A Fonoaudiologia e os Planos de Saúde

Publicado em
09/12/1999 por

A Fonoaudiologia e os Planos de Saúde (09/12/1999)

Autora: Fga. Maria Cristina Jabbur
ex-Delegada Regional do Conselho Regional de Fonoaudiologia-2ª Região 
ex-Presidente do Sindicato dos Fonoaudiólogos da Baixada Santista.

E-mail: [email protected] 

 

 

Fonoaudiólogo tratando de recém-nascido? Fonoaudiólogo cuidando de idoso? Reabilitando pacientes queimados? Afinal, qual é a população atendida por esses profissionais? Resposta: todo e qualquer indivíduo, de qualquer idade, está sendo beneficiado com o avanço científico, tecnológico e humano dos fonoaudiólogos hoje, em nosso país.

Mais uma vez, volto a ocupar este espaço no dia 9 de dezembro, Dia do Fonoaudiólogo, para registrar as ações que, orgulhosamente, nossa categoria profissional vem desenvolvendo em benefício de toda a sociedade, na melhoria de sua qualidade de vida.

Prova disso, são os inúmeros programas desenvolvidos pelos profissionais de Fonoaudiologia na Saúde Pública, que contemplam as áreas de voz, motricidade oral, linguagem e audição. As ações preventivas minimizam, a médio prazo, a incidência de várias patologias e suas possíveis conseqüências sociais, econômicas ou emocionais, beneficiando uma grande parcela da população e diminuindo, para o Estado e para o cidadão, os custos de um possível tratamento ou impedimento no seu papel produtivo.

Ao exercer a sua função terapêutica, o fonoaudiólogo trata e reintegra à sociedade, entre outros, pacientes portadores de Afasia ( perda total ou parcial da fala ou linguagem), Disfagia ( alteração na deglutição ), Disfonia (alterações de voz). No caso dos pacientes disfágicos internados, a atuação do fonoaudiólogo, antes restrita à qualidade de vida, amplia-se para a manutenção da vida, ao diminuir as complicações e o tempo de permanência do paciente no hospital.

Como ficaria a vida profissional e pessoal do professor, do ator, do locutor, do operador de telemarketing e do cantor, que, devido à sobrecarga ou mesmo fatores desumanos de trabalho, acabam desenvolvendo nódulos de pregas vocais causando rouquidão que os impedem de utilizar o seu instrumento de trabalho, a laringe?

Crianças com alterações na comunicação por problemas neurológicos, pacientes com fissura palatina, com deficiência auditiva, neonato de risco, e tantas outras patologias na área fonoaudiológica têm sido contemplados com um leque abrangente de ações dos fonoaudiólogos, que não se cansam de aprofundar os seus estudos e pesquisas.

Consciente de seu papel na sociedade, nossa categoria não perde de vista a importante prática interdisciplinar no âmbito da saúde, pois atua diretamente com médicos, psicólogos, dentistas, fisioterapeutas, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, formando, na prática, uma cadeia complexa de atuação.

Entendemos, acima de tudo, que saúde é um conceito muito amplo e que não se configura apenas na ausência da doença.

Exatamente por isso, e após mais de 30 anos de atuação e consolidação de nosso trabalho junto à população, temos algo muito sério a lamentar. A Lei 9.656/98, que regulamenta os Planos de Saúde no país, em vigor desde 4 de janeiro de 1999, continua excluindo a Fonoaudiologia da cobertura dos convênios e seguros de saúde.

Se a lei, em seu artigo 1º, parágrafos 1º, 2º e 3º, dispõe que "as empresas de assistência à saúde devem garantir a cobertura de quaisquer riscos à saúde, compreendendo todas as ações necessárias à prevenção da doença, recuperação, manutenção e reabilitação da saúde", não poderia, dessa forma, excluir a Fonoaudiologia.

Para tentar reparar essa injustiça, principalmente aos usuários, os Conselhos Federal e os Regionais de Fonoaudiologia em todo o país, não estão medindo esforços junto às autoridades competentes e ao Ministério da Saúde, para que essa posição seja revista.

Os fonoaudiólogos estão lutando e reagindo contra essa lei, de forma organizada, mas incisiva, além de conscientizarem toda sociedade sobre a importância de nosso papel junto ao ser humano e sua qualidade de vida.

Devem, também, os usuários dos planos de saúde, que, para segurança própria e de sua família, não pagam pouco por isso, exigirem os seus direitos junto às empresas, a fim de garantir assistência integral à sua saúde.

Todos nós juntos, profissionais e comunidade, haveremos de vencer, também, essa batalha. É inadmissível que, às portas do ano 2000, por descaso, omissão ou interesses econômicos, vire-se as costas a toda a sociedade, impedindo seu acesso aos reconhecidos benefícios da Fonoaudiologia.