos. O fonoaudiólogo é apenas um mediador; questiona o que ocorre com a intenção de causar um "conflito" para que o paciente se dê conta do que está ocorrendo, do que é certo e do que é errado.

 

 

Referências Bibliográficas:

1. HANSON, Marvin L.; BARRETT, Richard H. Fundamentos da Miologia Orofacial. Tradução Neuma Gloria Duarte Pereira; revisão técnica Roberval pereira Filho. – Rio de Janeiro: Enelivros, 1995 – 416p.

 

2. MARCHESAN, Irene Queiroz; ZORZI, Jaime Luiz; GOMES, Ivana C. Dias. Tópicos em Fonoaudiologia 1996 – volume III. Editora Lovise.